terça-feira, 3 de julho de 2012
A Bela e a Fera
quinta-feira, 7 de junho de 2012
As Três Línguas!
quinta-feira, 24 de maio de 2012
O Rei Barba-de-Melro
domingo, 17 de janeiro de 2010
A PROFECIA (conto russo)
O valoroso príncipe Oliêg se preparava para mais uma campanha, desta vez em represália contra a tribo hostil dos kazares, que haviam assaltado suas terras. À testa de intrépida hoste de guerreiros, ele partiu, montado no seu garboso corcel de guerra, companheiro fiel de muitas refregas, do qual nunca se separava.
A caminho do campo de batalha, veio-lhe ao encontro, surgindo da floresta escura, um venerando mago vidente. O sábio eremita passara toda a vida em prece e meditação, e podia ver o passado e prever o futuro. Oliêg aproximou-se do ancião e, do alto da sua nobre montaria, dirigiu-lhe a palavra.
- Dize-me , ó mago, favorito dos deuses, o que me reserva a vida? Qual será o destino que espera por mim, que me aguarda na paz e na guerra? Revela-me toda a verdade, ancião. Não tenhas medo de mim. E em recompensa eu te darei qualquer um dos meus belos corcéis.
O velho mago então retrucou em voz serena e severa:
- Os magos não temem guerreiros nem reis, e dispensam os dons principescos. Sua língua é sábia, livre é o seu falar, que obedece à vontade dos deuses. O futuro se oculta nas sombras , porém o teu fado eu leio em tua fronte.
-Fala, pois, mago! – Oliêg retrucou. E o mago continuou:
- Marca, ó príncipe, o que aqui te direi: nas guerras, serás vitorioso. Tua fama e glória o mundo atroarão. Nem flecha, nem lança ou espada, nem punhal traiçoeiro jamais vararão a tua brilhante armadura. Um guardião invisível te protegerá, por teus longos anos de vida.
O corcel de Oliêg sacudiu impaciente a bela cabeça altiva. E o mago então voltou a falar:
- Lembra, príncipe, as minhas palavras: teu cavalo não teme perigo nem dor, sentindo a vontade do dono , ora para imóvel sob flechas hostis ora galopa veloz, destemido. Teu cavalo, Oliêg, te é fiel e leal. Mas tua morte advirá do teu belo corcel.
Uma sombra passou pelo rosto de Oliêg. Pensativo e taciturno, da sela ele desceu e acariciou a crina esvoaçante do seu brioso alazão.
- Adeus , meu amigo, meu servo fiel, devemos nos separar. Descansa agora, pois meu pé não mais pisará no teu estribo dourado. Adeus, não entristeças, não te esqueças de mim!
E Oliêg ordenou a dois jovens guereiros que levassem embora o vavalo.
- Levai meu corcel, meus jovens amigos. Agasalhai-o com a manta felpuda e soltai-o no meu campo relvado. Banhai-o, alimentai-o com os mais finos grãos, dai-lhe a beber água pura da fonte, para que ele tenha uma vida feliz, em liberdade e fartura.
E os querreiros levaram o alazão, e trouxeram a Oliêg outra montaria.
Passaram os anos. O grande Oliêg banquet eava-se com sua guerreiros, já grisalhos como ele. As canecas espumantes se erguiam em roda, e os velhos companheiros cantavam e bebiam, recordando os dias pregressos e as batalhas que juntos tinham travado.
De repente, opríncipe se lembrou do fogoso corcel do qual tivera de se separar havia tanto tempo, e falou:
- Dizei-me, amigos, o que foi feito do meu garboso ginete? O meu velho companheiro ainda galopa livre pelo campo? Ainda é ligeiro e fogoso como antes?
E o herói ouviu em resposta que o seu bravo e leal cavalo de batalha havia muito dormia o sono eterno ao pé da colina, junto ao rio. E o poderoso Oliêg deixou pender a cabeça, e lamentou:
- De que valeu a profecia do mago? Mago, és um velho mentiroso e louco! Eu devia ter desprezado o teu vão vaticínio, e o meu alazão me carregaria até o dia de hoje...
E Oliêg quis ver os restos do seu antigo companheiro, e, juntamente com seus guerreiros, foi até o lugar indicado. E lá ele viu, branquejando em meio ao capim balouçante, os nobres ossos do seu corcel.
Taciturno, o príncipe apoiou um pé sobre o alvo crânio do cavalo, e falou tristemente:
- Dorme em paz, meu solitário amigo! O teu velho dono te sobreviveu. Não serás tu que , nas minhas exéquias já não tão distantes, acompanharás para a sepultura este velho guerreiro, e regarás com teu sangue os meus restos mort ais no sacrifício final!
– E acrescentou, amargurado:- Então era aqui que se ocultava o meu fim? Ameaçava-me pálida ossada?
Mas enquanto ele falava , pensativo e absorto, da fria caveira esgueirava-se , sinuosa, uma serpente tumular. Qual fita negra, ela se enroscou no pé de Oliêg... e um grito súbito escapou do príncipe ferido de morte...
