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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sobre Fadas




Entre as mais importantes descobertas feitas, está a do grande papel desempenhado pelo mundo Celta (no qual nasceram as Fadas), no processo de fusão que se deu, através dos séculos, entre Espírito Mágico dos povos primitivos e o Espírito Racionalista  que ordenou o mundo civilizado.
Os Celtas veneravam todas as sagradas manifestações da natureza e consideravam os rios e fontes lugares sagrados. A água  era reverenciada como a grande guardadora da vida. Foi na água que a Figura da Fada surgiu entre os Celtas.
Não há como determinar o exato momento temporal em que as Fadas teriam nascido.
As primeiras referências às Fadas, como personagens ou figuras reais, aparecem na literatura cortesã cavaleiresca de raízes Celtas surgida na Idade Média.
Sua primeira menção documentada em textos novelescos foi em língua latina:
FATA (oráculo/ predição) derivada de Fatum (destino/fatalidade).
Nas línguas modernas temos:
Fada (português)
Fata  (italiano)
Fée   (francês)
Fairy (inglês)
Feen (alemão)
Hada (espanhol)

As Fadas ou damas com poderes mágicos aparecem no mundo da literatura nas novelas de cavalaria. Tornam-se conhecidas como Seres Fantásticos ou Imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob a forma de mulher.
Eram dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais , interferem na vida dos homens para auxiliá-los em situações limite.
Podem ainda encarnar o Mal e apresentam-se como o avesso da imagem natural, como BRUXAS.
Vulgarmente se diz  que Fada e Bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher ou da condição feminina.
O nome Fada, vem do latim Fatum : o destino. Por essa vertente , elas descendem em linha direta das Parcas, que tecem nossa vida e interrompem sem aviso.
Elas foram as únicas divindades que sobreviveram ao Paganismo e se misturaram sem dificuldade às crenças cristãs.
Existem as Antifadas que vivem no conto eslavo, como BABA-YAGA, velha feia e corcunda , que geralmente se multiplica em três figuras exatamente iguais e mora numa cabana na floresta , que gira para todos os lados  e se ergue sobre quatro pés de galinhas.
A Fada, portanto ocupa um lugar privilegiado na aventura humana. O ser humano sempre precisou de Mediadores Mágicos para a realização de seus sonhos e ideais (fadas/ talismãs/ varinhas mágicas)
Mas há também os Opositores (gigantes/ bruxas/ feiticeiros) que atrapalham ou impedem esses sonhos.
Para alguns autores as Fadas são criaturas que pertencem aos quatro reinos elementais: Ar/ Terra/ Água / Fogo.
As Fadas do Ar dividem-se em Sílfides ou Fadas da Nuvens, que são criaturas altamente desenvolvidas , que vivem nas nuvens e que evoluiram da terra, da água e do fogo, sendo Fadas de inteligência elevada.
As Fadas do Vento e das Tempestades são espíritos dotados de poderosa energia, giram por cima das florestas.
As Fada do Fogo ou Salamandras habitam a região do subsolo vulcânico.

Fadas são realmente um capítulo especial para aqueles que se dedicam aos Contos de Fadas , por isso, devem ser sempre lembradas.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Chapeuzinho Vermelho





Chapeuzinho Vermelho  ou Capuchinho Vermelho é um conto de fadas clássico, de origem europeia do século 14. O nome do conto vem da protagonista, uma menina que usa um capuz vermelho. O conto sofreu inúmeras adaptações, mudanças e releituras modernas, tornando-se parte da cultura popular mundial, e uma das fábulas mais conhecidas de todos os tempos.[1]
A versão moderna mais conhecida
Uma menina conhecida como Chapeuzinho Vermelho, atravessa a floresta para entregar uma cesta de pães de mel para sua "Vovó" doente, mas a estrada se bifurca entre um caminho longo e seguro e um caminho mais curto e perigoso. A menina toma o caminho curto, aonde é vista por um lobo, geralmente chamado de Lobo Mau. Ele sugere que a menina volte e tome o caminho longo, por segurança. Chapeuzinho segue o conselho do lobo e volta atrás. Mas enquanto ela toma o caminho longo, o Lobo Mau segue pelo caminho curto, chega à casa da Vovó, e a devora completamente. Então, se veste com suas roupas e aguarda Chapeuzinho na cama da Vovó. Quando a menina chega, nota a aparência estranha de sua avó, e tem o famoso diálogo com o lobo:
—Porque esses olhos tão grandes?
 Então ela é respondida:
Ó minha querida, são para te enxergar melhor
Porque essas orelhas tão grandes?
São para te ouvir melhor.
E porque essa boca tão grande?
É para te comer!!!
Nesse momento, a "avó" (que era o lobo disfarçado), revela-se e devora Chapeuzinho, que grita assustada. Então, um caçador que passava por ali, ouve os gritos, e encontra o lobo dormindo na cama. O caçador então abre a barriga do lobo donde saem chapeuzinho e sua avó, ilesas.
A História do Conto

