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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rumpelstilskin



Rumpelstiltskin é o personagem homônimo e principal antagonista de um conto de fadas originado na Alemanha (onde ele é conhecido como Rumpelstilzchen). O conto foi coletada pelos Irmãos Grimm, que inicialmente publicaram na edição de 1812 de Children's and Household Tales (Contos para a infância e para o lar), sendo revisado em edições posteriores.
História;
Para impressionar o Rei , com o objetivo de fazer o príncipe casar com a sua filha, um moleiro bastante pobre mente e diz que ela é capaz de fiar palha e transforma-la em ouro. O Rei chama a moça, fecha-a numa torre com palha e uma roda de fiar, e exige-lhe que ela transforme a palha em ouro até de manhã, durante três noites, ou será executada. Algumas versões dizem que, se ela falhasse, seria empalada e depois cortada em pedaços como um porco, enquanto outras não são tão gráficas e dizem que a moça ficaria fechada na torre para sempre. Ela já tinha perdido toda a esperança, quando aparece um duende no quarto e transforma toda a palha em ouro em troca do seu colar; na noite seguinte, pede-lhe o seu anel. Na terceira noite, quando ela não tinha nada para lhe dar, o duende cumpre a sua função em troca do primeiro filho que a moça desse à luz.
O Rei fica tão impressionado que decide se casar com ela, mas quando nasce o primeiro filho do casal, o duende regressa para reclamar o seu pagamento: "Agora dá-me o que me prometeste". A Rainha ficou assustada e ofereceu-lhe toda a sua riqueza, se este a deixasse ficar com a criança. O duende recusa, mas por fim aceita desistir da sua exigência,mas cria outra exigência: se a Rainha conseguisse adivinhar o seu nome em três dias. No primeiro dia, ela falhou, mas antes da segunda noite, o seu mensageiro ouve o duende a saltar à volta de uma fogueira e a cantar. Existem muitas variações da canção, mas a mais conhecida é:

Hoje eu frito, amanhã eu cozinho!
Depois de amanhã será meu o filho da rainha!
Coisa boa é ninguém saber
Que meu nome é Rumpelstiltskin!
Quando o duende foi ter com a Rainha no terceiro dia, ela revela o nome dele, Rumpelstiltskin, e ele perde o seu negócio. Rumpelstiltskin foge zangado e nunca mais regressa. O final foi revisto numa edição de 1857 para uma versão mais macabra onde Rumpelstiltskin, cego de raiva, se divide em dois. Na versão oral dos Irmãos Grimm, o duende voa da janela numa panela.


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quinta-feira, 7 de junho de 2012

As Três Línguas!





Um velho vivia na Suíça e só tinha um filho, mas o rapaz era muito burro e não conseguia aprender nada.
Então o pai lhe disse:
- Ouça meu filho. Não consigo meter nada na sua cabeça, por mais que me esforce. Você precisa se afastar daqui, vou entregá-lo aos cuidados de um famoso professor por um ano.
Ao fim de um ano o rapaz voltou para casa e o pai perguntou:
- Então, meu filho, que foi que você aprendeu?
- Pai, aprendi a língua dos cães.
- Piedade! Exclamou o pai. – Foi só isso que aprendeu?Vou mandá-lo de novo para outro professor em outra cidade.
O rapaz foi levado e morou também um ano com o novo professor.
Quando voltou o pai tornou a lhe perguntar:
- Meu filho , que foi que você aprendeu?
- Aprendi a língua dos pássaros, respondeu ele.
O pai então se enfureceu e disse:
- Ah, sua criatura inútil, você perdeu todo esse tempo precioso  e não aprendeu nada? Não tem vergonha de vir à minha presença ? Vou mandá-lo a um terceiro professor, mas se, desta vez, você não aprender nada, não serei mais seu pai.
O rapaz morou com o terceiro professor  também por um ano e quando voltou, novamente o pai pergunto-lhe o que tinha aprendido.
- Meu querido pai, este ano aprendi a língua dos sapos.
Ao ouvir isto, o pai foi tomado por uma fúria e lhe disse:
- Criatura, você não é mais meu filho. Expulsou o rapaz de casa e mandou que lhe tirassem avida.
Os homens o levaram, mas quando iam matá-lo sentiram tanta pena que não conseguiram cumprir a ordem e o deixaram partir.
Arrancaram os olhos e a língua de uma corça, para apresentarem como provas ao pai.
O rapaz saiu vagando e, finalmente chegou a um castelo, onde pediu hospedagem por uma noite.
- Muito bem, disse o senhor do Castelo. Se quiser passar a noite lá na torre velha, pode ir, mas quero prevení-lo que será por sua conta  e risco, porque está cheia de cães selvagens . Eles latem e uivam sem cessar , e a certas horas é preciso que se atire um homem para eles, que o devoram imediatamente.
A vizinhança inteira estava aflita com esta idéia, mas não havia nada que pudessem fazer . O rapaz, no entanto, não se amedrontou e respondeu:
- Deixem-me ir a esses cães e me dêem alguma coisa que eu possa atirar-lhes , eles não me farão mal.
Ele recebeu a comida para os cães selvagens e foi para a torre.
Os cães não latiram quando ele entrou, mas correram a sua volta abanando o rabo amigavelmente, comeram a comida que ele lhes trouxe e não tocaram em nenhum fio dos seus cabelos.
Na manhã seguinte, para surpresa de todos, o rapaz apareceu e disse ao senhor do castelo:
- Os cães me revelaram em sua língua por que vivem aqui e trazem problemas para a região. Eles são encantados e têm a obrigação de guardar um grande tesouro que está escondido embaixo da torre, e não descansarão até que alguém o tenha desenterrado, e me ensinaram como isso pode ser feito.
Todos os que ouviram ficaram muito contentes e o senhor do castelo disse que o adotaria como filho se ele realizasse a tarefa com sucesso. O rapaz retornou à torre e como sabia o que fazer desencumbiu-se da tarefa desenterrando uma arca cheia de ouro. A partir daquele momento não se ouviram mais os uivos dos cães selvagens. Eles desapareceram e a região ficou livre.
Passado um tempo, o rapaz cismou que queria ir a Roma. No caminho, passou por um charco em que havia muitos sapos coaxando . Ele prestou atenção e ouviu o que diziam, ficando triste e pensativo.
Chegou a Roma, no momento em que o papa acabava de falecer, e havia grande dúvida entre os cardeais  a quem nomear para suceder-lhe. Acabaram concordando que o homem para quem se manifestasse algum milagre divino seria o escolhido. O jovem entrou na igreja e, inesperadamente duas pombas brancas desceram do teto e pousaram no seus ombros.
O clero reconheceu nisso o sinal enviado pelo céu e na mesma hora perguntaram se ele queria ser papa.
Ele hesitou sem saber se merecia tal posto, mas as pombas disseram-lhe que podia aceitar e ele concordou.
Assim sendo o rapaz foi ungido e consagrado e com isso realizou-se o que ele ouvira os sapos dizerem no caminho e que tanto o perturbara.
Na sua primeira missa solene não sabia o que fazer e foram as duas pombas que , em seus ombros lhe disseram o que dizer.