As canecas espumantes se erguiam em roda no banquete fúnebre em memória do
príncipe Oliêg. Os guerreiros grisalhos bebiam e cantavam, recordando os dias pregressos e as batalhas que juntos tinham travado.
E assim se cumpriu a profecia do mago!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A Bruxa da Montanha
Era uma vez um rei que tinha dois filhos, uma princesa e um príncipe. Sua esposa, a rainha, tinha morrido e ele teve que ficar sozinho com os dois filhos.
A princesa já estava ficando mocinha e não gostava de ficar sozinha no castelo, pedia sempre ao pai que a levasse para passear. O rei não tinha muito tempo e o irmão, o príncipe, era muito novo ainda para sair com ela.
Todos os dias ela ficava na janela do castelo olhando as pessoas que passavam e, assim, se distraindo. Um dia, passou pelo palácio um rapaz muito bonito, olhou para ela e sorriu. Ela ficou toda feliz, mas não sabia quem era e seu pai era muito severo, não deixando que ela falasse com estranhos.
Os dias passavam e o rapaz continuava a sorrir para ela quando passava pela sua janela.
Um dia, ela tomou coragem e chamou o rapaz, perguntando quem ele era. Ele respondeu que morava com a mãe no alto da colina e que vinha sempre à cidade para trabalhar .
Ela ficou encantada de saber que o rapaz trabalhava e tinha uma mãe. Resolveu pedir ao rapaz que a levasse para conhecer a mãe dele na montanha.
No dia seguinte, pediu ao irmão que dissesse ao pai que ela saíra com a ama e não ia demorar. A ama não gostou da mentira, mas como gostava muito dela foi assim mesmo.
Quando chegaram ao alto da montanha encontraram a mãe do rapaz colhendo flores no jardim da casa. Ela veio ao encontro deles e ficou impressionada com a beleza da princesa. Conversaram muito e como estava tarde a ama chamou-a para irem embora.
Quando chegou, o rei já estava nervoso com a demora e perguntou onde elas estavam. A princesa que não achava certo mentir contou ao pai que fora no alto da montanha conhecer a mãe do rapaz que sorria para ela na janela.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
As Três Fiandeiras - irmãos Grimm

Era uma vez uma moça preguiçosa, que não queria fiar. A mãe podia falar o que quisesse, que não conseguia convencê-la a trabalhar.Finalmente a mãe ficou zangada e impaciente, a ponto de dar-lhe umas pancadas, e a moça começou a chorar em voz alta. Naquele momento , a rainha ia passando por ali, na sua carruagem, e quando ouviu o choro, mandou parar, entrou na casa e perguntou à mãe por que ela batia tanto na filha, que se ouviam os gritos lá da rua. Então a mulher ficou com vergonha de confessar a preguiça da filha e disse:
- Eu não consigo fazê-la parar de fiar, ela quer fiar o tempo todo, e eu sou pobre e não posso arranjar tanto linho.
Então a rainha respondeu:
- Não há nada de que eu goste mais do que ouvir fiar, ela quer fiar , e nada me dá mais prazer que o ronronar das rodas da roca. Deixe-me levar a sua filha comigo para o castelo , eu tenho linho à vontade e ela poderá fiar quanto quiser.
A mãe concordou de todo o coração , e a rainha levou a moça consigo.
Quando chegaram ao castelo, ela levou a moça para três quartos que estavam cheios do mais belo linho, de alto a baixo.
Agora fia-me este linho, disse ela, - e quando terminares, terás o meu filho mais velho por esposo. Mesmo que sejas pobre, eu não me importo: a tua valente diligência é dote suficiente.
A moça assustou-se por dentro, pois não poderia fiar aquele linho, ainda que vivesse até trezentos anos e ficasse todos os dias fiando desde a manhã até a noite. E quando ficou sozinha, ela começou a chorar e ficou assim três dias, sem mover um dedo.
No terceiro dia, chegou a rainha, e quando viu que nada tinha sido fiado, admirou-se muito. Mas a moça desculpou-se, dizendo que não conseguira começar a trabalhar, por causa da grande tristeza que a separação da mãe lhe causara. A rainha aceitou a desculpa, mas disse ao sair:
- Amanhã tens que começar a trabalhar!
Quando a moça tornou a ficar sozinha, não sabia o que fazer e, na sua afliçao, foi para a janela. Aí ela viu três mulheres chegando. Uma tinha um pé largo e chato, a segunda tinha um beiço tão grande que lhe caía por cima do queixo, e a terceira tinha um polegar muito largo. Elas pararam embaixo da janela, olharam para cima e perguntaram à moça o que ela tinha. Ela queixou-se da sua infelicidade. Então elas lhe ofereceram a sua ajuda e disseram:
- Se nos convidares para o teu casamento, nos chamar de primas, sem ter vergonha de nós, e nos puseres à tua própria mesa, nós te fiaremos todo o linho, e num tempo bem curto.
- De todo o coração, - respondeu a moça, - entrem e comecem a trabalhar logo!
E ela deixou entrar as três estranhas, arranjou-lhes lugar para se sentarem e elas começaram a fiar. A primeira puxava o fio e pisava o pedal da roca, a outra molhava o fio, e a terceira torcia-o e batia com o dedo na mesa, e cada vez que ela batia, caía ao chão uma meada de linha da mais fina fiação.