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Charles Perrault, o primeiro a registrar uma versão impressa de Chapeuzinho Vermelho
As origens de Chapeuzinho Vermelho podem ser rastreadas até por de vários países europeus e mais do que provavelmente anteriores ao século 17, quando o conto adquiro a forma conhecida atualmente, com a versão dos irmãos Grimm de inspiração. Chapeuzinho Vermelho era contada por camponeses na França, Itália e Alemanha, sempre com um caráter muito popular.
Charles Perrault
A versão impressa mais antiga é de Charles Perrault, Le Petit Chaperon Rouge, retirada do folclore francês foi inserida no livro Contos da Mamãe Gansa. A historia de Perrault retrata uma "moça jovem, atraente e bem educada", que ao sair de sua aldeia é engana pelo lobo, que como e velha e arma uma armadilha para a a menina que termina sendo devorada, sem final feliz. Essa versão foi escrita para a corte do rei Louis XIV,no final do século 17, destinada a um público, que o rei entretinha com festas extravagantes e prostitutas, que pretendia levar uma moral as mulheres para perceberem os avanços de maus pretendentes e sedutores. Um coloquialismo comum da época era dizer que uma menina que perdeu a virgindade tinha "visto o lobo". O autor explica a moral da historia ao fim d conto nos seguintes termos:
A partir desta história se aprende que as crianças, especialmente moças jovens, bonitas, corteses e bem-educadas, não se enganem em ouvir estranhos, E não é uma coisa inédita se o Lobo, desta forma,(arranjar) o seu jantar. Eu chamo Lobo, para todos os lobos que não são do mesmo tipo (do lobo da história), há um tipo com uma disposição receptiva - sem rosnado, sem ódio, sem raiva, mas dócil, prestativo e gentil, seguindo as empregadas jovens nas ruas, até mesmo em suas casas. Ai de quem não sabe que esses lobos gentis são de todas as criaturas como as mais perigosas!

Os Irmãos Grimm

No século 19 duas versões da história foram contadas a Jacob Grimm e seu irmão Wilhelm Grimm, a primeira por Jeanette Hassenpflug (1791-1860) e a segunda por Marie Hassenpflug (1788-1856). Os irmãos registram a primeira versão para o corpo principal da história e a segunda em uma sequência do mesmo. A história com o título de Rotkäppchen foi incluído na primeira edição de sua coleção Kinder-und Hausmärchen (contos infantis domésticos (1812)). Perrault é quase certamente a fonte do primeiro conto. No entanto, eles modificaram o final, introduzindo o caçador que abre a barriga do lobo e tira a menina e sua avó; esse final é idêntico ao que no conto O lobo e os sete cabritinhos, que parece ser a fonte. A segunda parte contou com a menina e sua avó prendem e matando um outro lobo, desta vez antecipando seus movimentos baseados em sua experiência anterior. A menina não deixou o caminho quando o lobo falou com ela, sua avó trancou a porta para mantê-lo fora, e quando o lobo se escondia, a avó manda Chapeuzinho colocar no fogo uma panela com água que salsichas tinha sido cozido. O cheiro que sai da chaminé atrai o lobo para baixo, e ele se afogou. Os irmãos mais revisaram novamente a história em edições posteriores até alcançar a versão final, acima mencionada, e publica-la na Edição de 1857 de seu trabalho.

*****há contos antigos em que a menina come a carne da avó e bebe o seu sangue, dados pelo lobo!!!!!!

terça-feira, 12 de junho de 2012

A menina vendida com as peras


A menina  vendida com as peras
(fábulas italianas e a velha sábia)

