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domingo, 10 de junho de 2012

As Três Casinhas! (Ítalo Calvino)




Ao morrer, uma pobre mulher chamou suas três filhas, e disse:- minhas filhas dentro de pouco tempo estarei morta e vocês vão ficar sozinhas no mundo.Quando eu não estiver mais aqui , façam assim: procurem seus tios e peçam que construam uma casa para cada uma. Queiram-se bem.
As três moças saíram chorando.Puseram-se a caminho e encontraram um tio, fabricante de esteiras. Catarina , a mais velha , disse:
- Tio, nossa mãe morreu; o senhor que é tão bom, faça uma casa de esteiras para mim.
E o tio, fabricante de esteiras, fez a casinha de esteiras para ela.
As outras duas irmãs seguiram em frente e encontraram um tio , marceneiro. Disse Júlia , a do meio: - Tio nossa mãe morreu; o senhor , que é tão bom , faça uma casa de madeira para mim.
E o tio, marceneiro , fez a casinha de madeira para ela.
Restou só a Marieta, a caçula, e seguindo o seu caminho encontrou um tio, ferreiro.
- Tio – disse-lhe- mamãe morreu; o senhor, que é tão bom, faça uma casinha de ferro para mim.
E o tio, fereiro, fez a casinha de ferro para ela.
À noite, apareceu o lobo. Foi à casinha de Catarina e bateu à porta. Catarina perguntou:
- Quem é?
- Sou um pobre pintinho, todo molhado; abra para mim por caridade.
- Vá embora;você é o lobo e quer me devorar.
O lobo deu um empurrão nas esteiras, entrou e devorou Catarina de uma só vez.
No dia seguinte, as duas irmãs foram visitar Catarina. Encontraram as esteiras arrancadas e a casinha vazia.
- Oh, coitadas de nós! – disseram. Certamente o lobo engoliu nossa irmã mais velha.
Ao anoitecer, reapareceu o lobo e foi à casa de Júlia. Bateu, e ela:
-Quem é?
- Sou um pintinho desgarrado, dê-me abrigo por piedade.
- Não você é o lobo e quer me devorar como fez com minha irmã.
O lobo deu um empurrão na casinha de madeira, escancarou a porta e Julia sumiu na sua goela.
De manhã, Marieta vai visitar Julia, não a encontra e diz com seus botões: “O lobo a devorou! Pobre de mim, fiquei sozinha neste mundo”.À noite, o lobo foi à casinha de Marieta.
-Quem é?
- Sou um pobre pintinho gelado de frio, estou lhe implorando, deixe-me entrar.
- Vá embora, pois é o lobo e, do mesmo modo como devorou minhas irmãs, quer me devorar.
O lobo dá um empurrão na porta, mas a porta era de ferro como toda a casa e o lobo quebra um ombro. Urrando de dor, corre até o ferreiro.
-Conserte o meu ombro.
- Conserto o ferro, não ossos – disse o ferreiro.
-Acontece que arrebentei os ossos com o ferro, portanto é você quem  deve me consertar. – disse o lobo.
Então o ferreiro pegou o martelo e os pregos e lhe consertou o ombro.
O lobo voltou à casa de Marieta e se pôs a falar bem perto da porta:
- Escute, Marietinha, por sua culpa quebrei um ombro, mas gosto de você assim mesmo. Se sair comigo amanhã cedo, vamos colher grãos-de-bico num campo aqui perto.
Marieta respondeu:
- Sim,sim. Venha me buscar às nove.
Mas, esperta como era, percebera que o lobo queria apenas fazê-la sair de casa para devorá-la. Por isso, no dia seguinte, levantou-se antes da aurora , foi ao campo e colheu um avental cheio de grãos-de-bico e voltou para casa. Pôs os grãos para cozinhar e jogou as cascas pela janela. Às nove, apareceu o lobo.
- Marietinha, venha comigo colher grãos-de-bico.
- Não, não vou de jeito nenhum, já colhi os grãos, olhe embaixo da janela e verá as cascas.
O lobo estava com raiva, mas disse: amanhã vamos colher tremoços, te pego às nove.
-Sim, sim disse Marieta.
Porém, ela no dia seguinte levantou cedo outra vez, foi ao campo, colheu os tremoços e levou para casa para cozinhá-los.
Quando o lobo veio buscá-la mostrou as cascas embaixo da janela.
O lobo estava muito nervoso e jurou vingança, mas falou com ela:
- espertinha, me enganou outra vez. Mas gosto muito de você e amanhã venho te buscar para conhecer um campo cheio de abóboras.
- Mas é claro que vou.
No dia seguinte correu ao campo de abóboras, mas o lobo não esperou às nove e correu também para o campo bem cedo.
Assim que Marieta viu o lobo ao longe, não sabendo para onde fugir, fez um buraco numa grande abóbora e se escondeu lá dentro. O lobo que sentia o cheiro dela, farejou as abóboras e não encontrou nada. Pensou então:Ela já deve ter voltado para casa. Vou me fartar de comer abóboras.
Marieta tremia ao sentir que o lobo se aproximava de sua abóbora imaginando que a comeria junto, mas quando ele chegou perto da abóbora que ela estava ele já não aguentava mais.
- Nossa, esta é tão grande, vou levar de presente para a Marieta, para ver se ela fica minha amiga. Pegou a abóbora com os dentes e correu até a casinha de ferro da Marieta, jogando a abóbora pela janela.
- Minha Marietinha!!!!disse ele, olha que lindo presente eu lhe trouxe.
Marieta já dentro de casa em segurança, pulou de dentro da abóbora, fechou a janela e provocou o lobo: - Obrigada, amigo lobo, eu estava escondida na abóbora que você trouxe para mim!!!!!
Ao ouvir isto, o lobo começou a bater a cabeça contra as pedras.
À noite estava fria e Marieta se aquecia junto da lareira quando ouviu um barulho na chaminé. Pensou logo: “é o lobo que vem me devorar”. Pegou um caldeirão na cozinha, bem grande e colocou no fogo da lareira para ferver. Quando o lobo desceu devagar pela chaminé e deu um salto achando que ia pegar a moça, caiu dentro do caldeirão e acabou morrendo.
Mesmo triste com a perda das irmãs, Marieta passou a viver tranquila sem o grande inimigo, o lobo.
                                       