A moça escondeu as três fiandeiras da rainha, e sempre que ela vinha, mostrava-lhe a grande quantidade de linha fiada, e colhia muitos elogios.
Quando o primeiro quarto foi esvaziado, começou o trabalho no segundo, e logo mais no terceiro, até que este também ficou arrumado. Então as três mulheres despediram-se da moça e disseram:
- Não te esqueças do que nos prometeste , isso será a tua felicidade!
Quando a moça mostrou à rainha os três quartos vazios e o grande monte de linha, a rainha preparou tudo para o casamento, e o noivo ficou muito contente, porque ganhava uma esposa tão jeitosa e diligente, e cobriu-a de elogios.
- Eu tenho três primas, - disse a moça, - e como elas me fizeram muita coisa boa, não quero esquecê-las na minha felicidade, permita-me pois, que eu as convide para o casamento e as faça sentarem à minha mesa.
A rainha e o noivo disseram: - Por que não permitiríamos isso?
Quando a festa começou, entraram as três mulheres em trajes estranhos , e a noiva disse: - sejam bem-vindas, queridas primas !
- Ah, disse o noivo, - onde arranjaste essas parentes tão feias?
E ele foi até aquela do pé largo e chato e perguntou:
- Do que lhe vem este pé tão largo?
- De pisar o pedal, - respondeu ela, - de tanto pisar!
O noivo dirigiu-se à segunda e perguntou: - Do que lhe vem esse beiço caído?
- De lamber, - respondeu ela, - de tanto lamber!
Para a terceira ele perguntou:
_ E de onde vem este polegar achatado?
- De torcer o fio, - respondeu ela, - de tanto torcer!
Então o príncipe ficou assustado e disse: - de agora em diante minha bela noiva nunca maios tocará uma roca de fiar!
E com isso a jovem ficou livre da odiosa fiação de linho!!!!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A Lenda do Graal - um pequeno resumo

A Lenda, nos seus traços principais, pode ser resumida assim:
Um recipiente misterioso, que contém a vida e o alimento, é guardado por um rei, que está muito doente e vive num Castelo Imaginário e de difícil acesso.
O país onde se encontra o Castelo, está deserto e o rei será curado, se algum Cavaleiro especial achar o seu Castelo e, de acordo com o que os seus olhos perceberem, ele fizer uma pergunta, o rei ficará curado e ele se tornará rei, e guardião do Graal. Se ele não tiver curiosidade e não fizer a pergunta, tudo ficará como antes. Este Cavaleiro terá que continuar a busca do Castelo onde está o Graal, para se tornar um herói.
A principal motivação da Lenda, é, como nos Contos de Fadas, a “Busca” de alguma preciosidade a ser obtida pelo herói ou também a libertação de alguém enfeitiçado.
O Graal porém, pode ser também, a Lenda Cristã, onde ele seria o recipiente onde José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo ao descê-lo da cruz.
A partir do século XII e início do século XIII, surgem diferentes versões , em várias línguas, sobre a Lenda do Graal.
Na época do Renascimento, esta lenda ficou esquecida, como também os Contos, só reaparecendo na metade do século XVIII.
Nos séculos XIX e XX, os trabalhos literários sobre a Lenda do Graal já têm cunho científico, além de histórico-crítico. No século XIX, houve uma reformulação artística, surgindo o Parcifal de Wagner (uma grande obra com caráter psicológico).
Todas as correntes da Arte, Ciência, Movimentos Espiritualistas (antroposofia), ainda hoje se ocupam da Lenda do Graal.
Sabemos que o Castelo do Graal não pode ser localizado, mas até hoje, também não se pôde localizar a origem desta Lenda. São conhecidas algumas hipóteses, entre elas:
1. Ser atribuída a lendas e mitos pré-cristãos da Europa-Ocidental, especialmente os Celtas.
2. A fontes cristãs Orientais ou cultos Persas ou Pré-cristãos (inclusive o sucesso de Gêngis Khan, podem ter sido transmissores da lenda)
3. Além de uma hipótese que vislumbra a origem ao Culto Cristão, sobretudo na Missa Bizantina.
Nesta mesma época são conhecidas outras lendas, como: Lancelot; Tristão; Yvain, e outras.
É indiscutível que as raízes da Lenda do Graal estão, pelo menos em parte, no Oriente, isso revela-se nos textos.
Quanto à influência Celta, na maioria dos textos, o Castelo do Graal deve ser procurado na Bretanha, na Távola Redonda do Rei Artur e seus Cavaleiros, entre eles Percival. (em cada região ele tem um nome: Perseval ou Perletur (França); Perletur (Inglaterra); Parcifal (para Wagner)
A Lenda do Graal, faz parte dos Contos Bretões ou Romance da Távola Redonda, conjunto de histórias em torno da lendária figura do Rei Artur da Bretanha e seus Cavaleiros. (filmes: Excalibur e Lancelot )
Esses Contos serviram como uma espécie de ensinamento da maneira de Ser e Viver.
Os Contos eram levados às Cortes da França e da Inglaterra, por Contadores e Narradores. Geralmente eram Lendas vivas ou Contos de sua terra , sendo a maioria Céltica.