Era uma vez um homem que tinha uma pereira que produzia quatro cestos de peras por ano. Em certo ano, aconteceu que só conseguiu três cestos e meio, e era preciso levar quatro para o rei. Não sabendo como completar o quarto cesto, colocou dentro dele a menor de suas filhas e cobriu-a de peras e folhas.
Os cestos foram levados até a despensa  do rei, e a menina rolou junto com as peras  e se escondeu.
Estava ali, na despensa, e, não tendo outra coisa para comer, mordiscava as peras. Passado algum tempo, os empregados se deram conta de que a provisão de peras diminuía  e encontraram também os talos. Disseram:
- Deve haver um rato ou uma toupeira que come as peras: precisamos verficar. Mexendo com as varas de vime encontraram a menina.
Perguntaram-lhe:
- O que faz aqui? Venha conosco, poderá trabalhar na cozinha do rei.
Chamaram-na de Perinha, e Perinha era uma menina tão dedicada que em pouco tempo sabia fazer o serviço melhor que as criadas do rei e era tão graciosa que todos a adoravam. O filho de rei que tinha a mesma idade que ela, estava sempre junto e entre eles nasceu uma grande simpatia.
Na mesma medida em que a menina crescia , crescia a inveja das criadas, pois aguentaram caladas algum tempo, depois começaram a pôr veneno. Assim puseram-se a dizer que Perinha se gabava de poder tomar o tesouro das bruxas. O boato chegou aos ouvidos do rei, que chamou a menina e lhe disse:
- É verdade que você se gabou de poder tomar o tesouro das bruxas?
Perinha disse:
- Claro que não é verdade, não sei de nada.
Mas o rei insistiu:
- Sabe sim e palavra empenhada é palavra mantida e a expulsou do palácio até que voltasse com o tesouro.
Anda que anda, a noite chegou e Perinha encontrou uma macieira e não parou. Encontrou um pessegueiro e não parou. Encontrou uma pereira acomodou-se entre os ramos e adormeceu.
De manhã, no pé da árvore havia uma velhinha.
- O que está fazendo aí bela criatura, disse a velhinha.
E Perinha contou a dificuldade em que se achava.A velhinha lhe disse:
- Pegue estas três libras de banha, estas três libras de pão e estas três libras de sorgo e vá em frente.
Perinha lhe agradeceu muito e seguiu pelo caminho.
Chegou a um lugar onde havia um forno. E havia três muheres que arrancavam os cabelos e com os cabelos varriam o forno. Perinha lhes deu as três libras de sorgo e elas começaram a varrer o forno com o sorgo e a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um lugar onde havia três mastins que latiam e pulavam em cima das pessoas . Perinha lhes jogou as três libras de pão e eles a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um rio de água vermelha feito sangue e não sabia como atravessá-lo. Mas a velha tinha lhe dito que dissesse:
            Torrentinha, linda torrentinha,
            Se não estivesse apressadinha
            Bem que beberia de canequinha.
Perante tais palavras a água se retirou e a deixou passar.
Para além daquele rio, Perinha viu um dos palácios mais bonitos e maiores dentre todos que existiam no mundo. Porém, a porta se abria e se fechava tão rápido que ninguém podia entrar. Então, Perinha untou os gonzos com as três libras de banha e a porta começou a se abrir e se fechar suavemente.
Tendo entrado no palácio, Perinha viu a arca do tesouro em cima de uma mesinha. Pegou-a e se preparou para sair, quando a pequena arca se pôs a falar.
- Porta, acabe com ela, porta acabe com ela! – dizia a pequena arca.
E a porta  respondia:
- Não, não acabo com ela , pois há muito ninguém me untava e ela me untou.
Perinha passou e, quando chegou ao rio a arca dizia:
- Rio, afogue-a, rio afogue-a!
E o rio respondia:
- Não, não a afogo, pois me chamou de torrentinha, linda torrentinha.
Passou pelo rio e quando chegou perto dos cães a arca  falou:
- Cães comam-na, comam-na!
E os cães:
- Não, não a comemos, pois nos deu três libras de pão.
Ela passou pelos cães e a arca dizia:
Forno, queime-a, queime-a!
- Não, não a queimamos, pois nos deu três libras de sorgo e assim economizamos  nossos cabelos.
Logo que chegou perto de casa, Perinha, curiosa como toda menina, quis ver o que havia na pequena arca. Abriu-a e pulou fora uma galinha com pintinhos de ouro. Corriam tão rápido que era impossível pegá-los.
Perinha se pôs a correr atrás deles. Passou pela macieira e não os encontrou, passou pelo pessegueiro e não os encontrou, passou pela pereira e lá estava a velhinha com uma vareta na mão cuidando da galinha com os pintinhos de ouro.
- Xô, xô, fez a velhota e a galinha com os pintinhas de ouro voltaram para dentro da arca.
Ao voltar para casa, Perinha foi acolhida pelo filho do rei.
- Quando meu pai perguntar o que quer de prêmio, indique aquele caixote cheio de carvão que está na adega.
Na entrada do palácio real, estavam as criadas, o rei e todos os cortesãos, e Perinha entregou ao rei a galinha com os pintinhos de ouro.
- Peça o que quiser, disse o rei, que lhe darei.
Perinha respondeu:
- Quero o caixote de carvão que está na adega.
Deram-lhe o caixote de carvão, ela o abriu e de dentro pulou o filho do rei que estava escondido lá dentro. Então o rei ficou muito contente e  deixou que Perinha casasse com seu filho!!!!!!

domingo, 10 de junho de 2012

As Três Casinhas! (Ítalo Calvino)