****Este conto mostra que nunca devemos desdenhar dos nossos filhos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Três Ovinhos -Conto da África - Poder da Intuição

Há muito tempo, uma mulher vivia com seu marido e os dois filhos. O marido era cruel e forçava a esposa a trabalhar desde o alvorecer até o cair da noite, espancando-a sem motivo e queimando-a  com gravetos em brasa.
Finalmente, a mulher não suportou mais. Quando seu marido foi para uma caçada, ela muniu-se de coragem, juntou os dois filhos e fugiu para as montanhas. Havia várias aldeias além da colina, onde ela esperava encontrar trabalho para se sustentar e aos filhos. Ela andou muito com uma filha pequena às costas e o menino ao seu lado. Acompanhou o rio que na estação seca ficava quase sem água. Quando parou para descansar, observou um ninho de pássaros numa árvore sem folhas. Pegou o ninho, pensando que poderia servir de brinquedo para seus filhos e encontrou dentro dele três ovinhos. Disse aos filhos: - Cuidado para não quebrar os ovinhos.
Prosseguiram a viagem até cair a noite. Ela olhou à sua volta e não achou nada que servisse de abrigo, ficou com muito medo. Pensou:- O que vou fazer? Como vou proteger os meus filhos dos animais selvagens da floresta? De repente, uma vozinha respondeu: - “Vá pelo caminho da direita”. Ela espantou-se, pois a voz vinha de um dos ovos do ninho.
Realmente, à sua direita, havia um caminho quase escondido entre a mata. Ela seguiu a trilha e chegou numa grande cabana. Entrou e ninguém respondeu ao seu chamado. Dentro da cabana, havia vasilhas com leite fresco e muitos frutos maduros. Ela alimentou as crianças e comeu fartamente. Depois todos adoemeceram. Pela manhã, ela acordou os filhos e retornaram a caminhada pelas montanhas. Quando chegaram a um cruzamento na estrada, a mulher parou, indecisa quanto ao caminho a seguir.
“Escolha o da esquerda”, disse a voz do segundo ovo do ninho.
Ela seguiu o conselho e chegou a uma outra cabana. Lá dentro viu um ogro tão imenso que seu ronco fazia tudo tremer. Ele tinha pelos vermelhos, dois chifres e uma cauda comprida. Por toda parte havia tijelas de sangue. Ela não se moveu, com medo que ele acordasse e a devorasse junto com seus filhos, mas naquele momento, ela ouviu o terceiro ovo que dizia: “Pegue a pedra branca e redonda, perto da porta, suba no telhado e jogue-a no monstro. Ela disse: - A pedra é muito pesada, como posso levantá-la?
“Faça como estou dizendo” , disse a voz.
A mulher levou os filhos para cima do telhado, para mantê-los a salvo, e depois pegou a pedra perto da porta, que para sua surpresa não era tão pesada. Ergueu-a, subiu no telhado, olhou pela chaminé e preparou-se para jogar a pedra no monstro. Subitamente, outro ogro entrou na cabana, arrastando os corpos de várias pessoas. A muller abafou um grito, e deixou a pedra de lado. Pensou: Não posso matar dois de uma vez, um certamente vai nos pegar e nos comer!
“Espere até que durmam, então fuja”, falou um dos ovos.
Ela ficou quieta, acalmou os filhos, enquanto o ogro cozinhava e comia as pessoas que trouxera. Por fim os dois ogros, pegaram no sono.
Quando começaram a rncar, ela desceu do telhado com os filhos e fugiu. Começou novamente a caminhada e entrou por um caminho de mata fechada em que ela mal enxergava. De repente, após uma curva, ela chegou a uma clareira, onde havia enorme árvore sempre-viva. Ela parou horrorizada, porque embaixo da árvore, estava um monstro enorme, maior que os dois ogros, Tinha cabelos grossos, emaranhados, focinho de chacal, chifres enormes e um longo rabo.
Uma ogra! Falou aterrorizada. Viu que só podia seguir em frente passando por ela. O que vou fazer?, pensou.
Os três ovos responderam: “Pegue o machado que está perto da ogra, suba na árvore e deixe cair na cabeça dela. Ela não tinha alternativa. Subiu na árvore com os filhos e depois pegou o machado. Tremendo de medo, ela ficou no galho que estava bem em cima da ogra e deixou o machado cair. A ogra resmungou um pouco zonza.
“Rápido”, disseram os ovos. “Desça daí e use o machado para matá-la antes que ela acorde.”
A mulher desceu da árvore e, quando pegou o machado a ogra começou a abrir os olhos, mas a mulher correu na sua direção e golpeou-a com o machado. Ela guinchou, rolou para o lado e morreu. No momento seguinte, o corpo da ogra abriu-se no meio e delá saíram centenas de pessoas, além de bichos que a ogra comera. As pessoas rodearam a mulher e lhe agradeceram.
“Você nos libertou da ogra”, disseram. Ela nos engoliu inteiros e há anos estamos vivendo na sua barriga. Como sinal de nossa gratidão, queremos que você se torne nossa rainha.
A mulher contou que não fora ela que os salvara, mas os três ovos que estavam no ninho e apontou para o ninho. Nesse momento a terra tremeu, os ovos desapareceram e, em seu lugar surgiram três belos príncipes. O mais velho, ajoelhou-se diante da mulher que o libertou e disse: - Por causa da sua coragem você nos libertou, eu e meus irmãos, de um feitiço maligno. Ele aproveitou e pediu a mão dela em casamento, dizendo que ela estava livre porque seu marido havia morrido. Ela aceitou e perante o povo reunido, a corajosa mulher, agora rainha, desposou o príncipe. Dali em diante viveram felizes junto com as crianças. 