Os Contos Bretões, contém também, um elemento que é especialmente familiar à mulher e a ela corresponde: - O Irracional... O Mundo da Fantasia.
A predominância e uma tendência à irracionalidade, caracterizam tanto a mentalidade feminina, como a mentalidade dos Celtas, que eram puros, e isso será testemunhado nas suas lendas, contos e mitos.
Um dos traços do mundo das idéias célticas, é a crença na existência da um “País do Além”, habitado pelos imortais.
A Lenda do Graal é, em seus fundamentos, de natureza análoga, mas distingue-se de um Conto de Fadas, pelo fato de ser, pelo menos na forma tradicional que conhecemos, não anônima, porém criada por determinados poetas. Por isso, ela contém, por um lado, os traços arquetípicos da época e do seu espírito, em vista de que nos proporciona informações sobre a mentalidade específica da Idade Média.
*** Para alguns estudiosos e pesquisadores, a Lenda deve ter surgido no século VIII, mas não há provas concretas.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A Princesa Marya e Blênio (resgate de um príncipe) Conto da Sibéria

- Quem é seu filho?, perguntou o czar.
- Majestade, respondeu o velho, “meu filho é um blênio”.
Mas esse é um peixe que vive no fundo do rio!, o czar exclamou. O que você está dizendo é ridículo!
Sim, de fato, persistiu o velho. Durante muitos anos minha mulher e eu sofremos porque não tínhamos filhos. Então, certo dia, enquanto eu pescava, encontrei Blênio na ribanceira do rio. O peixe pediu-me que lhe poupasse a vida e prometeu que seria um filho para mim e minha esposa, e então o levei para casa. Agora, como ele cresceu, pediu-me que lhe arranjasse o casamneto com sua filha.
Por que eu deixaria que a princesa se casasse com ele?, perguntou o czar.
Naquele momento, detrás de uma cortina, a filha se manifestou.
- Pai, por que você não dá uma tarefa ao Blênio? Se ele obtiver êxito, casar-me-ei com ele, mas se ele fracassar, será morto. É assim que os russos fazem, disse ela.
O czar pensou por um instante. Bom, meu velho, o seu filho pode se casar com minha filha se ele construir um novo palácio para ela, melhor que o meu. E deve fazer isso atá amanhã de manhã, do contrário cortar-lhe-ei a cabeça e a sua também, para que sirva de lição!
O velho quase morreu de terror, mas ao voltar para casa e contar ao filho qual era a exigência do czar, Blênio disse: Não tema pai. Vá dormir, e “amanhã veremos o que tivermos de ver”.. Naquela noite, Blênio deslizou até a porta da casa, saltou o muro, e transformou-se num lindo rapaz. Ergueu um bastão de ferro e fincou sua ponta no chão. Instantaneamente, surgiram trinta homens armados que lhe perguntaram: Qual é o seu desejo?
Construam-me um palácio vizinho ao do czar, ainda mais belo que o dele.
Os homens responderam que fariam o serviço e ele voltou para casa como peixe. Na manhã seguinte, ele acordou o pai e disse: Pegue um machado, vá ao palácio do czar, depois volte e diga-me o que viu.
O velho fez o que o filho pediu e não conseguiu acreditar no que seus olhos viam. O palácio era mais lindo do que o do czar e o velho pegou o machado e atingiu suas paredes, mas nem uma só lasca saiu das paredes. Voltou para casa e disse o que vira ao filho.
Agora, disse o filho,vá até o czar e peça a mão de sua filha, novamente.
Nesse ínterim, o czar tinha visto o novo palácio e ficou intrigado. Pensou: - “O filho deste velho não é um homem comum!” Entretanto, odiava a idéia de sua filha casar-se com um peixe. Quando o velho chegou, o czar disse: - Tenho outra tarefa para seu filho. Ele deve construir uma igreja , tão linda como a catedral. E tem que construir três pontes : uma que vá da velha catedral até a nova, outra da nova igreja até o palácio e a terceira da minha casa até o palácio dele. Se ele não construir até amanhã vocês morrerão.
O velho tremeu e pensou: - Eu devia ter matado Blênio no rio! Mas quando contou ao filho a nova tarefa ele sorriu e disse: - Não tema pai. Vá dormir e “amanhã veremos o que tivermos de ver.”
Naquela noite, depois do velho ir dormir, ele novamente saiu de casa e virou um rapaz e quando seus homens apareceram ele mandou que construissem a catedral e as três pontes. Ele voltou para casa e foi dormir.
No dia seguinte ele acordou o pai e disse novamente para ele pegar o machado e ir até o palácio do czar. O velho foi, e quando chegou perto viu a linda catedral que fora erguida e as três pontes. O velho tentou atingir a Igreja com o machado, mas nem uma só lasca saiu. Voltou para casa contando tudo para o filho.
Meu pai, vá até o palácio e veja o que o czar dirá desta vez. Quando chegou, o velho viu o czar admirando assombrado a catedral e as três pontes. Mas ele disse ao velho que tinha uma última tarefa para seu filho. Diga a ele que quero que me traga um trenó e três cavalos melhores do que todos os que possuo.Se ele conseguir casar-se-a com a princesa, mas se fracassar terão as cabeças cortadas. Mas quando o velho voltou para casa e contou ao filho este sorriu e mandou o pai dormir. “Amanhã veremos o que tivermos de ver.”