Ao morrer, uma pobre mulher chamou suas três filhas, e disse:- minhas filhas dentro de pouco tempo estarei morta e vocês vão ficar sozinhas no mundo.Quando eu não estiver mais aqui , façam assim: procurem seus tios e peçam que construam uma casa para cada uma. Queiram-se bem.
As três moças saíram chorando.Puseram-se a caminho e encontraram um tio, fabricante de esteiras. Catarina , a mais velha , disse:
- Tio, nossa mãe morreu; o senhor que é tão bom, faça uma casa de esteiras para mim.
E o tio, fabricante de esteiras, fez a casinha de esteiras para ela.
As outras duas irmãs seguiram em frente e encontraram um tio , marceneiro. Disse Júlia , a do meio: - Tio nossa mãe morreu; o senhor , que é tão bom , faça uma casa de madeira para mim.
E o tio, marceneiro , fez a casinha de madeira para ela.
Restou só a Marieta, a caçula, e seguindo o seu caminho encontrou um tio, ferreiro.
- Tio – disse-lhe- mamãe morreu; o senhor, que é tão bom, faça uma casinha de ferro para mim.
E o tio, fereiro, fez a casinha de ferro para ela.
À noite, apareceu o lobo. Foi à casinha de Catarina e bateu à porta. Catarina perguntou:
- Quem é?
- Sou um pobre pintinho, todo molhado; abra para mim por caridade.
- Vá embora;você é o lobo e quer me devorar.
O lobo deu um empurrão nas esteiras, entrou e devorou Catarina de uma só vez.
No dia seguinte, as duas irmãs foram visitar Catarina. Encontraram as esteiras arrancadas e a casinha vazia.
- Oh, coitadas de nós! – disseram. Certamente o lobo engoliu nossa irmã mais velha.
Ao anoitecer, reapareceu o lobo e foi à casa de Júlia. Bateu, e ela:
-Quem é?
- Sou um pintinho desgarrado, dê-me abrigo por piedade.
- Não você é o lobo e quer me devorar como fez com minha irmã.
O lobo deu um empurrão na casinha de madeira, escancarou a porta e Julia sumiu na sua goela.
De manhã, Marieta vai visitar Julia, não a encontra e diz com seus botões: “O lobo a devorou! Pobre de mim, fiquei sozinha neste mundo”.À noite, o lobo foi à casinha de Marieta.
-Quem é?
- Sou um pobre pintinho gelado de frio, estou lhe implorando, deixe-me entrar.
- Vá embora, pois é o lobo e, do mesmo modo como devorou minhas irmãs, quer me devorar.
O lobo dá um empurrão na porta, mas a porta era de ferro como toda a casa e o lobo quebra um ombro. Urrando de dor, corre até o ferreiro.
-Conserte o meu ombro.
- Conserto o ferro, não ossos – disse o ferreiro.
-Acontece que arrebentei os ossos com o ferro, portanto é você quem  deve me consertar. – disse o lobo.
Então o ferreiro pegou o martelo e os pregos e lhe consertou o ombro.
O lobo voltou à casa de Marieta e se pôs a falar bem perto da porta:
- Escute, Marietinha, por sua culpa quebrei um ombro, mas gosto de você assim mesmo. Se sair comigo amanhã cedo, vamos colher grãos-de-bico num campo aqui perto.
Marieta respondeu:
- Sim,sim. Venha me buscar às nove.
Mas, esperta como era, percebera que o lobo queria apenas fazê-la sair de casa para devorá-la. Por isso, no dia seguinte, levantou-se antes da aurora , foi ao campo e colheu um avental cheio de grãos-de-bico e voltou para casa. Pôs os grãos para cozinhar e jogou as cascas pela janela. Às nove, apareceu o lobo.
- Marietinha, venha comigo colher grãos-de-bico.
- Não, não vou de jeito nenhum, já colhi os grãos, olhe embaixo da janela e verá as cascas.
O lobo estava com raiva, mas disse: amanhã vamos colher tremoços, te pego às nove.
-Sim, sim disse Marieta.
Porém, ela no dia seguinte levantou cedo outra vez, foi ao campo, colheu os tremoços e levou para casa para cozinhá-los.
Quando o lobo veio buscá-la mostrou as cascas embaixo da janela.
O lobo estava muito nervoso e jurou vingança, mas falou com ela:
- espertinha, me enganou outra vez. Mas gosto muito de você e amanhã venho te buscar para conhecer um campo cheio de abóboras.
- Mas é claro que vou.
No dia seguinte correu ao campo de abóboras, mas o lobo não esperou às nove e correu também para o campo bem cedo.
Assim que Marieta viu o lobo ao longe, não sabendo para onde fugir, fez um buraco numa grande abóbora e se escondeu lá dentro. O lobo que sentia o cheiro dela, farejou as abóboras e não encontrou nada. Pensou então:Ela já deve ter voltado para casa. Vou me fartar de comer abóboras.
Marieta tremia ao sentir que o lobo se aproximava de sua abóbora imaginando que a comeria junto, mas quando ele chegou perto da abóbora que ela estava ele já não aguentava mais.
- Nossa, esta é tão grande, vou levar de presente para a Marieta, para ver se ela fica minha amiga. Pegou a abóbora com os dentes e correu até a casinha de ferro da Marieta, jogando a abóbora pela janela.
- Minha Marietinha!!!!disse ele, olha que lindo presente eu lhe trouxe.
Marieta já dentro de casa em segurança, pulou de dentro da abóbora, fechou a janela e provocou o lobo: - Obrigada, amigo lobo, eu estava escondida na abóbora que você trouxe para mim!!!!!
Ao ouvir isto, o lobo começou a bater a cabeça contra as pedras.
À noite estava fria e Marieta se aquecia junto da lareira quando ouviu um barulho na chaminé. Pensou logo: “é o lobo que vem me devorar”. Pegou um caldeirão na cozinha, bem grande e colocou no fogo da lareira para ferver. Quando o lobo desceu devagar pela chaminé e deu um salto achando que ia pegar a moça, caiu dentro do caldeirão e acabou morrendo.
Mesmo triste com a perda das irmãs, Marieta passou a viver tranquila sem o grande inimigo, o lobo.
                                       

quinta-feira, 7 de junho de 2012

As Três Línguas!





