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terça-feira, 3 de julho de 2012

A Bela e a Fera



  É a história da filha mais nova de um rico mercador, que tinha três filhas, porém, enquanto as filhas mais velhas gostavam de ostentar luxo, de festas e lindos vestidos, a mais nova, que todos chamavam Bela, era humilde, gentil, e generosa, gostava de leitura e tratava bem as pessoas.
Um dia, o mercador perdeu toda a sua fortuna, com exceção de uma pequena casa distante da cidade. Bela aceitou a situação com dignidade, mas as duas filhas mais velhas não se conformavam em perder a fortuna e os admiradores, e descontavam suas frustrações sobre Bela, que humildemente não reclamava e ajudava seu pai como podia.
Um dia, o mercador recebeu notícias de bons negócios na cidade, e resolveu partir. As duas filhas mais velhas, esperançosas em enriquecer novamente, encomendaram-lhe vestidos e futilidades, mas Bela, preocupada com o pai, pediu apenas que ele lhe trouxesse uma rosa.
Quando o mercador voltava para casa, foi surpreendido por uma tempestade, e se abrigou em um castelo que avistou no caminho. O castelo era mágico, e o mercador pôde se alimentar e dormir confortavelmente, pois tudo o que precisava lhe era servido como por encanto.
Ao partir, pela manhã, avistou um jardim de rosas e, lembrando do pedido de Bela, colheu uma delas para levar consigo. Foi surpreendido, porém, pelo dono, uma Fera pavorosa, que lhe impôs uma condição para viver: deveria trazer uma de suas filhas para se oferecer em seu lugar.
Ao chegar em casa, Bela, mediante a situação resolveu se oferecer para a Fera, imaginando que ela a devoraria. Ao invés de a devorar, a Fera foi se mostrando aos poucos como um ser sensível e amável, fazendo todas as suas vontades e tratando-a como uma princesa. Apesar de achá-lo feio e pouco inteligente, Bela se apegou ao monstro que, sensibilizado a pedia constantemente em casamento, pedido que Bela gentilmente recusava.
Um dia, Bela pediu que Fera a deixasse visitar sua família, pedido que a Fera, muito a contragosto, concedeu, com a promessa de ela retornar em uma semana. O monstro combinou com Bela que, para voltar, bastaria colocar seu anel sobre a mesa, e magicamente retornaria.
Bela visitou alegremente sua família, mas as irmãs, ao vê-la feliz, rica e bem vestida, sentiram inveja, e a envolveram para que sua visita fosse se prolongando, na intenção de Fera ficar aborrecida com sua irmã e devorá-la. Bela foi prorrogando sua volta até ter um sonho em que via Fera morrendo. Arrependida, colocou o anel sobre a mesa e voltou imediatamente, mas encontrou Fera morrendo no jardim, pois ela não se alimentara mais, temendo que Bela não retornasse.
Bela compreendeu que amava a Fera, que não podia mais viver sem ela, e confessou ao monstro sua resolução de aceitar o pedido de casamento. Mal pronunciou essas palavras, a Fera se transformou num lindo príncipe, pois seu amor colocara fim ao encanto que o condenara a viver sob a forma de uma fera até que uma donzela aceitasse se casar com ele. O príncipe casou com Bela e foram felizes para sempre.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A menina vendida com as peras


A menina  vendida com as peras
(fábulas italianas e a velha sábia)

Era uma vez um homem que tinha uma pereira que produzia quatro cestos de peras por ano. Em certo ano, aconteceu que só conseguiu três cestos e meio, e era preciso levar quatro para o rei. Não sabendo como completar o quarto cesto, colocou dentro dele a menor de suas filhas e cobriu-a de peras e folhas.
Os cestos foram levados até a despensa  do rei, e a menina rolou junto com as peras  e se escondeu.
Estava ali, na despensa, e, não tendo outra coisa para comer, mordiscava as peras. Passado algum tempo, os empregados se deram conta de que a provisão de peras diminuía  e encontraram também os talos. Disseram:
- Deve haver um rato ou uma toupeira que come as peras: precisamos verficar. Mexendo com as varas de vime encontraram a menina.
Perguntaram-lhe:
- O que faz aqui? Venha conosco, poderá trabalhar na cozinha do rei.
Chamaram-na de Perinha, e Perinha era uma menina tão dedicada que em pouco tempo sabia fazer o serviço melhor que as criadas do rei e era tão graciosa que todos a adoravam. O filho de rei que tinha a mesma idade que ela, estava sempre junto e entre eles nasceu uma grande simpatia.
Na mesma medida em que a menina crescia , crescia a inveja das criadas, pois aguentaram caladas algum tempo, depois começaram a pôr veneno. Assim puseram-se a dizer que Perinha se gabava de poder tomar o tesouro das bruxas. O boato chegou aos ouvidos do rei, que chamou a menina e lhe disse:
- É verdade que você se gabou de poder tomar o tesouro das bruxas?
Perinha disse:
- Claro que não é verdade, não sei de nada.
Mas o rei insistiu:
- Sabe sim e palavra empenhada é palavra mantida e a expulsou do palácio até que voltasse com o tesouro.
Anda que anda, a noite chegou e Perinha encontrou uma macieira e não parou. Encontrou um pessegueiro e não parou. Encontrou uma pereira acomodou-se entre os ramos e adormeceu.
De manhã, no pé da árvore havia uma velhinha.
- O que está fazendo aí bela criatura, disse a velhinha.
E Perinha contou a dificuldade em que se achava.A velhinha lhe disse:
- Pegue estas três libras de banha, estas três libras de pão e estas três libras de sorgo e vá em frente.
Perinha lhe agradeceu muito e seguiu pelo caminho.
Chegou a um lugar onde havia um forno. E havia três muheres que arrancavam os cabelos e com os cabelos varriam o forno. Perinha lhes deu as três libras de sorgo e elas começaram a varrer o forno com o sorgo e a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um lugar onde havia três mastins que latiam e pulavam em cima das pessoas . Perinha lhes jogou as três libras de pão e eles a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um rio de água vermelha feito sangue e não sabia como atravessá-lo. Mas a velha tinha lhe dito que dissesse:
            Torrentinha, linda torrentinha,
            Se não estivesse apressadinha
            Bem que beberia de canequinha.
Perante tais palavras a água se retirou e a deixou passar.
Para além daquele rio, Perinha viu um dos palácios mais bonitos e maiores dentre todos que existiam no mundo. Porém, a porta se abria e se fechava tão rápido que ninguém podia entrar. Então, Perinha untou os gonzos com as três libras de banha e a porta começou a se abrir e se fechar suavemente.
Tendo entrado no palácio, Perinha viu a arca do tesouro em cima de uma mesinha. Pegou-a e se preparou para sair, quando a pequena arca se pôs a falar.
- Porta, acabe com ela, porta acabe com ela! – dizia a pequena arca.
E a porta  respondia:
- Não, não acabo com ela , pois há muito ninguém me untava e ela me untou.
Perinha passou e, quando chegou ao rio a arca dizia:
- Rio, afogue-a, rio afogue-a!
E o rio respondia:
- Não, não a afogo, pois me chamou de torrentinha, linda torrentinha.
Passou pelo rio e quando chegou perto dos cães a arca  falou:
- Cães comam-na, comam-na!
E os cães:
- Não, não a comemos, pois nos deu três libras de pão.
Ela passou pelos cães e a arca dizia:
Forno, queime-a, queime-a!
- Não, não a queimamos, pois nos deu três libras de sorgo e assim economizamos  nossos cabelos.
Logo que chegou perto de casa, Perinha, curiosa como toda menina, quis ver o que havia na pequena arca. Abriu-a e pulou fora uma galinha com pintinhos de ouro. Corriam tão rápido que era impossível pegá-los.
Perinha se pôs a correr atrás deles. Passou pela macieira e não os encontrou, passou pelo pessegueiro e não os encontrou, passou pela pereira e lá estava a velhinha com uma vareta na mão cuidando da galinha com os pintinhos de ouro.
- Xô, xô, fez a velhota e a galinha com os pintinhas de ouro voltaram para dentro da arca.
Ao voltar para casa, Perinha foi acolhida pelo filho do rei.
- Quando meu pai perguntar o que quer de prêmio, indique aquele caixote cheio de carvão que está na adega.
Na entrada do palácio real, estavam as criadas, o rei e todos os cortesãos, e Perinha entregou ao rei a galinha com os pintinhos de ouro.
- Peça o que quiser, disse o rei, que lhe darei.
Perinha respondeu:
- Quero o caixote de carvão que está na adega.
Deram-lhe o caixote de carvão, ela o abriu e de dentro pulou o filho do rei que estava escondido lá dentro. Então o rei ficou muito contente e  deixou que Perinha casasse com seu filho!!!!!!