Mais tarde, saiu de casa e ordenou aos seus homens que achassem um trenó com três cavalos mais maravilhosos do que os do czar.
No dia seguinte, ele novamente acordou o pai e mandou que ele fosse até o palácio e depois voltasse para contar o que vira.O velho quando chegou perto, viu assombrado o trenó com os três lindos cavalos. Ele voltou para casa e contou ao filho, que mandou que ele voltasse e pedisse a mão da princesa. O czar que já tinha visto o trenó, declarou que como seu filho cumpriu as tarefas, eu manterei minha promessa. Traga-o até aqui e a princesa se casará com ele, hoje mesmo, não importando o que o povo diga.
O velho correu para casa e contou as novidades ao filho, e este lhe disse: - Coloque-me num saco e leve-me até o palácio para a festa de casamento. Todos riam porque a princesa ia se casar com um peixe. O velho chegou ao palácio e colocou Blênio numa banqueta, aí começou a comemoração das bodas. Por fim, foram todos para a Igreja onde os dois se casaram. Depois das festas o casal recolheu-se à sua nova casa.
Eles viveram juntos por três anos, mas toda noite Blênio transformava-se num rapaz. A cada manhã ele voltava a ser peixe, só a princesa sabia da verdade.
Certa manhã a princesa acordou mais cedo e sentiu-se sozinha e triste, pois todos riam dela por ter se casado com um peixe. Ela teve uma idéia. Resolveu queimar a pele de peixe do marido antes que ele acordasse, assim ele ficaria homem para sempre. Ela queimou o traje e quando entrou no quarto, seu marido havia sumido. Naquele mesmo instante, um pequeno pássaro entrou voando pela janela.
Que pena, princesa Marya, disse a ave. Se você tivesse esperado mais três dias, seu marido teria ficado livre de um feitiço. Teria ficado humano para sempre, mas agora você o perdeu. Falou e saiu voando pela janela.
Ela ficou desesperada pensando porque tinha feito aquilo. Durante uma semana ela sofreu, mas depois levantou-se e jurou que iria em busca do marido e o salvaria. Naquele mesmo dia saiu do palácio, partindo sem saber para onde. Sua única pista era a avezinha. Quando chegou nos limites da cidade ela encontrou uma velha debruçada numa janela de uma pequena cabana.
- Por que esse ar tão triste, princesa Marya?, perguntou a velha.
- Estou procurando por meu marido. Queimei a pele dele e o perdi para um feitiço.
Você jamais irá encontrá-lo viajando do modo como está. Volte para casa e peça ao ferreiro que lhe prepare três pares de botas de ferro, três chapéus de ferro e três pães de ferro. Então volte aqui e eu lhe direi onde ir em busca do seu marido.
A princesa agradeceu pelos conselhos da velha e voltou para casa. Pediu aos ferreiros que fizessem tudo que a velha mandara. Depois ela foi encontrar-se com a velha. Hoje está muito tarde para você seguir viagem, disse a velha. Jante comigo e descanse. Amanhã poderá partir. No dia seguinte, ao amanhecer, a velha ofereceu-lhe alguns conselhos.
Depois de sair daqui, procure um grande buraco na terra , disse a velha. Quando chegar ao abismo, coloque um dos pares de botas, um dos chapéus e coma um pão. Então desça. Você encontrará lá muitas pessoas gritando, cantando e chorando, e elas lhe pedirão que fique com elas, entretanto você deve seguir em frente sem demora. Se parar, jamais sairá desta caverna. Quando tiver gasto os três pares de botas, os três chapéus e comido os três pães de ferro, chegará ao fim da passagem. Do outro lado vive minha irmã, e ela lhe dirá o que fazer a seguir.
A princesa ficou hororizada por tudo que teria que passar, mas agradeceu e partiu. Depois de muito andar, seu caminho terminou repentinamente na beira de um abismo. Ela espiou lá embaixo e não viu o fim. Destemida ela colocou o par de botas, o chapéu e comeu um pão de ferro. Depois começou a descer no vazio. Desceu, desceu, desceu, até que chegou num túnel sombrio. Lá ouviu pessoas que gritavam, cantavam e choravam, as quais lhe pediam que ficasse com elas. Mas ela os ignorou e foi em frente. A cada passo ela sangrava , pois o chão tinha lâminas de ferro e penduradas no teto também havia lanças de ferro, e sua cabeça as tocava e fios de sangue corriam em seu rosto.
Conforme ela afundava, mais e mais na escuridão, mais estridentes eram os gritos à sua volta. Ela lutou muito e, quando comeu seu derradeiro pão, usou o último par de botas e o último chapéu, viu um lampejo de luz ao longe. Chegou no final da caverna e arrastou-se até a luz do sol e despencou numa encosta gramada. Por uma semana ficou imóvel, fraca demais para se movimentar.Levantou-se ainda enfraquecida e andou aos tropeções, chegando numa casa que bateu na porta. Baba Yaga, a grande bruxa apareceu para recebê-la.