Um velho vivia na Suíça e só tinha um filho, mas o rapaz era muito burro e não conseguia aprender nada.
Então o pai lhe disse:
- Ouça meu filho. Não consigo meter nada na sua cabeça, por mais que me esforce. Você precisa se afastar daqui, vou entregá-lo aos cuidados de um famoso professor por um ano.
Ao fim de um ano o rapaz voltou para casa e o pai perguntou:
- Então, meu filho, que foi que você aprendeu?
- Pai, aprendi a língua dos cães.
- Piedade! Exclamou o pai. – Foi só isso que aprendeu?Vou mandá-lo de novo para outro professor em outra cidade.
O rapaz foi levado e morou também um ano com o novo professor.
Quando voltou o pai tornou a lhe perguntar:
- Meu filho , que foi que você aprendeu?
- Aprendi a língua dos pássaros, respondeu ele.
O pai então se enfureceu e disse:
- Ah, sua criatura inútil, você perdeu todo esse tempo precioso  e não aprendeu nada? Não tem vergonha de vir à minha presença ? Vou mandá-lo a um terceiro professor, mas se, desta vez, você não aprender nada, não serei mais seu pai.
O rapaz morou com o terceiro professor  também por um ano e quando voltou, novamente o pai pergunto-lhe o que tinha aprendido.
- Meu querido pai, este ano aprendi a língua dos sapos.
Ao ouvir isto, o pai foi tomado por uma fúria e lhe disse:
- Criatura, você não é mais meu filho. Expulsou o rapaz de casa e mandou que lhe tirassem avida.
Os homens o levaram, mas quando iam matá-lo sentiram tanta pena que não conseguiram cumprir a ordem e o deixaram partir.
Arrancaram os olhos e a língua de uma corça, para apresentarem como provas ao pai.
O rapaz saiu vagando e, finalmente chegou a um castelo, onde pediu hospedagem por uma noite.
- Muito bem, disse o senhor do Castelo. Se quiser passar a noite lá na torre velha, pode ir, mas quero prevení-lo que será por sua conta  e risco, porque está cheia de cães selvagens . Eles latem e uivam sem cessar , e a certas horas é preciso que se atire um homem para eles, que o devoram imediatamente.
A vizinhança inteira estava aflita com esta idéia, mas não havia nada que pudessem fazer . O rapaz, no entanto, não se amedrontou e respondeu:
- Deixem-me ir a esses cães e me dêem alguma coisa que eu possa atirar-lhes , eles não me farão mal.
Ele recebeu a comida para os cães selvagens e foi para a torre.
Os cães não latiram quando ele entrou, mas correram a sua volta abanando o rabo amigavelmente, comeram a comida que ele lhes trouxe e não tocaram em nenhum fio dos seus cabelos.
Na manhã seguinte, para surpresa de todos, o rapaz apareceu e disse ao senhor do castelo:
- Os cães me revelaram em sua língua por que vivem aqui e trazem problemas para a região. Eles são encantados e têm a obrigação de guardar um grande tesouro que está escondido embaixo da torre, e não descansarão até que alguém o tenha desenterrado, e me ensinaram como isso pode ser feito.
Todos os que ouviram ficaram muito contentes e o senhor do castelo disse que o adotaria como filho se ele realizasse a tarefa com sucesso. O rapaz retornou à torre e como sabia o que fazer desencumbiu-se da tarefa desenterrando uma arca cheia de ouro. A partir daquele momento não se ouviram mais os uivos dos cães selvagens. Eles desapareceram e a região ficou livre.
Passado um tempo, o rapaz cismou que queria ir a Roma. No caminho, passou por um charco em que havia muitos sapos coaxando . Ele prestou atenção e ouviu o que diziam, ficando triste e pensativo.
Chegou a Roma, no momento em que o papa acabava de falecer, e havia grande dúvida entre os cardeais  a quem nomear para suceder-lhe. Acabaram concordando que o homem para quem se manifestasse algum milagre divino seria o escolhido. O jovem entrou na igreja e, inesperadamente duas pombas brancas desceram do teto e pousaram no seus ombros.
O clero reconheceu nisso o sinal enviado pelo céu e na mesma hora perguntaram se ele queria ser papa.
Ele hesitou sem saber se merecia tal posto, mas as pombas disseram-lhe que podia aceitar e ele concordou.
Assim sendo o rapaz foi ungido e consagrado e com isso realizou-se o que ele ouvira os sapos dizerem no caminho e que tanto o perturbara.
Na sua primeira missa solene não sabia o que fazer e foram as duas pombas que , em seus ombros lhe disseram o que dizer.