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O gigante que não tinha coração ( Grimm)


Era uma vez um rei q tinha sete filhos. Ele estava muito doente e precisava ser substituido, mas queria primeiro ver os filhos casados para depois escolher quem seria seu sucessor. Resolveu dar um cavalo para cada filho para que fossem procurar esposas, já que onde moravam não havia mulheres. Pediu ao mais novo que ficasse com ele para ajudá-lo no castelo e ele concordou, mas o rei pediu que os irmãos trouxessem uma esposa para o mais novo.
Os seis filhos partiram, cada um com seu cavalo e um pouco de comida. Foram em direção da floresta e começaram a procura das esposas. Andaram muitos dias e nada, a fome já estava ficando enorme, pois a comida acabara. De repente, viram ao longe uma luz acesa e se dirigiram para lá. Era um lindo castelo e eles bateram na porta e foram atendidos por um criado. Perguntaram se o rei estava e ele disse que sim. Pediu que entrassem e chamou o rei para falar com eles, pois achou-os muito sujos e esquisitos. Quando o rei chegou, eles contaram porque estavam tão sujos e a verdade sobre a busca de esposas. O rei mandou que tomassem banho, deu-lhes roupas limpas e convidou-os para jantar. Assim fizeram e, qual não foi a surpresa de todos, quando entraram no salão e viram, em volta da mesa, seis lindas jovens. Ficaram muito felizes e pediram ao rei se podiam desposar suas filhas. Ele concordou e, cada um, escolheu a sua preferida. Viveram um tempo no castelo até o casamento, mas depois pediram ao rei para irem ver o pai que os esperava para escolher o sucessor. Assim, despediram-se do rei e foram embora cada um no seu cavalo com a esposa atrás. Nem se lembraram do irmão mais novo. Andaram bastante, até um deles resolver cortar caminho por um atalho e todos concordaram, para encurtar a viagem. Porém, neste caminho morava um Gigante, o gigante sem coração, em uma gruta.Quando eles passaram por ela o gigante fez com que eles virassem estátuas de pedras com seus cavalos e esposas.
O rei, pai deles, estava cada dia mais doente e eles não davam notícia. O filho mais novo(parvo ou simplório), com pena do pai, resolveu que iria procurar os irmãos. O pai pediu que ele não fosse porque só havia uma égua velha no castelo e ele não chegaria a lugar nenhum. Mas ele estava disposto e montou na égua somente com um pedaço de pão para a viagem. Despediu-se do pai prometendo trazer os irmãos de volta ao castelo.
Lá se foi o rapaz andando pela floresta, andou muito até que resolveu sentar-se embaixo de uma árvore e comer um naco do seu pão. Quando comia ouviu uma voz que pedia se ele daria um pedaço para ele. Olhou e viu um Corvo no galho, tirou um naco do pão e deu ao corvo. Este agradeceu e disse-lhe que quando precisasse dele, era só chamar que ele o ajudaria. Ele agracedeu e seguiu viagem. Andou mais e mais e, novamente resolveu descansar, só que estava perto de um riacho e sentou-se na relva, mas logo escutou um gemido e, quando olhou era um Salmão que estava fora d’água se debatendo. Ele pegou-o e colocou dentro do riacho. O salmão disse-lhe que se precisasse dele era só chamar, e mergulhou. Ele continuou sua viagem, mas a égua já não se aguentava mais de pé, ele quase a levava nas costas, mas perto de uma estrada ele avistou um Lobo. Teve medo, mas logo o lobo disse que era amigo e só precisava comer pois a fome era muita. Pediu a ele que lhe desse a égua para comer e ele lhe ajudaria no que precisasse. O rapaz ficou sem saber o que fazer, mas realmente a égua estava mais morta do que viva e ele contou ao lobo porque estava viajando e, esse, na mesma hora, disse saber onde estavam seus irmãos. Sendo assim, ele concordou que o lobo comesse a égua. Após seu banquete, o lobo se fortaleceu e mandou que o rapaz montasse no seu lombo. Assim que ele montou, o lobo saiu em disparada e, rapidamente, chegou a gruta onde estavam os irmãos estátuas. Ele ficou sem saber o que fazer, mas o lobo disse que entrasse na gruta porque aquela hora o Gigante estava fazendo suas maldades. O lobo ficou na porta da gruta tomando conta para avisá-lo quando o gigante chegasse.
Quando o rapaz entrou na gruta teve uma surpresa, pois, sentada numa cama, estava um linda moça. Ele perguntou quem era ela e soube que estava ali pois o gigante sem coração que morava na gruta a tinha roubado de seus pais ainda criança e ela só sairia dali quando alguém encontrasse o coração do gigante e conseguisse matá-lo. O rapaz ficou em pânico, mas ela teve a idéia dele se esconder embaixo da cama e, quem sabe, descobririam onde estava o coração do gigante. Assim fizeram. Quando o Gigante chegou, sentiu cheiro de carne humana e teve um ataque, pois queria comer quem estivesse ali, mas a moça disse que eram ossos que os corvos tinham deixado cair. Ele jantou e foi deitar-se. A moça começou a conversar com ele e perguntar onde estava seu coração. Ele riu muito e disse que estava logo ali na soleira da porta, enterrado. Pela manhã, quando o Gigante saiu, eles foram cavucar a terra da soleira, mas não encontraram nada de coração. Para o gigante não perceber, encheram de flores a soleira da porta. Quando ele chegou ficou irritado, pois não gostava das flores. A moça disse que era para alegrar a casa, mas ele churtou as flores para fora da gruta. À noite foi tudo igual e o gigante disse que mentira e o coração estava dentro do armário do quarto. Pela manhã, eles começaram a busca no armário, mas nada encontraram. Ficaram decepcionados, mas pegaram mais flores e enfeitaram o armário com guirlandas.Mais uma vez o Gigante se enfureceu.Mas não desistiram. Naquela noite a moça foi muito meiga com o gigante, e ele já irritado com a mesma pergunta todos os dias disse : “Ninguém encontrará meu coração, porque está dentro de uma Igreja que tem um Poço no meio e dentro do poço tem um Pato e dentro do pato tem um Ovo e dentro do ovo está meu Coração.” Como pode perceber é impossível alguém achá-lo. Pela manhã eles estavam tristes, mas o rapaz resolveu tentar achar a Igreja e contou tudo para o lobo, seu amigo. Este, disse para ele montar no seu lombo, que rapidamente estariam na Igreja. Assim foi feito, e logo o rapaz avistou a Igreja. Chegando perto, viram que estava fechada e a chave estava no alto e não conseguiam pegar. Na mesma hora ele lembrou-se do Corvo da estrada e para sua surpresa este apareceu e pegou a chave na parede e deu-lhe para que abrisse a Igreja. Lá dentro ele viu logo o Poço e chegou perto, mas era muito fundo e o Pato nadava lá embaixo. Tentou puxá-lo com dificuldade, mas quando segurou o pato o Ovo caiu no fundo do Poço. Ele ficou desesperado, mas para sua surpresa viu que o Salmão estava dentro do Poço e pegara o Ovo para ele. Ficou radiante com o Ovo nas mãos, mas o lobo lhe disse que, primeiro ele teria que mandar o gigante retirar o feitiço dos seus irmãos e depois ele o mataria. Ele apertou o coração e o gigante gritou. O lobo foi até ele e contou que o rapaz estava com seu coração nas mãos e que ele teria que desfazer as estátuas e mandá-los embora. Quando o lobo voltou, o rapaz apertou com força o Ovo e o Gigante morreu. Eles voltaram até a Gruta, para ver se a moça ainda estava lá e, para felicidade do rapaz, ela estava ainda sentada na cama.Seus irmãos já tinham partido. Ele pediu que ela fosse com ele para conhecer seu pai e ela aceitou. Os irmãos, já tinham chegado ao Castelo e contaram muitas mentiras ao pai, inclusive que, realmente não encontraram o irmão e não tinham trazido esposa para ele por só encontrarem as seis. O pai ficou muito triste pois amava o seu caçula. Porém, no dia seguinte, para surpresa de todos, o rapaz chegou com a linda moça, montados no Lobo. O pai não entendeu nada e então, ele contou toda a história que havia vivido e que fora ele que salvara os irmãos e as esposas deles. O pai ficou radiante, mesmo estando doente, quis festejar o acontecimento e disse que ele seria o seu sucessor e a moça a rainha. Quem ficou mais feliz foi o Lobo que passou a viver com eles no castelo, mas os irmãos ficaram tristes, porque dali em diante tiveram que ser somente empregados do castelo junto das esposas.