domingo, 10 de junho de 2012

As Três Casinhas! (Ítalo Calvino)




Ao morrer, uma pobre mulher chamou suas três filhas, e disse:- minhas filhas dentro de pouco tempo estarei morta e vocês vão ficar sozinhas no mundo.Quando eu não estiver mais aqui , façam assim: procurem seus tios e peçam que construam uma casa para cada uma. Queiram-se bem.
As três moças saíram chorando.Puseram-se a caminho e encontraram um tio, fabricante de esteiras. Catarina , a mais velha , disse:
- Tio, nossa mãe morreu; o senhor que é tão bom, faça uma casa de esteiras para mim.
E o tio, fabricante de esteiras, fez a casinha de esteiras para ela.
As outras duas irmãs seguiram em frente e encontraram um tio , marceneiro. Disse Júlia , a do meio: - Tio nossa mãe morreu; o senhor , que é tão bom , faça uma casa de madeira para mim.
E o tio, marceneiro , fez a casinha de madeira para ela.
Restou só a Marieta, a caçula, e seguindo o seu caminho encontrou um tio, ferreiro.
- Tio – disse-lhe- mamãe morreu; o senhor, que é tão bom, faça uma casinha de ferro para mim.
E o tio, fereiro, fez a casinha de ferro para ela.
À noite, apareceu o lobo. Foi à casinha de Catarina e bateu à porta. Catarina perguntou:
- Quem é?
- Sou um pobre pintinho, todo molhado; abra para mim por caridade.
- Vá embora;você é o lobo e quer me devorar.
O lobo deu um empurrão nas esteiras, entrou e devorou Catarina de uma só vez.
No dia seguinte, as duas irmãs foram visitar Catarina. Encontraram as esteiras arrancadas e a casinha vazia.
- Oh, coitadas de nós! – disseram. Certamente o lobo engoliu nossa irmã mais velha.
Ao anoitecer, reapareceu o lobo e foi à casa de Júlia. Bateu, e ela:
-Quem é?
- Sou um pintinho desgarrado, dê-me abrigo por piedade.
- Não você é o lobo e quer me devorar como fez com minha irmã.
O lobo deu um empurrão na casinha de madeira, escancarou a porta e Julia sumiu na sua goela.
De manhã, Marieta vai visitar Julia, não a encontra e diz com seus botões: “O lobo a devorou! Pobre de mim, fiquei sozinha neste mundo”.À noite, o lobo foi à casinha de Marieta.
-Quem é?
- Sou um pobre pintinho gelado de frio, estou lhe implorando, deixe-me entrar.
- Vá embora, pois é o lobo e, do mesmo modo como devorou minhas irmãs, quer me devorar.
O lobo dá um empurrão na porta, mas a porta era de ferro como toda a casa e o lobo quebra um ombro. Urrando de dor, corre até o ferreiro.
-Conserte o meu ombro.
- Conserto o ferro, não ossos – disse o ferreiro.
-Acontece que arrebentei os ossos com o ferro, portanto é você quem  deve me consertar. – disse o lobo.
Então o ferreiro pegou o martelo e os pregos e lhe consertou o ombro.
O lobo voltou à casa de Marieta e se pôs a falar bem perto da porta:
- Escute, Marietinha, por sua culpa quebrei um ombro, mas gosto de você assim mesmo. Se sair comigo amanhã cedo, vamos colher grãos-de-bico num campo aqui perto.
Marieta respondeu:
- Sim,sim. Venha me buscar às nove.
Mas, esperta como era, percebera que o lobo queria apenas fazê-la sair de casa para devorá-la. Por isso, no dia seguinte, levantou-se antes da aurora , foi ao campo e colheu um avental cheio de grãos-de-bico e voltou para casa. Pôs os grãos para cozinhar e jogou as cascas pela janela. Às nove, apareceu o lobo.
- Marietinha, venha comigo colher grãos-de-bico.
- Não, não vou de jeito nenhum, já colhi os grãos, olhe embaixo da janela e verá as cascas.
O lobo estava com raiva, mas disse: amanhã vamos colher tremoços, te pego às nove.
-Sim, sim disse Marieta.
Porém, ela no dia seguinte levantou cedo outra vez, foi ao campo, colheu os tremoços e levou para casa para cozinhá-los.
Quando o lobo veio buscá-la mostrou as cascas embaixo da janela.
O lobo estava muito nervoso e jurou vingança, mas falou com ela:
- espertinha, me enganou outra vez. Mas gosto muito de você e amanhã venho te buscar para conhecer um campo cheio de abóboras.
- Mas é claro que vou.
No dia seguinte correu ao campo de abóboras, mas o lobo não esperou às nove e correu também para o campo bem cedo.
Assim que Marieta viu o lobo ao longe, não sabendo para onde fugir, fez um buraco numa grande abóbora e se escondeu lá dentro. O lobo que sentia o cheiro dela, farejou as abóboras e não encontrou nada. Pensou então:Ela já deve ter voltado para casa. Vou me fartar de comer abóboras.
Marieta tremia ao sentir que o lobo se aproximava de sua abóbora imaginando que a comeria junto, mas quando ele chegou perto da abóbora que ela estava ele já não aguentava mais.
- Nossa, esta é tão grande, vou levar de presente para a Marieta, para ver se ela fica minha amiga. Pegou a abóbora com os dentes e correu até a casinha de ferro da Marieta, jogando a abóbora pela janela.
- Minha Marietinha!!!!disse ele, olha que lindo presente eu lhe trouxe.
Marieta já dentro de casa em segurança, pulou de dentro da abóbora, fechou a janela e provocou o lobo: - Obrigada, amigo lobo, eu estava escondida na abóbora que você trouxe para mim!!!!!
Ao ouvir isto, o lobo começou a bater a cabeça contra as pedras.
À noite estava fria e Marieta se aquecia junto da lareira quando ouviu um barulho na chaminé. Pensou logo: “é o lobo que vem me devorar”. Pegou um caldeirão na cozinha, bem grande e colocou no fogo da lareira para ferver. Quando o lobo desceu devagar pela chaminé e deu um salto achando que ia pegar a moça, caiu dentro do caldeirão e acabou morrendo.
Mesmo triste com a perda das irmãs, Marieta passou a viver tranquila sem o grande inimigo, o lobo.
                                       