****Este conto mostra que nunca devemos desdenhar dos nossos filhos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

RAPUNZEL



Era uma vez um casal, que há muito tempo desejavam em vão ter uma criança.
O casal tinha no fundo da casa uma janelinha, da qual se podia ver um formoso jardim, cheio de flores e ervas , mas era cercado por um muro alto, e ninguém se atrevia  a entrar ali, porque pertencia a uma feiticeira  que tinha muito poder  e era temida por todos.
Certo dia estava a mulher diante da janelinha , quando viu um canteiro cheio dos mais lindos  raponços , que servem para saladas. Ela sentiu o maior desejo de comer aqueles raponços . O desejo só aumentava e ela estava ficando magra e tristonha. O marido assustado perguntou :
- O que lhe falta , querida mulher?
-Ai, respondeu ela, se eu não puder comer daqueles raponços do jardim da feiticeira , eu vou morrer.
O marido, que muito a amava resolveu tentar agradar a esposa e, ao entardecer pulou  o muro do jardim da feiticeira , arrancou um punhado de raponços  e levou para a sua mulher. Ela fez logo uma salada e comeu tudo com a maior vontade, mas no dia seguinte ela queria mais. O marido que a amava foi novamente pular o muro, mas desta vez a feiticeira apareceu  à sua frente e ele levou um grande susto!
-Como te atreves , disse ela raivosa, a invadir o meu jardim para roubar os meus raponços? Vais te dar mal!!!!!!
-Ai senhora, disse ele, eu só fiz isso pela minha mulher que viu seus raponços pela janela e ficou com muito desejo de comê-los, senão morreria.
Então a feiticeira falou:
-Se o que me disseste for verdade eu deixarei você levar quantos raponços quiseres. Só que tem uma condição: terás que me dar a criança que o bom Deus vos dará!
O homem prometeu, pois a mulher não conseguia ter filhos.
Passou um tempo e a mulher ficou grávida e teve a filha e a feiticeira logo apareceu para fazer cumprir o trato que fizera com o homem. A mulher ficou desesperada, mas nada pode fazer.
A feiticeira colocou o nome na menina de Rapunzel. Era uma linda criança, mas quando ela completou 12 anos, a feiticeira trancou-a numa torre que ficava na floresta e não tinha escada e nem porta. Só lá em cima uma pequena janelinha.Quando a feiticeira queria ir lá em cima gritava:
“Rapunzel, Rapunzel,
Solta teu cabelo!”
Rapunzel tinha cabelos muito longos brilhantes como ouro. Ela os trançava e jogava as tranças para a feiticeira subir.
Alguns anos depois o filho de um rei, cavalgando pela floresta, passou pela torre e ouviu um canto que era tão lindo, que ele parou e ficou a escutar. Era Rapunzel cantando. O príncipe queria subir na torre, mas não encontrou porta. Voltou para casa triste , mas sempre passava por lá para ouvir aquele canto.Um dia estava parado perto de uma árvore, quando escutou a feiticeira a chamar a moça. Ela deixou cair as tranças e o rapaz viu a feiticeira subir.
No dia seguinte ele foi até a torre e também gritou:
“Rapunzel, Rapunzel
Solta o teu cabelo!”
Logo as tranças caíram e ele subiu.
Rapunzel se assustou muito, pois não conhecia homens, mas o príncipe começou a falar sobre o canto que escutara e tinha tocado seu coração. Rapunzel perdeu o medo e disse para ele vir vê-la sempre.
O príncipe perguntou se ela queria casar-se com ele e ela logo aceitou para livrar-se da prisão e da feiticeira. Disse:
- Irei contigo de bom grado, mas não sei se poderei descer, quando voltares , trazes sempre fios de seda e eu tecerei uma trança para que possa descer e você me levar no seu cavalo.
Combinaram que ele viria sempre ao anoitecer, porque cedo a feiticeira ia sempre.
Um dia rapunzel perguntou à feiticeira.
-Dize-me , como é isso, que me é muito mais difícil e pesado puxar-te para cima, do que o jovem filho do rei, que chega aqui num instante?
-Ó menina endiabrada, gritou a feiticeira, o que está me dizendo. Fui enganada?
Na sua raiva pegou o cabelo de Rapunzel e cortou  bem curto. Levou a moça para um lugar solitário e deserto, para que ela ficasse .
No mesmo dia que prendeu a moça ela pegou o cabelo cortado e fez uma trança prendendo no gancho da janela da torre, quando o príncipe chegou e gritou.
“Rapunzel, Rapunzel,
Solta teu cabelo!”
A feiticeira deixou cair a trança. O príncipe subiu, mas lá em cima não encontrou   a sua amada, e sim a feiticeira.
- Aha!!!! Gritou ela, veio buscar sua amada, mas ela já está presa em outro lugar  e você não mais a verá !Vou furar teus olhos!!! Ele gritou de dor e pulou da torre e os espinhos embaixo furaram mais seus olhos e ele ficou cego e vagando sem rumo pela floresta.
Andou sem rumo por muito tempo na floresta, até que um dia ouviu a voz da amada e, dirigiu-se para o lugar de onde vinha a voz  e Rapunzel quando o viu reconheceu-o  e caiu em seus braços chorando. As lágrimas dela caíram nos olhos do rapaz e ele voltou a enxergar novamente.
O príncipe muito feliz levou-a para o seu reino e foram felizes.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