domingo, 1 de março de 2009

Os três fios de ouro do cabelo do diabo


Um conto dos irmãos Grimm
Era uma vez, uma pobre mulher que teve um filhinho, e porque ele nasceu envolto numa membrana-da-sorte, foi-lhe profetizado que, aos quatorze anos, ele receberia a filha do rei por esposa.
Pouco tempo depois, o rei chegou à aldeia , e ninguém sabia que ele era o rei. Quando ele preguntou às pessoas o que havia de novo por ali, elas responderam:
- Um dia destes, uma mulher deu à luz uma criança empelicada. Qualquer coisa que uma criança dessas empreender, sempre dará certo e lhe trará sorte. E também foi profetizado, que, aos quatorze anos, ele receberia a filha do rei como esposa.
O rei, que tinha o coração perverso, ficou irritado com essa profecia , foi até aos pais , fingindo muita bondade, e disse:
- Pobre gente que vocês são, já têm tantos filhos que podem me entregar esse para que eu cuide dele.
No começo os pais recusaram, mas como aquele homem estranho lhes oferecia grande soma em dinheiro, eles pensaram: - “Nosso filho é uma criança-de-sorte, isso deve ser para o seu bem”, e concordaram de entregar o filho ao homem.
O rei colocou-o dentro de uma caixinha e saiu cavalgando com ele, até chegar a uma água bem funda. Então, jogou a caixa na água, pensando: “Deste pretendente minha filha está livre!”
Mas a caixinha não afundou, flutuou como um barquinho, sem deixar passar para o bebê nem uma gota de água. Assim, foi navegando até bem longe do reino, onde havia um moínho, em cuja barragem ficou presa. Um aprendiz de moleiro, que por sorte estava por ali e viu a caixa, puxou-a para fora com um gancho, pensando que encontrara algum tesouro. Quando ele olhou na caixa, viu um lindo menino dentro dela, muito bem disposto. Então, levou-o ao casal de moleiros, e como eles não tinham filhos, ficaram muito contentes e disseram:
- Deus nos mandou um presente.
Eles cuidaram bem da criança e ele cresceu e se criou com muito caráter e sempre ajudando os pais.
Aconteceu que, num dia de tempestade, o rei entrou no moínho para esperar a tempestade passar e viu o rapaz. Perguntou aos moleiros se era seu filho.
- Não, responderam eles, ele é um enjeitado. Há quatorze anos ele chegou aqui na barragem dentro de uma caixa, nosso aprendiz o tirou da água e nós o criamos como filho.
Neste momento o rei teve certeza que era a criança que jogara na água, ele disse:
- Minha boa gente, será que este rapaz poderia levar uma carta para a raínha? Eu lhe darei duas moedas de ouro como pagamento.
Os moleiros, submissos, responderam, como o senhor rei ordenar e mandaram o rapaz se preparar.
O rei escreveu uma carta à rainha, na qual dizia: “Assim que este rapaz, portador desta carta, chegar, ele deverá ser morto e enterrado, isso deverá ser feito antes da minha volta”.
O rapaz Pôs-se a caminho com a carta no alforge, mas perdeu-se e chegou ao anoitecer numa floresta. Wle viu uma pequena luz ao longe e dirigiu-se para lá, era uma casinha pequena. Ele entrou, porque a porta estava aberta, e, lá dentro viu uma velha sentada junto ao fogo. Ela assustou-se e perguntou:
- De onde você vem e para onde você quer ir?
- Venho do moínho, disse ele, vou procurar a senhora raínha , a quem devo entregar uma carta. Porém, como me perdi na floresta, gostaria de passar a noite aqui.
- Pobre garoto, disse a velha, você veio parar numa casa de salteadores. Quando eles voltarem vão matá-lo.
- Pode vir quem quiser, disse o rapaz, eu não tenho medo. Estou tão cansado e não posso mais andar. Ele se espichou num banco e adormeceu.
Logo depois dele ter dormido chegaram os salteadores e perguntaram , furiosos, quem era o estranho deitado alí e dormindo?
- Ora, disse a velha, é apenas um inocente que se perdeu ma floresta e eu deixei que ficasse aqui para descansar, porque ele vai levar uma carta para a raínha.
Os salteadores foram no alforge do rapaz e pegaram a carta e leram o que estava escrito. Então, eles sentiram dó do rapaz e escrveram outra carta, dizendo que assim que o rapaz chegasse , devia casar com a princesa , filha do rei.
Pela manhã o rapaz agradeceu e seguiu viagem sem saber que as cartas foram trocadas do seu alforge.
Quando chegou ao ´palácio deu a carta à raínha que a leu e fez o que rei ordenava. Mandou preparar uma grandiosa festa de casamento e a princesa casou-se com o rapaz filho-da-sorte.Ela gostou porque o rapaz era belo e educado.
Passado algum tempo, o rei voltou e viu que sua filha estava casado com o rapaz que ele mandara matar.
Chamou a raínha e perguntou: - Como foi que isso aconteceu? Eu dei outra ordem na carta que mandei.
Porém, a raínha lhe mostrou a carta que recebera e disse que ele podia ler o que estava escrito. O rei leu e logo percebeu que a carta havia sido trocada. Chamou o rapaz e perguntou o que acontecera com a outra carta que ele lhe entregara.
Eu não sei de nada disse o rapaz. Só se foi trocada na noite que dormi na floresta.
Raivoso o rei falou:
- Isto não vai ficar assim. Quem quiser a minha filha , terá de trazer-me do inferno, três fios de ouro da cabeça do diabo.Se você conseguir ficará com a princesa.
O rei esperava livrar-se de vez do rapaz, mas o filho-da-sorte respondeu: - Vou buscar os cabelos de ouro. Não tenho medo do diabo.
Dizendo isso, o rapaz despediu-se da princesa e começou sua busca.
O caminho levou-o a grande cidade , onde o guarda do portão lhe perguntou qual era o seu ofício e o que ele sabia .
- Eu sei tudo, - respondeu o filho-da-sorte.
- Então, você pode fazer-nos um favor, - disse o guarda, explicando-nos por que o poço da nossa praça do mercado, que sempre fez brotar vinho , agora está seco e não nos dá nem água.
- Isso vocês vão saber quando eu voltar. Esperem por mim.