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Esposa Sábia

(ASTÚCIA E CORAGEM – CONTO DO IRAQUE)

Era uma vez, um seleiro e sua esposa, que viviam com suas três filhas. O homem trabalhava bastante e, ao longo dos anos, economizou muitas moedas de ouro, colocando-as dentro de uma sela e a costurou como medida de segurança.
Tempos depois, vendeu esta sela por engano e só descobriu o erro muito depois que o cliente saiu da sua loja e da cidade.
Um ano depois, o cliente voltou para consertar a sela. O seleiro não podia acreditar na sua sorte, quando encontrou suas moedas ainda dentro da sela. Recuperou seu tesouro e criou uma canção para celebrar a sua fortuna e todos os dias a entoava:

Escondi e perdi
Esperei e encontrei
É meu pequeno segredo
E ninguém mais o conhecerá.

Certo dia, o sultão passou pela sua loja e ouviu a canção. Perguntou qual era o seu segredo.
- Se eu lhe contasse, disse o seleiro, não seria mais um segredo!
O monarca não desanimou e ordenou: - Sou sultão e ordeno que me conte seu segredo. O seleiro recusou novamente.
Então, o sultão perguntou-lhe se tinha família.
- Uma boa esposa e três filhas, ainda solteiras, respondeu o seleiro.
Nesse caso, ordenou o sultão, traga suas filhas amanhã no meu palácio e providencie para que as três estejam grávidas. Caso contrário, cortarei sua cabeça.
Mas majestade! Exclamou o seleiro horrorizado, minhas filhas são ingênuas e virgens, como podem ficar grávidas? E, se isso acontecer, quem se casará com elas? Estarão arruinadas por toda a vida.
Esse problema é seu, disse o sultão, rindo e se afastando.
O homem voltou para casa desesperado. Sua filha mais jovem, a mais sábia das três, viu a aflição do pai e perguntou o que o afligia. Ele explicou o problema.
A filha pensou por um momento e disse: - Não se desespere meu pai. Compre três vasilhas de água e eu mostrarei ao sultão como três virgens podem ficar grávidas.
Na manhã seguinte, a mais jovem, colocou sob seu vestido a vasilha e mandou que as irmãs fizessem o mesmo, instruindo-as do que deviam fazer quando chegasse ao palácio do sultão.
Quando chegaram o sultão perguntou à mais velha.
Há quanto tempo você está grávida? Do que tem mais desejo?
Ela curvou-se e disse: Estou grávida há três meses, e o que mais desejo são pepinos salgados.
Ele fez a mesma pergunta para a segunda que respondeu estar grávida de seis meses e que desejava beringelas picantes.
Quando ele falou com a mais jovem, ela disse que podia dar à luz a qualquer momento e o que mais desejava era peixe assado sob os sete mares.
Mas como se pode assar peixe debaixo da água? Ele perguntou. Isso é impossível.
A jovem respondeu que da mesma maneira como uma virgem pode engravidar e as três saíram do palácio, rapidamente.
No dia seguinte, o sultão chamou uma velha e entregou-lhe uma bolsa cheia de ouro pedindo que ela fosse até o seleiro e pedisse a mão da filha mais jovem em casamento. Ele pensou: - Uma mulher esperta como esta deve ser minha esposa.
Quando a velha olhou dentro da bolsa e viu ouro, roubou duas moedas. Chegou à casa do seleiro e a mais jovem abriu a porta.
- Sua mãe está em casa?
- Não, a jovem respondeu. Ela está transformando um em dois.
A velha não entendeu a resposta e disse. – Deixe-me falar com sua irmã mais velha.
- Ela está mudando o preto em branco, disse a jovem.
A velha insistiu. E sua irmã do meio?
- Ela está colhendo rosas.
Mas é inverno, falou a velha. Não há rosas em lugar algum! Ela pensou que a jovem era louca.
Aqui está um presente do sultão para você, disse a velha entregando-lhe a bolsa de moedas.
A jovem contou as moedas e devolveu a bolsa à velha, dizendo: - Tenho um recado para o sultão. Pergunte o seguinte: Quando se dá um carneiro de presente, corta-se-lhe a cauda?
A velha balançou a cabeça de novo, voltou até o sultão e contou o que a jovem lhe dissera e disse: - Tenho a impressão que a jovem é louca!
Ela não é louca, disse o sultão, ela é realmente astuta e perfeita para minha esposa. Quando disse que a mãe saíra para transformar um em dois, queria dizer que a mãe era parteira, e tinha ido fazer um parto. A irmã mais velha estava mudando o preto em branco, é esteticista e estava arrancando o pelo do corpo de alguma mulher. A irmã do meio, que colhia rosas no inverno,estava bordando flores num tecido. Quanto a cauda do carneiro, ela queria dizer que você roubou dinheiro da bolsa que lhe entreguei! Nunca mais faça isso, ou eu a punirei.
No dia seguinte, o sultão mandou a velha de volta, e outra proposta de casamento e. dessa vez, o seleiro e a filha mais jovem aceitaram.
O casamento foi celebrado logo, mas naquele mesmo dia, quando a esposa esperava em seu quarto, o sultão partiu para a guerra contra a terra de Siin.
A esposa esperou-o, mas como ele não aparecia, perguntou aos servos onde ele havia ido. Sentou-se pensativa e depois, retirou a roupa do casamento e colocou um uniforme de general, reuniu um exército e partiu, atrás do sultão.
Vários dias depois, ela encontrou as tropas do marido acampada à margem de um rio. Reuniu seu exército do outro lado e, em seguida enviou um mensageiro até o sultão, desafiando-o para uma partida de xadrez. Quando os dois se encontraram ele não a reconheceu e ela, ganhou a primeira partida. Como prêmio ela exigiu a adaga cravejada de pedras preciosas do sultão. Ele lhe entregou e jogaram outra partida e ele venceu e exigiu a adaga de novo.
Sugiro um prêmio melhor, disse ela. Tenho uma linda escrava, virgem, e deixarei que passe a noite com ela. O sultão concordou.
Ela saiu da tenda, tirou o uniforme, adornou-se com jóias e foi até ele. Ele ficou deliciado com a beleza da jovem e não reconheceu a esposa. No dia seguinte ela voltou para casa com seu exército, enquanto o sultão partia para a guerra de Siin.
Nove meses depois, a jovem deu à luz a um menino, que chamou de Siin.
Dois anos depois, o sultão voltou da guerra, mas só falou rapidamente com a esposa, pois tinha que partir para outra batalha, na terra de Masiin.
No dia seguinte, a esposa despiu os mantos, envergou um uniforme de general e comandou, novamente o seu exército. Quando chegou perto das tropas do sultão, mandou um arauto desafiá-lo para uma partida de xadrez.
Mais uma vez ele aceitou. Ela ganhou a primeira partida e pediu-lhe seu colar de orações. Ele venceu a segunda e ela fez a oferta de uma escrava, mas disse que esta só esteve com um homem uma única vez. Ele podia ter uma noite com ela. Ele concordou e mais uma vez não a reconheceu. No dia seguinte ele partiu para Masiin e ela voltou com seu exército para casa.
Nove meses depois nasceu outro menino, que ela chamou de Masiin.
Um ano depois, o sultão regressou e, mal olhou para a esposa, já estava sendo chamado para nova guerra. Assim, ele partiu para a batalha de Gharb. Mais uma vez ela repetiu toda a história e desta vez quando ganhou a partida ela pediu o turbante do sultão. Ofereceu a ele desta vez uma escrava que conhecia as artes do amor. No dia seguinte quando ele partiu ela voltou para casa e, nove meses depois, deu à luz a uma menina que chamou de Gharb.
Três anos se passaram antes que o sultão voltasse para casa. Ele quando chegou não falou com a esposa porque decidira casar-se com uma nova esposa, que seria uma princesa, mais adequada a condição dele do que a filha de um seleiro.
Quando chegou o dia do casamento, a jovem filha do seleiro, vestiu os três filhos com elegância e entregou ao mais velho a adaga, ao do meio o colar de orações e na mais nova colocou o turbante. Depois ensinou a eles uma canção.
Pouco antes do início do casamento, as crianças apareceram diante do sultão e cantaram:

Ele vence na guerra

Vence no xadrez
Vence no amor
Vence em sua busca
Nosso pequeno segredo
Ele o descobrirá?

O sultão olhou para as três crianças e reconheceu seus bens. Olhou fixamente para a esposa e aí percebeu o que ela fizera.

Você foi os três generais que me desafiaram e também as escravas que dormiram comigo? E, estes são meus filhos?
Ela confirmou com a cabeça.
Ele cancelou o novo casamento e voltando-se para a esposa, disse:
Você é a mais astuta mulher do mundo. Os dois se abraçaram e foi dada uma grande festa. Deste dia em diante, viveram felizes com os três filhos e muita sabedoria... da parte dela!!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dona Ôla (irmãos Grimm)

Uma viúva tinha duas filhas, das quais uma era bela e inteligente, a outra feia e preguiçosa. Mas ela gostava muito mais da feia , porque era a sua própria filha , e a outra tinha de fazer o trabalho da casa e ser a criada da casa. A pobre moça era obrigada a ir todos os dias para a rua, sentar-se na beira de um poço e fiar até que seus dedos sangrassem.
Aconteceu, certo dia , que a bobina ficou ensanguentada, e, por isso, ela se debruçou sobre o poço para lavá-la, quando a bobina lhe escapou da mão e caiu dentro do poço. A moça correu chorando para a madrasta e contou-lhe sua desgraça. Esta, porém, lhe passou uma descompostura tão violenta, e foi tão impiedosa, que disse:
- Se deixaste a bobina cair no poço, agora vai e traze-a de volta!
A pobre moça voltou para o poço, sem saber o que fazer. E, na sua grande aflição, pulou para dentro, para buscar a bobina. Ela perdeu os sentidos, e quando acordou e voltou a si, viu-se num lindo campo inundado de sol e coberto de flores. A moça foi andando por esse campo , até chegar a um forno que estava cheio de pão. E o pão gritava: - Ai, tira-me, tira-me, senão eu queimo , já estou assado há muito tempo. Então ela se aproximou e com a pá tirou os filões de dentro do forno.
Continuou o caminho , e chegou a uma árvore que estava coberta de maçãs, que gritava: - Ai, sacode-me , sacode-me, nós, maçãs, já estamos maduras. Então ela sacudiu a árvore até as maçãs caírem e não ficar nenhuma na árvore. E, depois de arrumar todas as maçãs num monte, continuou o caminho.
Finalmente, ela chegou até uma casa pequenina, da qual espiava uma velha, que tinha dentes muito grandes e a moça ficou com medo e quis fugir, mas a velha gritou-lhe: - De que tens medo minha filha? Fica comigo. Se fizeres os trabalhos da casa direito estarás muito bem. Só precisas prestar muita atenção ao arrumar minha cama, sacudindo o acolchoado com vontade, até que as penas voem, então cai neve no mundo. Eu sou a dona Ôla.
Como a velha lhe falava mansamente, a moça criou coragem e entrou na casa para o serviço. Ela cuidava de tudo a contento da velha, e sacudia o acolchoado com vontade, até que as penas voassem como flocos de neve. Por isso tinha uma vida boa junto da velha , comia bem todos os dias.
Depois de viver com dona Ôla por um tempo a menina começou a entristecer.
No começo, nem ela mesma sabia o que lhe faltava, mas finalmente percebeu que sentia saudades, embora aqui passasse mil vezes melhor que na sua própria casa, mas mesmo assim ela sentia saudades.
Finalmente ela disse à velha:
- A saudade me pegou e mesmo que eu passe aqui embaixo tão bem , não posso continuar. Tenho que subir e voltar para os meus.
A dona Ôla lhe disse:
- Agrada-me saber que tu queres voltar para casa, e como tu me servistes tão fielmente , eu mesma vou te levar para cima. Ela tomou a mão da moça e levou-a para um grande portão. O portão se abriu e, quando ela estava bem debaixo dele, caiu uma forte chuva de ouro, e o ouro ficou pendurado nela, e ela ficou toda coberta de ouro.
- Isto é para ti, porque foste tão diligente , disse a velha e devolveu-lhe também a bobina que caíra no poço. Então o portão se fechou e a moça chegou novamente na superfície da terra e quando chegou ao pátio da casa, o galo que estava pousado no poço gritou:

“Cocoricó, cocoricó,
A donzela de ouro está aqui!”

Então a moça entrou em casa, foi bem recebida pela irmã e pela madrasta por estar coberta de ouro.
A moça contou tudo o que lhe acontecera , e quando a madrasta soube como ela chegara a tanta riqueza, quis arranjar a mesma sorte para a sua filha feia. Ela deveria sentar-se na beira do poço e fiar, para que a bobina caísse ela precisaria picar seu dedo, mas ela meteu o dedo no espinheiro para ensanguentá-lo, aí jogou a bobina e pulou atrás.
Ela chegou, no lindo campo e continuou a caminhar. Chegou perto do forno e o pão gritou para ser retirado do forno pois já estava muito assado. Mas a preguiçosa respondeu:
- Não tenho vontade de me sujar, e foi embora.
Logo chegou perto da macieira que pediu que ela a sacudisse para as maçãs caírem porque estavam maduras. Mas ela respondeu:
- Não faço isso, pois pode cair uma na minha cabeça, e continuou no caminho.
Quando chegou à casa de dona Ôla, não ficou com medo porque já ouvira falar dos seus dentes , e logo se engajou no serviço dela. No primeiro dia foi diligente e fez tudo direito pensando no que ia ganhar.
Porém, no segundo dia ela começou a ficar preguiçosa e no terceiro ela nem queria se levantar da cama e nem arrumar a cama de dona Ôla como devia e as penas não voaram. Aí dona Ôla cansou-se dela e a despediu. A preguiçosa ficou contente e pensou que agora viria a chuva de ouro .
Dona Ôla levou-a até o portão, a moça ficou embaixo dele, mas em vez de ouro foi despejado um grande pote de piche em cima dela.
- Isto é a recompensa pelos teus serviços, disse dona Ôla e trancou o portão.
Ela voltou para casa , mas toda coberta de piche e o galo cantou:

“Cocoricó, cocoricó,
A donzela suja está aqui!”

Mas o piche ficou grudado nela e não saiu por toda a sua vida!!!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Rei Sapo ( irmãos Grimm)

Era uma vez, um rei cujas filhas eram todas belas, mas a mais nova era tão linda que chegava a incomodar as outras.
Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço.
Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita.
Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:
- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?
Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora d´água.
- Ah, és tu, velho sapo? – disse ela. – Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.
- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?
O que tu quiseres, querido sapo – disse ela, - meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.
O sapo respondeu;
- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, “que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?”
O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa.
A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.
O sapo gritou – leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!
Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo.
No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:
- Filha do rei, a mais nova abre para mim!
Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.
O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:
- Minha filha, de que tens medo? Há algum gigante na porta querendo te levar?
- Oh, não, mas é um sapo nojento.
- E o que este sapo quer de ti?
- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora d´água. Agora está lá fora querendo entrar aqui.
Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:
“Princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
lembras o que ontem
prometeste a mim,
lá junto do poço?
prometeste, sim!
princesa, a mais nova
abre a porta para mim!”
Então o rei disse:
- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!
Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:
- Leva-me para junto de ti!
Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.
Quando o sapo já estava à mesa ele disse:
- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!
A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!
Finalmente ele disse:
- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.
A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?
Mas o rei zangou-se e ordenou:
- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:
- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. – Agora me deixará em paz, sapo nojento!
Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.
Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse.
Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar.
A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera.
Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou.




segunda-feira, 6 de abril de 2009

A GUARDADORA DE GANSOS



Era uma vez uma velha rainha, cujo marido morrera muitos anos atrás.
Ela tinha uma linda filha. Quando chegou a época desta filha se casar, teve que viajar para um país estrangeiro. A mãe deu-lhe jóias preciosas e tesouros.
Foi designada uma dama de companhia para acompanhá-la. Cada uma delas recebeu um cavalo para a viagem, mas o da princesa podia falar e chamava-se Falada.
Na hora de partir, a mãe foi ao quarto, pegou uma faquinha e deu um corte num de seus dedos até sangrar, depois deixou três gotas caírem no lenço, deu-o a filha, e disse-lhe:
- Guarde-o com cuidado, querida filha, pois será de muita utilidade para você durante a viagem.
Elas partiram e depois de uma hora de viagem, a princesa teve sede e pediu à ama que lhe trouxesse água de um regato, na sua taça de ouro. A criada recusou, e tomou a taça da princesa, dizendo-lhe que descesse e bebesse no rio, e que também não seria mais sua criada.
Quando a princesa debruçou-se para beber água, deixou cair o lenço e o perdeu. Ao perdê-lo ficou fraca, sem forças. A criada tirou partido disso e forçou a princesa a trocar os cavalos e as roupas, fazendo-a jurar que não contaria esta troca para ninguém da corte.
Na chegada da duas, tomaram a criada pela noiva princesa.
Interrogada sobre a companheira, a criada disse ao velho rei que desse algum trabalho para ela fazer, e a princesa foi designada para ajudar um menino guardador de gansos.
Logo depois, a falsa noiva pediu ao jovem príncipe, seu noivo, o favor de mandar cortar a cabeça de Falada, porque temia que ele revelasse sua ação malvada.
Isto foi feito, mas a cabeça do cavalo, graças as súplicas da verdadeira princesa, foi colocada sobre um portão negro pelo qual ela tinha de passar todos os dias quando guardava os gansos.
Todas as manhãs, quando ela passava junto com o garoto pelo portão, ela cumprimentava a cabeça de Falada com grande pena, ao que a cabeça replicava:
- “Se sua mãe soubesse diso, seu coração se partiria ao meio”.
Nos prados, a princesa soltava os cabelos. Como eram semelhantes a puro ouro, o menino foi tentado a arrancar um punhado deles, o que a princesa impediu chamando o vento, que soprou o chapéu dele para longe, fazendo-o correr atrás. O mesmo se repetiu por dois dias seguidos o que aborreceu o menino, que foi queixar-se ao velho rei.
No dia seguinte, o rei escondeu-se atrás do portão e observou tudo. A tarde a princesa voltou com os gansos ao castelo, o rei perguntou-lhe sobre as coisas que vinham acontecendo.
Ela lhe disse então que estava presa a uma promessa de não contar nada para nenhum ser humano. Assim, ela resistiu a tentação de revelar sua história, mas finalmente resolveu contar tudo para a lareira, mas o velho rei estava escondido atrás e escutou toda a história.
Depois disso, o rei deu-lhe roupas reais, e todos foram convidados para uma grande festa na qual a verdadeira noiva sentou-se num dos lados do jovem príncipe e a impostora do outro. No final da refeição, o velho rei perguntou à impostora qual seria o castigo para uma pessoa que tivesse agido de forma cruel e descreveu a história que tinha acontecido. Ela não sabendo que tinha sido descoberta respondeu:
“Ela merece ser colocada nua, dentro de um barril forrado de ferros pontiagudos e dois cavalos bravos deveriam arrastar esse barril pela cidade até que ela morresse.”
O velho rei, olhando-a disse:
Essa pessoa é você! Você decretou sua sentença e é isso que acontecerá.
Quando a sentença foi cumprida o príncipe casou-se
com a verdadeira noiva e foram muito felizes.