sábado, 24 de julho de 2010

As Duas Irmãs


(IRMÃS E LIBERTAÇÃO) – CONTO DA NAÇÃO IGBO – ÁFRICA)



Há muito tempo, duas irmãs, Omelumma e Omeluka, adoravam brincar ao ar livre, rir e correr para todo lado. Certo dia, seus pais saíram para a feira que era um pouco longe de casa, e recomendaram: - Cuidado com os animais da terra e do mar, porque muitas pessoas já foram levadas pelos monstros. Fiquem dentro de casa e não façam muito barulho. Quando fizerem comida, acendam um fogo pequeno, para que a fumaça não atraia os animais. E, quando secarem os grãos, façam em silêncio, para que os monstros não ouçam.

Porém, disse o pai, o mais importante, é que não saiam para brincar com outras crianças. Fiquem dentro de casa. As duas concordaram com tudo. Acenaram em despedida quando os pais se afastaram.

Ficaram dentro de casa a manhã inteira, mas conforme as horas iam passando, aumentava a sensação de fome. Então, começaram a socar os grãos para fazer uma papa, e aquilo virou logo uma brincadeira. Elas riam e faziam muito barulho. Aí acenderam um grande fogo para que a comida ficasse pronta mais depressa, esquecendo-se da advertência dos pais.

Após comer até se fartar, as duas viram os amigos brincando no campo e foram correndo brincar com eles.