O rapaz continuou seu caminho e chegou a outra grande cidade. Lá os guardas do portão também lhe perguntaram qual era o seu ofício e o que ele sabia.
- Eu sei tudo, - respondeu o filho-da-sorte.
- Então, você poderá fazer-nos um favor, explicando-nos por que razão uma árvore que temos nesta cidade, que sempre deu maçãs de ouro, agora não nascem nem mesmo folhas.
- Isso vocês ficarão sabendo quando eu voltar. Esperem por mim. E continuou seu caminho, até que chegou a um grande rio que precisava atravessar. O barqueiro perguntou-lhe por que ele sempre tinha que ir e vir e nunca podia se libertar do barco.
- Isso você ficará sabendo quando eu voltar. Esper por mim.
- Atravessou o rio com o barqueiro e encontrou a entrada do inferno. Lá dentro estava tudo escuro e o diabo não se encontrava em casa, mas para sua surpresa a sua avó estava sentada numa grande poltrona e lhe perguntou quando o viu.
- O que você quer? – perguntou ela mansamente e com bondade.
- Eu gostaria de ter três fios de ouro da cabeça do diabo, senão perderei minha esposa.
- Isso é querer muito, - disse ela. Quando o diabo voltar e o encontrar aqui, você vai se dar mal. Mas tenho dó de você e vou tentar ajudá-lo.
Então, ela o transformou em formiga e disse:
- Esconda-se na barra da minha saia, você ficará seguro.
- Sim, disse ele, isto já é bom, mas eu gostaria de saber três coisas também: por que o poço que dava vinho não dá mais; por que a árvore que dava maçãs de ouro também está seca e por que o barqueiro tem sempre de estar indo e vindo, sem nunca poder se libertar?
Essas são perguntas difíceis, mas fique bem quieto e preste atenção no que o diabo disser quando eu lhe arrancar os três cabelos de ouro.
Quando anoiteceu, o diabo chegou em casa e percebeu cheiro de carne humana. Espiou por todos os lados , mas nada encontrou. A avó brigou com elepor ter desarrumado toda a casa e mandou que sentasse para jantar.
Depois de comer muito e beber o diabo pediu que a avó catasse seus piolhos. Não demorou muito e ele adormeceu. A velha aproveitou e puxou um fio do cabelo e guardou no bolso do avental.
- Ai! Gritou o diabo, - o que está fazendo?
- Tive um mal sonho e me agarrei nos seus cabelos.
- O que foi que sonhou?
- Sonhei que um poço de uma cidade que dava vinho secou. Por que será?
- Ah, se eles soubessem que é um sapo que está escondido no fundo eles o matariam e voltavam a ter vinho.
A avó continuou catando os piolhos até que ele dormiu novamente e ela arrancou outro fio de cabelo e colocou no bolso do avental.
- Ui! O que está fazendo agora? Gritou ele zangado.
- Meu neto, tive outro sonho estranho.
- E o que você snhou?
- Sonhei que num certo reino, havia uma árvore que dava maçãs de ouro e agora não dá nem folhas.
- Se eles soubessem! – disse o diabo. É um rato que está roendo a raiz da árvore e se o matarem tudo voltará a ser como antes. Mas vovó se me acordar de novo dou-lhe um bofetão!
- A avó acalmou-o, catou-lhe mais piolhos e ele voltou a dormir. Aí ela arrancou o terceiro fio de cabelo e colocou no bolso. O diabo deu um pulo do seu colo berrou que ia fazer e acontecer, mas ela pediu desculpas pois tinha tido outro sonho esquisito.
- Qual foi o sonho desta vez?
- Bem, sonhei com um barqueiro que reclamava de viver indo e vindo sem poder se libertar.
- Ora, o bobalhão tem que aproveitar quando vier alguém andar no seu barco ele aproveita e dá o remo na mão da pessoa e ele ficará livre pulando na margem.
Como a avó já conseguira arrancar os três fios de cabelo e sabido as respostas às três perguntas, ela deixou-o dormir sossegado.
Pela manhã quando o diabo saiu para fazer suas maldades, a velha tirou a formiga da barra da saia e fez o rapaz voltar a sua forma humana.
- Aqui tem três fios do cabelo de ouro do diabo e as respostas você deve ter ouvido.
- Sim, respondeu o rapaz, escutei tudo e não me esquecerei.
Ele agradeceu muito a velha avó pela ajuda, e saiu do inferno, bastante contente por ter tanta sorte. Quando chegou à margem o barqueiro logo perguntou se ele tinha alguma resposta.
- leve-me primeiro para a outra margem e vou lhe dizer como você poderá se libertar.
Quando desceu do barco disse ao barqueiro como se livrar. Era só colocar o remo na mão de quem estivesse no barco.
Ele continuou seu caminho de volta e chegou na cidade da árvore e disse : Matem um rato que rói a raiz da árvore e tudo voltará a ser como antes. O guarda lhe agradeceu e deram-lhe de recompensa dois burros carregados de ouro.
Ele andou mais e chegou na cidade do poço. Disse ao guarda que matassem o sapo que havia no fundo e teriam vinho novamente.O guarda agradecido lhe deu mais dois burros carregados de ouro.
Finalmente o filho-da-sorte chegou ao palácio e pode encontrar sua mulher que o esperava e ficou muito feliz dele ter conseguido trazer os três fios de ouro do cabelo do diabo.
Ele entregou os três fios ao rei e quando o rei viu os quatro burros cheios de ouro, ficou muito contente e disse que ele podia ficar casado com sua filha. Porém, disse o rei, quero que você me diga de onde vem todo este ouro?
- Bem, disse o rapaz, atravessei o rio e peguei o ouro ali, na margem.
- Será que eu também posso ir buscar um pouco deste ouro? Perguntou o rei ambicioso.
- Quando o senhor quiser, respondeu o rapaz. Há um barqueiro que vai levá-lo para a outra margem, onde poderá encher muitos sacos de ouro.
O rei ganancioso resolveu partir sozinho e com pressa. Chegou e viu o barqueiro pedindo para atravessá-lo. O barqueiro quando chegou na outra margem pegou o remo e colocou na mão do rei e pulou rápido para a margem. E o rei, desde então, virou barqueiro indo e vindo de lá pra cá e de cá pra lá.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A História das Três Romãs