- Princesa Marya! Aonde vai nesse estado? Minha irmã deve tê-la mandado aqui!
Marya contou o que acontecera com seu marido por sua culpa, mas que por amá-lo muito estava a sua procura.
Baba Yaga suspirou, e disse: Já se passaram dez anos desde que seu marido passou por minha casa. Agora ele é humano, mas nesse intervalo, casou-se com a filha do Rei de Fogo e agora vive com ela em seu palácio. Eu lhe direi como encontrá-lo e conquistá-lo de novo, mas antes descanse e coma.
Por uma semana a princesa ficou com BabaYaga, recuperando as forças. Então a bruxa lhe disse: Chegou a hora de você ir ver seu marido.Eis o que você deve fazer. No jardim em torno do palácio em que ele vive, há uma pequena encosta. Sente-se no chão gramado desse morro e penteie-se com este pente de ouro. A filha do rei sairá do palácio ao vê-la e pedirá para comprar o pente de ouro. Ela estará acompanhada de duas mulheres, e elas têm exatamente a mesma aparência. Por isso, você deve cuidar para escolher a mulher certa, que será a do meio. Diga-lhe que você troca o pente por uma noite a sós com Blênio, mas não lhe dê o pente antes de estar com seu marido.
A princesa Marya agradeceu a BabaYaga pela sua ajuda e saiu da casa dela.
Chegou a um grande palácio, parou à entrada do jardim e sentou-se na encosta gramada. Começou a pentear os cabelos e logo as três mulheres acercaram-se dela. A do meio exclamou: - Nunca vi pente tão lindo. Você o venderia para mim? Posso pagar do jeito que você quiser.
Não o vendo por dinheiro, mas posso trocá-lo por outra coisa.
O que você deseja? , perguntou a outra . Ela disse: Apenas passar uma noite sozinha com seu marido.
Ora , isso não é nada, disse a filha do rei. Você pode fazê-lo hoje mesmo. Agora dê-me o pente.
Não disse Marya, ele será seu somente quando eu pisar dentro do quarto do seu marido.
Muito bem, disse a outra. Vamos, venha comigo. Chegando à porta do palácio ela entrou, e deixou Marya esperando, mas logo depois reapareceu. Você pode vir comigo agora e guiou a moça para o quarto. Pegou o pente de ouro das mãos de Marya e deixou-a sozinha com Blênio. Marya correu até o marido e chamou-o pelo nome, mas ele estava dormindo e não se moveu. Ela chorou e contou-lhe, mesmo assim, da longa viagem que vinha fazendo para encontrá-lo, mas nem assim ele se mexeu.Quando amanheceu a mulher expulsou a moça do quarto.
Marya voltou até BabaYaga, com o coração partido e desencorajada, e por uma semana ela chorou. Então, BabaYaga deu-lhe um lindo anel de ouro. Use esse anel e vá novamente ao palácio e sente-se no jardim. As três mulheres virão novamente até você e a do meio vai querer comprar o anel. Faça igual da outra vez, mas só entregue o anel quando estiver dentro do quarto. Assim ela fez e a mulher levou-a até seu marido. Ela novamente chamou-o pelo nome, mas ele dormia e não se mexeu. Mais uma vez a mulher colocou-a para fora do quarto e do palácio.
Ela voltou até BabaYaga dizendo que fracassara mais uma vez. A bruxa disse que a outra dera uma poção para que ele dormisse porque era esperta. Mas a bruxa não deixou que ela desistisse e tirou do armário um lenço muito bonito. Disse que essa seria a última chance dela recuperar o marido. Use este lenço e faça tudo como das outras vezes, mas se você não conseguir acordá-lo nada mais posso fazer por você. Esta é a última vez que a ajudo.
Marya agradeceu e seguiu seu rumo. Como antes , tudo aconteceu igual, mas Marya disse que só daria o lenço quando estivesse do lado do rapaz. Mais uma vez ele dormia e ela não conseguia acordá-lo. Quando amanheceu ela estava desesperada e chorou muito, mas naquele momento que a outra já a expulsava do quarto, uma lágrima dela caiu no rosto de Blênio que acordou sobressaltado.
A mulher gritava para que Marya saísse do quarto, mas quando ele a viu em pé ao seu lado logo a reconheceu e disse:” finalmente você chegou!”
A mulher gritava para tirar Marya do quarto, mas ele disse que a deixasse ficar. Ela é Marya minha primeira e verdadeira esposa. Ele abraçou-a e ela lhe contou por tudo que passara desde que ele desaparecera.
Blênio reuniu todos os anciãos do reino, ofereceu um festa e perguntou-lhes: Qual destas mulheres é minha verdadeira esposa? A que arriscou a vida para me encontrar, usando botas, chapéus e comendo pães de ferro, ou a que me trocou por um pente, um anel e um lenço? Os anciãos responderam que sua verdadeira esposa era Marya, e é com ela que você deve viver.