sábado, 28 de março de 2009

Vassilissa, a formosa. ( um conto russo)

Há muito, muito tempo, num certo reino distante, vivia um rico mercador, com sua mulher e uma única filha. A menina chamava-se Vassilissa, e era bonita e meiga como uma flor. Mas um dia quando Vassilissa tinha apenas 8 anos, sua mãe ficou muito doente, e, sentindo que ia morrer, chamou a filha, tirou de sob as cobertas uma pequena boneca e lhe entregou dizendo:
- Escuta, Vassilissa, minha filha, as minhas últimas palavras. Ao morrer deixo-te a minha bênção e esta bonequinha, que deverás trazer sempre contigo. Não a mostres a ninguém, e quando te acontecer algum desgosto, dá-lhe de comer e beber, e pede-lhe conselhos. Depois de alimentada, ela te dirá o que fazer para te ajudar na desgraça.
Algum tempo depois da morte da mãe, seu pai casou-se de novo, com uma viúva que tinha duas filhas, pouco mais velhas do que Vassilissa, pensando que isso seria bom para sua filhinha órfã de mãe. Mas enganou-se, porque a madrasta não gostava da enteada. Ela e as filhas invejavam a sua beleza, e atormentavam-na com toda sorte de trabalhos e encargos pesados, para que ela ficasse magra e feia.
Vassilissa suportava tudo pacientemente e, apesar da vida dura que levava, ficava cada vez mais bonita, passou a ser chamada de Vassilissa, a formosa, enquanto a madrasta e sua filhas iam ficando cada vez mais feias e secas, de tanta ruindade, mesmo passando o tempo todo comendo, sem fazer nada.
Como isso era possível? É que a bonequinha que a mãe lhe dera ajudava a menina, que muitas vezes deixava de comer só para com sua porção alimentar a boneca, sempre à noite, depois que todos se deitavam. Ela lhe dava de comer dizendo: “Come, boneca-beleza, e ouve minha tristeza!” E lhe contava os seus problemas. A boneca escutava, dava-lhe conselhos e a mandava dormir. E pela manhã todo o trabalho já aparecia feito, enquanto a menina descansava na sombra e colhia flores. Assim ela ia vivendo.
Passaram alguns anos, e as meninas chegaram à idade de ficar noivas. Mas todos os pretendentes que apareciam, e não eram poucos, só tinham olhos para Vassilissa, cada vez mais formosa. E nem olhavam para as filhas da madrasta. Esta ficava furiosa, e só respondia a todos os pretendentes que não concederia a mão da mais nova antes que as duas mais velhas se casassem. E depois de despachar o pretendente, ela descontava sua raiva maltratando Vassilissa. Um dia, o pai de Vassilissa, teve de partir para uma longa viagem de negócios, e foi então que a madrasta se aproveitou da sua ausência para se vingar da enteada. Mudou-se logo para outra casa, que ficava à beira da floresta, onde, todos sabiam, vivia a malvada bruxa Baba-Iága, que não deixava ninguém se aproximar dela. Quem se aproximasse, ela devorava como se fosse um frango. Então a madrasta começou a mandar Vassilissa para a floresta toda hora, buscar uma coisa ou outra, esperando que a menina caísse nas garras da bruxa perversa.
Mas Vassilissa voltava sempre, incólume, porque a bonequinha lhe indicava o caminho certo, e não deixava aproximar-se da cabana da Baba-Iága.
Não sabendo mais o que inventar, certo dia, ao anoitecer, a madrasta apagou as velas da casa, só para mandar Vassilissa buscar fogo. E quem tinha fogo sempre, todos sabiam, era só a Baba-Iága.
- Vai procurar a Baba-Iága e não te atrevas a voltar sem o fogo!
- Eu vou e vou levar o meu jantar. Pegou a trouxinha com sua escassa comida, e logo as três a empurraram para fora da casa, para o escuro da noite.
Assim que se afastou da casa, a menina sentou-se num tronco caído e começou a alimentar a sua bonequinha.
“Come, boneca-beleza, e ouve a minha tristeza!” Estão me mandando para a Baba-Iága, buscar fogo! A bruxa vai me devorar!
A bonequinha comeu e seus olhos brilharam:
- Não tenhas medo, Vassilissa. Vai para onde te mandaram, mas não te separes de mim. Contigo, nenhum mal acontecerá.
Vassilissa pôs a bonequinha no bolso do avental, fez o sinal da cruz e entrou na floresta, trêmula. Andou um pouco, e, de repente, viu, passando a galope na sua frente, um cavaleiro todo branco, vestido de branco, sobre um corcel branco. E começou a amanhecer.
Andou mais um pouco, e viu outro cavaleiro, todo vermelho, vestido de vermelho, sobre um corcel vermelho. E começou a nascer o sol.
Vassilissa, andou e andou, e, só ao entardecer do dia seguinte, chegou à clareira onde ficava a cabana da Baba-Iága. A cerca em volta da casa era toda feita de ossos humanos, encabeçados por crânios espetados neles, com olhos humanos nas órbitas. O trinco do portão era uma boca humana cheia de dentes aguçados. E a casinha era construída sobre grandes pés de galinha.
Vassilissa parou, petrificada de susto. Nisso pasou galopando outro cavaleiro, todo negro, vestido de negro, sobre um corcel negro. E fez-se noite.
Mas a escuridão durou pouco, pois os olhos de todas as caveiras da cerca se acenderam como brasas vivas, e ficou claro como o dia.
Vassilissa, morta de medo, não sabia o que fazer e ficou parada no lugar, como enraizada. Nisso, ouviu, vindo da floresta, um grande barulho. Era a Baba-Iága, acocorada no seu pilão, apagando os rastros com a vassoura, desgrenhada e feia de meter medo!
Unf, unf!!! Sinto cheiro de carne humana! Quem está aqui?
Vassilissa, trêmula, aproximou-se da bruxa e disse:
“Sou eu vovozinha!” Sou Vassilissa, a madrasta e suas filhas me mandaram aqui para te pedir fogo.