O filho do rei, estava jantando, quando cortou o dedo e uma gota de sangue caiu na ricota que comia. Disse ele à mãe:
Mãe, eu gostaria de ter uma mulher branca como o leite e vermelha como o sangue.
Meu filho, quem é branca não é vermelha e quem é vermelha não é branca. Mas tente encontrá-la.
O rapaz, pôs-se a caminho. Anda que anda, encontrou uma mulher que perguntou-lhe: “Rapaz, aonde vais?”
Ele repondeu: Vou dizer logo à você, que é mulher?
Anda que anda, encontrou um velhinho que perguntou-lhe: “Rapaz, aonde vais?”
Para o senhor posso dizer, avozinho, pois certamente há de saber mais do que eu. Procuro uma mulher branca como o leite e vermelha como o sangue.
O velhinho lhe disse: “Meu filho, quem é branca não é vermelha e quem é vermelha não é branca. Porém, pegue estas três romãs. Abra-as e veja o que sai de dentro delas. Mas só o faça perto de uma fonte.
Assim fez o jovem, abriu uma romã e de dentro dela pulou uma linda moça branca como leite e vermelha como o sangue, que logo gritou:
Rapazinho dos lábios de ouro
Dê-me de beber, senão eu morro.
O rapaz pegou água com a concha das mãos e ofereceu-lhe, mas não o fez em tempo e a linda moça morreu.
Logo ele abriu outra romã e dela pulou outra linda jovem, mais bela ainda, que disse:
Rapazinho dos lábios de ouro
Dê-me de beber senão eu morro.
Novamente não deu tempo dele levar a água e a moça morreu.
Muito preocupado, abriu a terceira romã e dela saiu outra belíssima moça. O jovem então, jogou água em seu rosto e ela sobreviveu. Porém, ela estava nua e o jovem colocou o seu casaco nos ombros dela dizendo: - Suba nesta árvore, pois vou buscar roupas para vestí-la e uma carruagem para levá-la ao palácio.
A moça subiu na árvore perto da fonte. Mas, naquela fonte, todos os dias, ia buscar água a Feia Sarracena. Ao pegar a água neste dia ela viu o rosto da moça que estava na árvore, refletido na água.
E terei eu, tão delicadinha,
De vir atrás da água com essa tigelinha?
E, sem pensar em mais nada, jogou a bilha no chão, fazendo-a em pedaços e voltou para casa.
Sua patroa chamou-a. “Feia Sarracena, como se atreve a voltar para casa sem água e sem a bilha?” Deu-lhe outra bilha e mandou que ela voltasse à fonte. Novamente,ela viu o belo rosto refletido na água e pensou: “ Ah! Sou linda mesmo!!!”
E terei eu, tão delicadinha,
De vir atrás da água com a tigelinha?
Mais uma vez jogou a bilha no chão. A patroa voltou a repreendê-la e fez com que voltasse novamente à fonte, mas aí, a moça que estava sempre quieta começou a rir quando ela quebrou mais uma bilha.
A Feia Sarracena ergueu os olhos e a viu.
Ah, era você? E me deixou quebrar três bilhas? Porém, és realmente muito bonita, gostaria de penteá-la.
A moça não quis descer da árvore, mas a Feia Sarracena insistiu. Deixe penteá-la, pois ficará mais bonita ainda!
Fez com que a moça descesse, soltou-lhe os cabelos, viu que trazia um alfinete na cabeça. Pegou-o e espetou-o numa orelha. Caiu uma gota de sangue da moça e depois ela morreu. Mas a gota de sangue, assim que tocou o chão, transformou-se numa bela pombinha que saiu voando.
A Feia Sarracena foi empoleirar-se na árvore. O filho do rei regressou com o vestido e a carruagem, mas assim que a viu, disse:
Você era branca como o leite e vermelha como o sangue, como é que ficou tão negra???
E a Feia sarracena respondeu:
O sol apareceu
E essa cor me deu.
O rapaz perguntou, como é que mudou de voz?
E ela:
Deu uma ventania
Que provocou minha afonia.
E o rapaz:
Mas você era tão linda e agora está tão feia!
E ela:
Também a brisa soprou
E a beleza me carregou!
O rapaz deu-lhe um basta, colocou-a na carruagem e levou-a para casa.
Desde o momento em que a Feia Sarracena instalou-se no palácio, como a esposa do filho do rei, a pombinha pousava todas as manhãs na janela da cozinha e perguntava ao cozinhairo:
Ó cozinheiro, cozinheiro que dá pena,
Que faz o rapaz com a Feia Sarracena?
- Come, bebe e dorme. Respondia o cozinheiro.
E a pombinha:
Um belo prato de sopa pra pombinha,
E plumas de ouro pro mestre da cozinha.
O cozinheiro lhe dava um prato de sopa e a pombinha dava uma sacudidela, fazendo cair as penas de ouro. Depois levantava vôo.
Na manhã seguinte retornava:
Ó cozinheiro, cozinheiro que dá pena,
Que faz o rapaz com a Feia Sarracena?
Novamente o cozinheiro dava a mesma resposta.Come, bebe e dorme. Mais uma vez ela pedia a sopa e deixava sua penas de ouro para o cozinheiro.
Passado algum tempo, o cozinheiro foi até o filho do rei e lhe contou tudo. O rapaz ouviu e lhe disse:
Amanhã, quando a pombinha voltar, agarre-a e traga para mim, pois quero tê-la comigo.
A Feia Sarracena, que ouvira tudo às escondidas, achou que aquela pombinha não era um bom augúrio, e, quando na manhã seguinte, ela tornou a pousar na janela da cozinha, a Feia Sarracena foi mais rápida que o cozinheiro, e atravessou-a com um espeto e a matou.
A pombinha morreu. Porém, uma gota de sangue caiu no jardim, e, naquele lugar logo nasceu uma romãzeira.
Essa árvore possuía a virtude de salvar quem estivesse para morrer. Bastava comer uma de suas romãs e a pessoa se curava. Havia sempre uma grande fila de pessoas que iam pedir ajuda à Feia Sarracena, ou seja, ganhar uma fruta de esmola.
Acabou que na árvore só restou uma romã, a maior de todas, e a Feia Sarracena disse: “Esta vou guardar para mim.”
Apareceu no palácio uma velha, que lhe pediu aquela romã, porque o seu marido estava morrendo.
A Feia Sarracena disse-lhe que só lhe restava uma e ela queria guardar para enfeite. Porém, o filho do rei interveio dizendo: “ Pobre mulher, seu marido está à morte, tens que dar a romã para ela.
Assim, a velha voltou para casa com a romã e viu que seu marido já estava morto. Pensou então: “Vou guardar esta romã de enfeite!”
Todas as manhãs, a velha ia à missa. Enquanto estava na missa, a moça saía da romã, acendia o fogo, varria a casa, fazia a comida e arrumava a mesa. Depois voltava para dentro da romã. A velha, quando chegava em casa e achava tudo pronto não conseguia entenderr nada.
Certa manhã, confessou ao padre, tudo que acontecia em sua casa, e este lhe disse:
Sabe o que deves fazer? Amanhã, finja que sai para a missa e se esconda em casa. Assim, descobrirá quem é responsável por tudo isso. A velha fez o que o padre mandou, observou tudo, mas não deu tempo da moça entrar na romã.
De onde vens? Perguntou a velha.
E ela: Tenha piedade, não me mate, não me mate.
Não a mato, mas preciso saber de onde vens.
Vivo dentro desta romã... e lhe contou toda a história.
A velha a vestiu de camponesa, e no domingo, levou-a à missa.
O filho do rei também estava na missa e a viu, pensou então: “Ó Jesus! Parece-me que aquela é a jovem que encontrei na fonte”. Ele esperou a velha no fim da missa e perguntou:
Diga-me de onde vem aquela jovem?
Não me mate, pediu a velha.
Não tenha medo. Quero apenas saber de onde ela vem.
Veio da romã que vossa magestade me deu.
Também ela numa romã? Exclamou o rapaz e dirigiu-se à jovem.
Como você foi parar dentro de uma romã, perguntou-lhe.
A moça então, contou-lhe toda a história.
Ele regressou ao palácio junto com a moça e lhe pediu que contasse tudo diante da Feia Sarracena.
Ouviu bem, disse ele à Feia Sarracena ao final do relato da moça. Não quero ser eu a condená-la à morte. Escolha você sua própria sentença.
A Feia Sarracena vendo que não havia escapatória, disse:
Mande fazer uma camisola de piche para mim e me queime no meio da praça. Assim foi feito.
O filho do rei, então, conseguiu ser feliz com a linda moça, desposando-a e tendo com ela vários filhos
.