Blênio concordou e voltando-se para Marya chamou-a para voltarem para casa. Ele pegou uma pequena caixa enferrujada e disse: Marya feche os olhos. Assim ela o fez, e no mesmo instante sentiu um vento soprando em seu rosto, ele aí sussurrou: Agora pode abrir os olhos. Quando ela olhou em volta, ficou atônita. Eles estavam num campo ao ar livre, e diante deles uma cidade fervilhava.
-Você reconhece esse lugar? ,disse ele.
- Sim, penso que sim.
- É o reino do seu pai disse ele, enquanto abria de novo a caixa.
Marya desfaleceu e acordou no palácio que fora construído por Blênio para conquistá-la. Ao seu lado estava seu marido dormindo. Alguns instantes depois ele acordou e disse: Você me deu três tarefas antes de casarmos, essa é a razão de você ter sofrido tanto. Porém, agora estamos juntos mais uma vez. Enquanto os dois se abraçavam, os pais de Blênio entraram, seguidos pelos pais de Marya. Todos comemoraram juntos o reencontro dos dois, com uma grande festa
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O Rei Sapo ( irmãos Grimm)
Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço.
Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita.
Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:
- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?
Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora d´água.
- Ah, és tu, velho sapo? – disse ela. – Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.
- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?
O que tu quiseres, querido sapo – disse ela, - meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.
O sapo respondeu;
- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, “que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?”
O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa.
A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.
O sapo gritou – leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!
Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo.
No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:
- Filha do rei, a mais nova abre para mim!
Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.
O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:
- Minha filha, de que tens medo? Há algum gigante na porta querendo te levar?
- Oh, não, mas é um sapo nojento.
- E o que este sapo quer de ti?
- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora d´água. Agora está lá fora querendo entrar aqui.
Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:
“Princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
lembras o que ontem
prometeste a mim,
lá junto do poço?
prometeste, sim!
princesa, a mais nova
abre a porta para mim!”
Então o rei disse:
- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!
Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:
- Leva-me para junto de ti!
Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.
Quando o sapo já estava à mesa ele disse:
- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!
A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!
Finalmente ele disse:
- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.
A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?
Mas o rei zangou-se e ordenou:
- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:
- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. – Agora me deixará em paz, sapo nojento!
Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.
Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse.
Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar.
A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera.
Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O gigante que não tinha coração ( Grimm)

Os seis filhos partiram, cada um com seu cavalo e um pouco de comida. Foram em direção da floresta e começaram a procura das esposas. Andaram muitos dias e nada, a fome já estava ficando enorme, pois a comida acabara. De repente, viram ao longe uma luz acesa e se dirigiram para lá. Era um lindo castelo e eles bateram na porta e foram atendidos por um criado. Perguntaram se o rei estava e ele disse que sim. Pediu que entrassem e chamou o rei para falar com eles, pois achou-os muito sujos e esquisitos. Quando o rei chegou, eles contaram porque estavam tão sujos e a verdade sobre a busca de esposas. O rei mandou que tomassem banho, deu-lhes roupas limpas e convidou-os para jantar. Assim fizeram e, qual não foi a surpresa de todos, quando entraram no salão e viram, em volta da mesa, seis lindas jovens. Ficaram muito felizes e pediram ao rei se podiam desposar suas filhas. Ele concordou e, cada um, escolheu a sua preferida. Viveram um tempo no castelo até o casamento, mas depois pediram ao rei para irem ver o pai que os esperava para escolher o sucessor. Assim, despediram-se do rei e foram embora cada um no seu cavalo com a esposa atrás. Nem se lembraram do irmão mais novo. Andaram bastante, até um deles resolver cortar caminho por um atalho e todos concordaram, para encurtar a viagem. Porém, neste caminho morava um Gigante, o gigante sem coração, em uma gruta.Quando eles passaram por ela o gigante fez com que eles virassem estátuas de pedras com seus cavalos e esposas.
O rei, pai deles, estava cada dia mais doente e eles não davam notícia. O filho mais novo(parvo ou simplório), com pena do pai, resolveu que iria procurar os irmãos. O pai pediu que ele não fosse porque só havia uma égua velha no castelo e ele não chegaria a lugar nenhum. Mas ele estava disposto e montou na égua somente com um pedaço de pão para a viagem. Despediu-se do pai prometendo trazer os irmãos de volta ao castelo.
Lá se foi o rapaz andando pela floresta, andou muito até que resolveu sentar-se embaixo de uma árvore e comer um naco do seu pão. Quando comia ouviu uma voz que pedia se ele daria um pedaço para ele. Olhou e viu um Corvo no galho, tirou um naco do pão e deu ao corvo. Este agradeceu e disse-lhe que quando precisasse dele, era só chamar que ele o ajudaria. Ele agracedeu e seguiu viagem. Andou mais e mais e, novamente resolveu descansar, só que estava perto de um riacho e sentou-se na relva, mas logo escutou um gemido e, quando olhou era um Salmão que estava fora d’água se debatendo. Ele pegou-o e colocou dentro do riacho. O salmão disse-lhe que se precisasse dele era só chamar, e mergulhou. Ele continuou sua viagem, mas a égua já não se aguentava mais de pé, ele quase a levava nas costas, mas perto de uma estrada ele avistou um Lobo. Teve medo, mas logo o lobo disse que era amigo e só precisava comer pois a fome era muita. Pediu a ele que lhe desse a égua para comer e ele lhe ajudaria no que precisasse. O rapaz ficou sem saber o que fazer, mas realmente a égua estava mais morta do que viva e ele contou ao lobo porque estava viajando e, esse, na mesma hora, disse saber onde estavam seus irmãos. Sendo assim, ele concordou que o lobo comesse a égua. Após seu banquete, o lobo se fortaleceu e mandou que o rapaz montasse no seu lombo. Assim que ele montou, o lobo saiu em disparada e, rapidamente, chegou a gruta onde estavam os irmãos estátuas. Ele ficou sem saber o que fazer, mas o lobo disse que entrasse na gruta porque aquela hora o Gigante estava fazendo suas maldades. O lobo ficou na porta da gruta tomando conta para avisá-lo quando o gigante chegasse.