CONTOS DE FADAS




        Terapia nos Contos de Fadas (Clarisse Estès)

Embora os Contos de Fadas terminem logo após a décima página, o mesmo não acontece com a nossa vida. Somos coleções com vários volumes.
Em nossa vida ainda que um episódio possa acabar mal, sempre há outro à nossa espera e depois desse, mais outro.Não devemos perder tempo odiando um insucesso, porque ele, o insucesso, é um melhor mestre  que o sucesso. Escute, aprenda, continue. Essa é a essência de todo Conto.Quando prestamos atenção a essas mensagens do passado, aprendemos que há padrões desastrosos, mas também, aprendemos a prosseguir com a energia de quem percebe as armadilhas e iscas antes de depararmos com elas ou de sermos nelas ou por elas capturados.

Nos Contos de Fadas acham-se gravadas idéias infinitamente sábias que durante séculos se recusaram a se deixar mutilar, desgastar ou matar. As idéias mais persistentes e sábias estão reunidas nas teias de prata a que chamamos Contos. Desde a descoberta do Fogo, os seres humanos se sentem atraídos pelos contos místicos. Por quê? Porque apontam para um fato importante : embora a alma em sua viagem possa tropeçar ou se perder, no fim ela  reencontrará seu coração, sua natureza divina, sua força, seu caminho para Deus em meio a floresta sombria – ainda que leve vários episódios ou “dois passos à frente e um atrás” para descobrí-los ou recuperá-los.
Quer entendamos um conto  de fadas cultural, cognitiva ou espiritualmente, resta uma certeza: eles sobreviveram à agressão e à opressão políticas, à ascenção e à queda de civilizações, aos massacres de gerações e a vastas migrações por terra e mar. Sobreviveram a argumentos, ampliações e fragmentações. Essas jóias multifacetadas têm, realmente, a dureza de um diamante, e talvez nisso resida o seu maior mistério e Milagre: os sentimentos grandes e profundos gravados nos Contos são como o rizoma de uma planta, cuja fonte de alimento permanece viva sob a superfície do solo mesmo durante o inverno, quando a planta parece não ter vida discernível à superfície. A essência perene resiste, não importa qual seja a estação: Tal é o poder do Conto.

A SABEDORIA MODERNA  DOS CONTOS ANTIGOS

Embora se pense que ler e ouvir  Contos de Fadas seja uma simples transferência do seu conteúdo para os corações e almas jovens e as dos que jamais envelhecem, o processo é muito complexo. Ouvir e lembrar os Contos têm um efeito mais semelhante ao de se ligar uma tomada interna. Uma vez ativados , os Contos evocam um subtexto mais profundo na psique, uma percepção que, através do inconsciente coletivo, chegou inata , seja antes, durante ou no momento em que nascemos. Sabemos com certeza que a essência dos Contos é claramente sentida pelo coração, pela mente,e pela alma do ouvinte. As pessoas se encantam e essa palavra é muito mal empregada nos nossos dias, ela na sua acepção original vem da palavra latina incantare, in, sobre + cantare, cantar, Seria cantar sobre... a fim de criar. Remete a palavra canto.
Quando as pessoas escutam Contos, não  estão , “ouvindo”, mas lembrando ideais inatos, porque quando o corpo ouve Contos algo ecoa em seu interior.
Por que contamos e escutamos Contos repetidamente? Eles são como pequenos geradores que nos lembram de informações essenciais sobre a vida anímica, aquela que muitas vezes esquecemos por um tempo, com as quais perdemos contato , algo que ocorre com freqüência durante a nossa vida. Um Conto convida a psique a sonhar com alguma coisa que lhe parece familiar, mas em geral tem suas origens enraizadas no passado distante. Ao mergulhar nos Contos , os ouvintes revêem seus significados, “lêem com o coração”, conselhos metafóricos sobre a vida da alma.