Está bem, disse a bruxa. Eu as conheço. Mas tu, Vassilissa, antes terás de ficar morando e trabalhando um tempo aqui comigo, então te darei fogo. Senão eu te devoro!
Durante o dia inteiro, a bruxa deu tarefas, muito pesadas, para a menina cumprir, e para serví-la desde a manhã até a noite. Era varrer e lavar, cozinhar e cuidar da horta, limpar o quintal, lavar e passar roupa, trazer bebidas do porão, tudo isso Vassilissa tinha que fazer... E só conseguia dar conta do serviço graças à ajuda da bonequinha, que trazia sempre no bolso do avental e não mostrava à bruxa.
No dia seguinte, a bruxa acordou de madrugada, olhou em volta, viu que todo o serviço estava feito, e ficou aborrecida por não ter do que reclamar. Espiou pela janela, lá fora passou galopando o cavaleiro branco, e a manhã clareou. A bruxa saiu da casa , assobiou, e o seu pilão apresentou-se à sua frente, com a mão e a vassoura. Passou galopando o cavaleiro vermelho, e surgiu o sol. A Baba-Iága embarcou no pilão e saiu voando baixo, deixando Vassilissa sozinha em casa. A bonequinha fez todo o serviço pesado, e só deixou a menina arrumar a mesa e aguardar a bruxa.
Quando saiu de casa a bruxa mandou que a menina separasse os grãos bons dos carunchados. Tudo deveria estar pronto quando ela voltasse para casa, caso contrário ela comeria.
A menina pediu ajuda à sua boneca e esta lhe disse que não tivesse medo, que comesse, fizesse suas orações e dormisse, pois a noite é boa conselheira.
Na manhã seguinte quando acordou, a menina olhou pela janela e viu que os olhos das caveiras já estavam se fechando. O cavaleiro branco passou e nasceu o dia. A bruxa saiu e a menina ficou sozinha em casa admirando seus móveis e objetos. Quando começou a pensar na tarefa dos grãos a sua boneca já tinha resolvido tudo. Quando a bruxa chegou e viu tudo resolvido, ficou furiosa pois não sabia como colocar defeito. A bruxa então, gritou: “Meus fiéis servos, moam os grãos para mim.” Surgiram três pares de mãos de esqueletos e levaram os grãos.”
A bruxa deu a ordem para o dia seguinte, dizendo que a menina deveria repetir a tarefa do dia anterior e , além disso, separar as sementes de papoula. Quando retornou à noite ficou muito brava, mas chamou as mãos dos esqueletos e mandou que extraíssem o óleo das sementes de papoula.
Enquanto a Baba-Iága jantava, Vassilissa ficou por perto , silenciosa. A bruxa perguntou: por que você está olhando sem dizer nada? Você é muda?
A menina respondeu: “se pudesse, gostaria de lhe fazer umas perguntas”.
Pergunte, disse a bruxa, mas lembre-se, nem todas as perguntas são boas. Saber demais envelhece.!
Vassilissa então perguntou: “gostaria de saber quem é o homem que vi no caminho todo de branco. Quem é ele?”
“Esse é o meu dia luminoso, disse a bruxa.”
Mas passou também um homem todo vestido de vermelho.
“É o meu sol vermelho, disse a bruxa.”
Mas quando cheguei no portão o homem que passou estava todo de negro.
“Essa é a minha noite, o escuro!”
A menina pensou nos três pares de mãos de esqueletos, mas não fez mais perguntas, ficou quieta.
Baba-Iága disse: por que não faz mais perguntas?
A menina respondeu que essas eram suficientes, acrescentando: “você mesma disse, vovó, que perguntar demais envelhece”.
A bruxa replicou: “Você fez bem em perguntar só a respeito do que viu lá fora e não do que viu aqui dentro de casa. Não gosto quando a sujeira é levada para fora. Mas agora eu quero perguntar uma coisa para você: “Como conseguiu fazer todas as tarefas que lhe dei?”
A menina respondeu: “A benção de minha mãe me ajudou”, respondeu a menina. (não falou da boneca).
“Ah!!! Então foi isso? Dê o fora daqui , filha abençoada, eu não preciso de nenhuma benção em minha casa.”
Assim, Baba-Iága pôs a menina para fora de sua casa, empurrando-a pelo portão. Mas, tirou da cerca, uma das caveiras com seus olhos flamejantes, colocou-a num pau e deu para a menina dizendo: “Aqui está o fogo para suas irmãs e sua madrasta, pegue-o e leve-o para casa.”
A menina saiu correndo da casa da bruxa e entrou na floresta somente com a luz da caveira, mas esta extingüiu-se assim que o dia clareou. Ela só chegou em casa na noite seguinte depois de muito caminhar, mas quando chegou perto do portão, pensou em jogar fora a caveira, mas uma voz lhe falou: “Não faça isso, leve-me até sua madrasta.”
Assim fez a menina. Quando entrou com o fogo que se acendera sozinho, os olhos da caveira se fixaram na madrasta e em sua filhas queimando suas almas e perseguindo-as aonde fossem se esconder. Ao amanhecer as três tinham virado cinzas. Só Vassilissa escapou.
A menina enterrou a caveira, fechou a casa e foi para a cidade.
Caminhou bastante e chegando à feira, encontrou uma boa velhinha que estava fiando tecido para a roupa do rei. Ela pediu que lhe ensinasse e a boa velhinha assim o fez. A cada dia a menina fiava melhor e um dia o rei foi até o mercado saber quem estava tecendo aqueles lindos tecidos e conheceu-a.
O rei pediu que ela fosse morar no seu castelo, pois logo apaixonou-se pela bela moça. Ela aceitou, mas com a condição de levar a pobre velha. O rei aceitou.
Os dois casaram e estavam muito felizes, quando o pai da Vassilissa voltou da viagem e estava procurando-a por toda parte até que soube onde ela estava e foi visitá-la. O rei convidou-o a morar com eles e assim, o pai voltou a viver com a filha verdadeira e tão querida!