Quando o rapaz entrou na gruta teve uma surpresa, pois, sentada numa cama, estava um linda moça. Ele perguntou quem era ela e soube que estava ali pois o gigante sem coração que morava na gruta a tinha roubado de seus pais ainda criança e ela só sairia dali quando alguém encontrasse o coração do gigante e conseguisse matá-lo. O rapaz ficou em pânico, mas ela teve a idéia dele se esconder embaixo da cama e, quem sabe, descobririam onde estava o coração do gigante. Assim fizeram. Quando o Gigante chegou, sentiu cheiro de carne humana e teve um ataque, pois queria comer quem estivesse ali, mas a moça disse que eram ossos que os corvos tinham deixado cair. Ele jantou e foi deitar-se. A moça começou a conversar com ele e perguntar onde estava seu coração. Ele riu muito e disse que estava logo ali na soleira da porta, enterrado. Pela manhã, quando o Gigante saiu, eles foram cavucar a terra da soleira, mas não encontraram nada de coração. Para o gigante não perceber, encheram de flores a soleira da porta. Quando ele chegou ficou irritado, pois não gostava das flores. A moça disse que era para alegrar a casa, mas ele churtou as flores para fora da gruta. À noite foi tudo igual e o gigante disse que mentira e o coração estava dentro do armário do quarto. Pela manhã, eles começaram a busca no armário, mas nada encontraram. Ficaram decepcionados, mas pegaram mais flores e enfeitaram o armário com guirlandas.Mais uma vez o Gigante se enfureceu.Mas não desistiram. Naquela noite a moça foi muito meiga com o gigante, e ele já irritado com a mesma pergunta todos os dias disse : “Ninguém encontrará meu coração, porque está dentro de uma Igreja que tem um Poço no meio e dentro do poço tem um Pato e dentro do pato tem um Ovo e dentro do ovo está meu Coração.” Como pode perceber é impossível alguém achá-lo. Pela manhã eles estavam tristes, mas o rapaz resolveu tentar achar a Igreja e contou tudo para o lobo, seu amigo. Este, disse para ele montar no seu lombo, que rapidamente estariam na Igreja. Assim foi feito, e logo o rapaz avistou a Igreja. Chegando perto, viram que estava fechada e a chave estava no alto e não conseguiam pegar. Na mesma hora ele lembrou-se do Corvo da estrada e para sua surpresa este apareceu e pegou a chave na parede e deu-lhe para que abrisse a Igreja. Lá dentro ele viu logo o Poço e chegou perto, mas era muito fundo e o Pato nadava lá embaixo. Tentou puxá-lo com dificuldade, mas quando segurou o pato o Ovo caiu no fundo do Poço. Ele ficou desesperado, mas para sua surpresa viu que o Salmão estava dentro do Poço e pegara o Ovo para ele. Ficou radiante com o Ovo nas mãos, mas o lobo lhe disse que, primeiro ele teria que mandar o gigante retirar o feitiço dos seus irmãos e depois ele o mataria. Ele apertou o coração e o gigante gritou. O lobo foi até ele e contou que o rapaz estava com seu coração nas mãos e que ele teria que desfazer as estátuas e mandá-los embora. Quando o lobo voltou, o rapaz apertou com força o Ovo e o Gigante morreu. Eles voltaram até a Gruta, para ver se a moça ainda estava lá e, para felicidade do rapaz, ela estava ainda sentada na cama.Seus irmãos já tinham partido. Ele pediu que ela fosse com ele para conhecer seu pai e ela aceitou. Os irmãos, já tinham chegado ao Castelo e contaram muitas mentiras ao pai, inclusive que, realmente não encontraram o irmão e não tinham trazido esposa para ele por só encontrarem as seis. O pai ficou muito triste pois amava o seu caçula. Porém, no dia seguinte, para surpresa de todos, o rapaz chegou com a linda moça, montados no Lobo. O pai não entendeu nada e então, ele contou toda a história que havia vivido e que fora ele que salvara os irmãos e as esposas deles. O pai ficou radiante, mesmo estando doente, quis festejar o acontecimento e disse que ele seria o seu sucessor e a moça a rainha. Quem ficou mais feliz foi o Lobo que passou a viver com eles no castelo, mas os irmãos ficaram tristes, porque dali em diante tiveram que ser somente empregados do castelo junto das esposas.