OS CONTOS E A IMAGINAÇÃO CRIATIVA

Pensem nos contos como lanternas mágicas que registram o “espírito do tempo” (Zeitgeist).
 Uma maneira de encarar os Contos, é contá-los apenas por puro prazer e que é, predominantemente, a razão de ser da maioria dos contadores de histórias modernos. Encontramos raízes da verdadeira comédia nas histórias mais antigas da humanidade, em que o bobo, em geral alguém de muito bom coração, mas pouco atento ao que o cerca, sai aos tropeços pelo mundo, mas muitas vezes encontra casualmente o seu caminho para o trono, a riqueza ou o prêmio oferecido. Por mais tolos que sejam os meios, por alguma razão estão certos, porque vêm direto do coração, ou da fidelidade a Deus, ou de uma grande intuição, ou de uma magnífica imaginação.
O uso de histórias para entreter tem suas raízes na palavra intertenere, que significa inter, entre + tenere, deter. Entreter significa deter alguma coisa mutuamente, unir entrelaçando. A palavra contém a idéia de reciprocidade, ou seja, que cada um mantém o outro no estado ou condição desejada, que tal condição mantém o coração, que a espontaneidade do riso renova a fé no bem. É assim que “Entreter “ pode ser entendido como uma necessidade positiva, um grande prazer terapêutico e uma presença revitalizante.

A  APLICAÇÃO DA MORAL NOS CONTOS

Desde os tempos imemoriais , alguns contos têm sido usados para fazer proselitismo de certas maneiras de ser, agir e pensar. São considerados os Contos Morais. Em geral as Fábulas de Esopo são assim entendidas. Sem dúvida, as crianças são capazes de entender as mensagens moralizantes  mais eloqüentes, como a interpretação Moral dos Contos e das Fábulas, mas muitas vezes, as interpretações são simplistas e humilhantes porque contém ameaças até ao ouvinte, em vez de convidar a alma a ver mais profundamente. Eles envergonham ao invés de ensinar. Essas histórias não são necessárias de serem ouvidas pelas crianças, mas elas sobreviveram através dos séculos.

PRECONCEITO E INTOLERÂNCIA NOS CONTOS

Em contos do mundo inteiro podemos encontrar grandes distorções históricas. Alguns arqueólogos, antropólogos, psicólogos de outras épocas , com freqüência  transmitiam e incluíam em seu trabalho preconceitos, principalmente raciais e classistas que, em alguns casos eram chocantes e grosseiros. A inclusão e a repetição de fortes preconceitos e intolerâncias nas coleções de Grimm, pareciam antigamente necessária , mas hoje não podem ser tolerados por razão alguma , principalmente, porque outros contos trazem  os mesmos ensinamentos essenciais , mas sem o escárnio. Tais contos profanam a vida humana e, decididamente os desumanizam.

A TRADIÇÃO ORAL E A EVOLUÇÃO DA BUSCA DOS SIGNIFICADOS NOS
CONTOS

A medida que Contar História é em sua verdadeira essência, um fenômeno subjetivo, a fim de realmente compreendê-lo, a pessoa precisaria tentar viver dentro da cultura de contadores de História. O melhor dos cenários, o ideal é que a pessoa seja um contador orgânico, não um leitor de histórias, porque há muito a transmitir quando se apreende os detalhes , mas principalmente partilhando o que se ouve.
Ter durante a infância uma vida familiar de Contos por transmissão oral, permite à pessoa ver, sentir e incorporar as muitas nuances com que se depara em um único Conto de Fadas, durante um período longo de tempo. A medida que a pessoa cresce e amadurece , continuamente descobre novas camadas de significação nos Contos até ela dominar a arte de contar.
Os Contos são entendidos e percebidos em função da idade que são lidos ou ouvidos.
As crianças na fase anímica e analógica vão ser mais sensíveis às imagens representadas nos Contos por metáforas, até se tornarem maiores e saberem discernir essas imagens, mas certamente, sem nunca esquecer “que um dia choveu canivete” e eles foram à janela ver os canivetes!As crianças aprendem que as imagens são muitas vezes usadas para descrever a essência de uma idéia, que são uma espécie  de símbolo imaginativo. Uma linguagem simbólica.
Mesmo quando envelhecemos conservamos sempre o pensamento simbólico, porque é ele que nos permite inventar, inovar e produzir idéias originais com resultados muitas vezes surpreendentes. Se a linguagem dos símbolos é a língua materna da Vida Criativa, então as Histórias são o seu veio

A LINGUAGEM SIMBÓLICA NOS CONTOS

Os Contos de fadas têm um léxico (dicionário) um vasto grupo de idéias expressas em palavras e imagens que simbolizam pensamentos universais. No Léxico da psicologia, por exemplo, a princesa de cabelos dourados não representa uma bela menina , mas certa beleza da alma e espírito que, metaforicamente, é de ouro e não pode ser adulterada. Ela também pode ser entendida em um nível mundano e simples. Não podemos deixar é que a criança que ouve um conto com essa princesa de cabelos de ouro pense que não é bom ter cabelos castanhos ou pretos, ela precisa saber que isso é uma metáfora. Uma coisa simbólica.

Texto retirado do livro "Mulheres que correm com os lobos"  de Clarissa Pinkola Estés