sexta-feira, 20 de março de 2009

A dança das 12 princesas- irmãos Grimm



Era uma vez um rei que tinha 12 filhas muito lindas. Dormiam em 12 camas, todas no mesmo quarto, e, quando iam para a cama, as portas eram todas fechadas à chave. Todas as manhãs, porém, os seus sapatos tinham as solas gastas, como se tivessem dançado com eles toda a noite, mas ninguém descobria como isso tinha acontecido.
Então, o rei fez saber por todo o país, que se alguém pudesse descobrir o segredo, e saber onde é que as princesas iam dançar à noite, casaria com aquela de quem mais gostasse e seria rei, depois dele morrer. Mas quem tentasse descobrir isso, e ao fim de três dias e três noites não conseguisse, seria morto.
Apresentou-se logo o filho de um rei. Foi muito bem recebido e à noite levaram-no para o quarto ao lado onde dormiam as princesas. Ele tinha que ficar sentado para ver se descobria, onde elas iam dançar, e, para que nada se passasse sem ele ouvir, deixaram-lhe a porta do quarto aberta. Mas o rapaz em pouco tempo adormeceu, e, quando acordou de manhã, viu que as princesas tinham dançado de noite, porque as solas dos sapatos delas estavam cheias de buracos. O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e, por isso, o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. Depois dele vieram muitos outros, mas nenhum deles teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira.
Aconteceu que um velho soldado atravessava o país onde esse rei reinava. Ao atravessar a floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou para onde ele ia.
“Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim posso vir a ser rei.”
Bem, disse-lhe a velha, isso não custa muito. Basta que tenhas cuidado, e não bebas nada do vinho que uma das princesas lhe trará à noite, e logo que ela se afaste deves fingir que está pegando no sono. A seguir a velha deu-lhe uma capa, e disse:
“Logo que vestires essa capa, você se tornará invisível, aí poderás seguir as princesas para onde quer que elas forem.”
Quando o soldado ouviu esses bons conselhos, foi ter como rei, que deu ordem para que lhe fossem dadas ricas vestes para ele trajar, e, quando veio a noite, conduziram-no até o quarto perto do das princesas.
Quando ia deitar-se, a mais velha das princesas trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o soldado entornou-a sem que ela percebesse. Depois estendeu-se na cama, e, começou a roncar como se estivesse pegado no sono.
Quando as 12 princesas o ouviram, puseram-se a rir, e levantaram-se e abriram as malas, e depois, tendo vestido os ricos trajes que de lá tiraram, puzeram-se a saltitar de contentes. Mas a mais nova disse preocupada:
“Não me sinto bem. Tenho certeza de que vai suceder alguma desgraça.”
“Tola, disse a mais velha. Já não te lembras quantos filhos de reis nos têm vindo espiar sem resultado? Quanto ao soldado tive o cuidado de lhe dar uma bebida que o fez dormir.”
Quando estavam todas prontas, foram olhar o soldado, mas ele continuava a roncar e não se mexia. Elas julgaram-se seguras. A mais velha foi até a sua cama e bateu palmas, e a cama enfiou-se logo pelo chão, abrindo-se um grande alçapão. O soldado viu-as descendo uma a uma. Levantou-se, colocou a capa invisível, e seguiu-as, mas no meio da escada pisou na cauda do vestido da mais nova, que gritou para as irmãs:
“Alguém me puxou o vestido!”
“Que tola”- disse a mais velha- “foi um prego que deve estar na parede!”
Lá foram todas descendo e, quando chegaram ao fim, encontravam-se num bosque de lindas árvores de prata. O soldado levou um raminho de uma das árvores. Foram ter depois em outro bosque onde as folhas das árvores eram de ouro e depois a um terceiro onde eram folhas de diamantes. O soldado pegou um raminho de cada uma das árvores dos bosques.
Chegaram finalmente a um grande lago, e à margem, estavam encostados 12 barcos, tendo dentro 12 príncipes muito bonitos, que esperavam pelas princesas. Cada uma entrou em um barco, e o soldado saltou para o barco onde ia a mais nova. O príncipe que remava disse à ela:
“Não sei o que é, mas, apesar de estar remando com muita força, parece que vamos mais devagar que de costume, o barco hoje está muito pesado.”
“Deve ser do calor, disse a mais nova princesa.”
Do outro lado do lago estava um grande castelo, de onde vinha um som de clarins. Desembarcaram todos, e entraram no castelo. Cada príncipe dançou com sua princesa, e o soldado invisível, dançou entre eles, quando punham um taça de vinho perto de qualquer princesa, ele bebia-a toda, quando elas levavam à boca a taça estava vazia. A irmã mais nova estava assustada, mas a mais velha fazia-a calar.
Dançaram até as três da manhã, e então, os seus sapatos estavam gastos e tiveram que parar. Os príncipes levaram-nas outra vez para o outro lado do lago, mas desta vez o soldado entrou no barco da princesa mais velha, e na margem oposta todos despediram-se combinando voltar no dia seguinte.
Quando chegaram ao pé da escada o soldado adiantou-se e subiu primeiro que as princesas, indo logo deitar-se e fingindo dormir.
As princesas ouviram-no roncar e disseram :
“Está tudo bem”. Despiram seus trajes , guardaram nas malas, tiraram os sapatos e deitaram-se.
De manhã o soldado não disse nada do que tinha visto, mas decidiu tornar a ver esta aventura, e por isso, foi também nas outras duas noites com as princesas. Na terceira noite o soldado teve o cuidado de levar consigo uma taça de ouro como prova de onde tinham estado.
Chegada a ocasião de revelar o segredo, o soldado, foi levado à presença do rei, e levou os três ramos e a taça de ouro.
As princesa puseram-se a escutar atrás da porta para ouvir o que ele diria. E quando o rei perguntou:”Onde é que as minhas 12 filhas dançam toda noite? O soldado respondeu: “Com 12 príncipes num castelo debaixo da terra.”
Contou ao rei tudo o que tinha sucedido e mostru-lhe os três ramos e a taça de ouro que trouxera consigo.
O rei chamou as 12 princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado dissera. Elas vendo que o seu segredo tinha sido descoberto, confessaram tudo.
O rei perguntou ao soldado qual delas ele queria como esposa, ele respondeu: “Já não sou muito novo, por isso, escolho a mais velha.”
Casaram-se e o soldado ficou sendo o herdeiro do trono.