A Moura Torta

Era uma vez, um rei, com três filhos, que não tendo dinheiro para dotá-los, deu a cada um, uma melancia, contendo a sina de cada um, e eles saíram para correr o mundo. Porém, o rei, recomendou que não abrissem a melancia em lugar onde não houvesse água.
Os três saíram. O filho mais velho, ansioso por saber de sua sina, abriu a melancia logo adiante à beira do caminho. De dentro da melancia pulou uma moça muito linda que começou a gritar: “Dai-me água ou leite!” Mas como ali não houvesse água nem leite, ela inclinou a cabecinha e morreu.
O filho do meio, que havia tomado outra estrada, também resolveu conhecer sua sina e abriu a melancia em um lugar sem água por perto. Surgiu de dentro uma jovem ainda mais bela, que disse: “Dai-me água ou leite!” Mas como não houvesse água nem leite, ela tombou a cabecinha para o lado e morreu.
O filho mais moço, porém, deu mais tento à recomendação do pai, de modo que só abriu a sua melancia perto de uma fonte. Também de dentro pulou uma moça lindíssima, que pediu água ou leite. O rapaz deu-lhe água da fonte, e ela bebeu até se fartar. Mas como estivesse nua, ele pediu-lhe que subisse numa árvore perto da fonte e ficasse bem escondida entre as folhas, enquanto ele iria buscar-lhe um vestido. A moça subiu na árvore e se escondeu como foi pedido.
Passado um tempo, apareceu uma Moura-Torta, com um pote na cabeça. Vinha enchê-lo naquela fonte. A moça lá de cima da árvore ficou a espiar. Quando a Moura olhou para a água e viu o reflexo da moça, achou que fosse o seu e ficou muito irritada dizendo: - “ Ora, que desaforo! Eu sou assim tão bela, como posso viver carregando água para os outros???” Jogou o pote no chão, quebrando-o todo.
Mas, ao voltar para casa, tomou uma descompostura da patroa, que a mandou de volta à fonte com outro pote. Novamente, a Moura viu o reflexo da moça na água, e quebrou o outro pote. Neste momento a moça deu uma gargalhada. A Moura-Torta olhou para cima e percebeu o que estava acontecendo, ela via o reflexo da moça pensando que era ela! Jurou vingar-se.
- Linda, linda moça, disse em voz macia a Moura-Torta. Que bela cabeleira tu tens, minha flor... tenho vontade de correr os dedos por esses lindos fios de ouro! Deixa que eu te penteie?
A moça, sem desconfiar de nada, disse que estava esperando um rapaz, que fora buscar uma roupa para ela, mas que deixava que ela a penteasse. A Moura então, subiu na árvore e começou a pentear a belíssima cabeleira da moça. Súbito, zás!!! Fincou-lhe um alfinete na cabeça. Imediatamente, a moça virou uma pombinha e voou. A Moura-Torta, muito contente ficou no lugar dela, tirando a roupa para ver o que ia acontecer.
Logo depois, apareceu o rapaz com o vestido para a linda moça, mas ao ver a sua bela transformada naquele monstro, arregalou os olhos de susto.
- Que queres? Disse a Moura. Demoraste tanto que o sol me queimou, deixando-me escura assim.
O rapaz deu um suspiro, mas como tratava-se de sua sina, não podia evitar o acontecimento. Deu-lhe o vestido e levou-a para o palácio de seu pai e, com ela se casou, sagrando-se rei, mas sempre na maior tristeza.
Desde o primeiro dia de casados, começou a aparecer no palácio uma pombinha, que pousava nas árvores e dizia ao jardineiro: “Jardineiro, jardineiro, como vai o rei meu senhor e mais a sua Moura-Torta?” Dizia isso e voava para longe. Mas tanto repetiu esse comportamento, que o jardineiro contou para o rei o que estava acontecendo.
O rei que andava triste e desconfiado, mandou fazer uma armadilha de prata para pegar a pombinha, mas ela não caiu. Mandou fazer uma de ouro e nada. Tentou uma de diamantes e nem assim conseguiu pegá-la. O jardineiro resolveu fazer uma armadilha de visgo e, nessa, ela ficou presa. O jardineiro levou-a ao rei, o qual colocou-a numa linda gaiola.
Imediatamente, a Moura-Torta percebeu o que estava acontecendo e manifestou um desejo de comer a pombinha, dizendo que estava grávida.Tanto insistiu que o rei foi obrigado a dar licença para aquele crime. No dia em que a pombinha ia ser morta, o rei quis pegá-la em sua mãos. Ao pegá-la afagou sua cabecinha e sentiu um carocinho, olhou bem de perto e viu que era um alfinete. Puxou-o e, logo surgiu a sua linda moça da melancia.
Ele tomou um susto e disse: “És tu, minha amada! “
A moça contou-lhe o que ocorrera perto da fonte e toda a confusão feita pela Moura-Torta.
O rei ficou furioso com toda essa traição, chamou a Moura-Torta e perguntou o que ela faria com alguém que fosse um traidor. Ela disse que mandaria amarrar o culpado nas patas de um cavalo bravo e soltá-lo pelos campos.
O rei, então, disse-lhe que acabara de pronunciar a sua sentença. Chamou os empregados e fez que cumprissem o que a Moura-Torta decidira. Amarraram-na nas patas de um cavalo bravo e a soltaram. Assim, ninguém mais soube da Moura-Torta.
O rei e a sua linda moça, agora rainha, deram início a uma vida de pura felicidade!!!