Enquanto brincavam, um rugido imenso saiu de dentro da mata e outro veio do mar, aparecendo muitos monstros que cercaram as crianças. Aterrorizadas, as duas correram, mas foram separadas. Os monstros do mar carregaram Omelumma e os da terra Omeluka.

As duas pensaram, - se tivéssemos ouvido nossos pais. Agora seremos devoradas pelos monstros. Porém, eles não as devoraram, mas as venderam como escravas em lugares muito distantes de sua terra.

Omelumma foi escolhida por um homem, que comprou-a e casou-se com ela.

Omeluka, mais jovem, não teve a mesma sorte. Foi escolhida por um homem cruel, que a comprou, mas a fez de escrava, dando-lhe muitas tarefas dia e noite. Passado um tempo ele vendeu-a para um outro homem ainda pior do que ele que a maltratava ainda mais. Assim, passaram-se muitos anos.

Enquanto isso, Omelumma vivia confortavelmente com o marido e deu à luz seu primeiro filho, um menino. O marido foi ao mercado para encontrar uma escrava que pudesse ajudá-la nas tarefas com o bebê e a irmã, Omeluka, estava lá, para ser vendida.Assim, ele trouxe Omeluka para ser escrava da irmã, mas ela estava muito mudada, devido aos maus tratos que sofrera e Omelumma não reconheceu-a.

Todas as manhãs, Omelumma ia para o mercado e entregava o bebê aos cuidados da irmã, deixando também, muitas tarefas para serem realizadas. Omeluka se desdobrava, mas era muito serviço. Quando ia buscar água ou lenha, o bebê ficava em casa, todavia seu choro a trazia rapidamente de volta, e assim não trazia a lenha suficiente. A irmã quando chegava a surrava por não ter cumprido suas ordens, mas se ela deixava o bebê chorando, os vizinhos contavam e ela apanhava do mesmo jeito. Ela tentou levar o bebê quando ia pegar lenha, mas não deu certo, porque não conseguia fazer o serviço com ele no colo.

Certa tarde, o bebê só interrompeu o choro, quando ela o colocou no colo e o embalou suavemente. Uma vizinha aproximou-se perguntando por que ela não fazia suas tarefas. Ela ficou com medo de ser denunciada e voltou ao trabalho. Mas o bebê começou a chorar e ela não teve saída senão se sentar e começar a embalá-lo de novo. Não sabendo mais o que fazer, finalmente entoou uma canção:

Shsh, shsh, bebezinho, não chore mais
Nossa mãe nos disse para não fazer fogo grande,
Mas nós fizemos
Nossa mãe nos disse para não fazer barulho,
Mas nós fizemos.
Nosso pai nos disse para não brincar lá fora,
Mas nós brincamos.
Então os monstros do mato e do mar nos levaram embora,
Para muito longe, muito longe!
E onde pode a minha irmã estar?
Muito longe, muito longe!
Shsh, shsh, bebezinho não chore mais.

Uma velha que ouviu aquela cantiga, lembrou-se da história que Omelumma lhe contara, há muito tempo, sobre terem sido levadas pelos monstros do mar e da terra. Ela percebeu que a escrava devia ser a irmã de Omelumma, há tanto tempo sumida. Correu até o mercado para contar a novidade à Omelumma.

No dia seguinte, ela deu várias tarefas à irmã e em seguida saiu, para o mercado. Mas voltou em segredo e viu como a irmã corria de um lado para o outro tentando impedir o bebê de chorar enquanto fazia seu serviço. Finalmente a irmã sentou-se e começou a cantar a canção que a velha escutara.

Assim que Omelumma ouviu a canção, reconheceu que era sua irmã e, chorando de dor e remorso, chegou perto dela para pedir perdão.

As duas se abraçaram e choraram juntas. Em seguida Omelumma libertou a irmã, jurou nunca mais maltratar nenhum servo e quando o marido chegou também ficou muito feliz ao saber da novidade. Viveram depois disso, muito felizes.