terça-feira, 15 de maio de 2012
RAPUNZEL
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
As Três Fiandeiras - irmãos Grimm

Era uma vez uma moça preguiçosa, que não queria fiar. A mãe podia falar o que quisesse, que não conseguia convencê-la a trabalhar.Finalmente a mãe ficou zangada e impaciente, a ponto de dar-lhe umas pancadas, e a moça começou a chorar em voz alta. Naquele momento , a rainha ia passando por ali, na sua carruagem, e quando ouviu o choro, mandou parar, entrou na casa e perguntou à mãe por que ela batia tanto na filha, que se ouviam os gritos lá da rua. Então a mulher ficou com vergonha de confessar a preguiça da filha e disse:
- Eu não consigo fazê-la parar de fiar, ela quer fiar o tempo todo, e eu sou pobre e não posso arranjar tanto linho.
Então a rainha respondeu:
- Não há nada de que eu goste mais do que ouvir fiar, ela quer fiar , e nada me dá mais prazer que o ronronar das rodas da roca. Deixe-me levar a sua filha comigo para o castelo , eu tenho linho à vontade e ela poderá fiar quanto quiser.
A mãe concordou de todo o coração , e a rainha levou a moça consigo.
Quando chegaram ao castelo, ela levou a moça para três quartos que estavam cheios do mais belo linho, de alto a baixo.
Agora fia-me este linho, disse ela, - e quando terminares, terás o meu filho mais velho por esposo. Mesmo que sejas pobre, eu não me importo: a tua valente diligência é dote suficiente.
A moça assustou-se por dentro, pois não poderia fiar aquele linho, ainda que vivesse até trezentos anos e ficasse todos os dias fiando desde a manhã até a noite. E quando ficou sozinha, ela começou a chorar e ficou assim três dias, sem mover um dedo.
No terceiro dia, chegou a rainha, e quando viu que nada tinha sido fiado, admirou-se muito. Mas a moça desculpou-se, dizendo que não conseguira começar a trabalhar, por causa da grande tristeza que a separação da mãe lhe causara. A rainha aceitou a desculpa, mas disse ao sair:
- Amanhã tens que começar a trabalhar!
Quando a moça tornou a ficar sozinha, não sabia o que fazer e, na sua afliçao, foi para a janela. Aí ela viu três mulheres chegando. Uma tinha um pé largo e chato, a segunda tinha um beiço tão grande que lhe caía por cima do queixo, e a terceira tinha um polegar muito largo. Elas pararam embaixo da janela, olharam para cima e perguntaram à moça o que ela tinha. Ela queixou-se da sua infelicidade. Então elas lhe ofereceram a sua ajuda e disseram:
- Se nos convidares para o teu casamento, nos chamar de primas, sem ter vergonha de nós, e nos puseres à tua própria mesa, nós te fiaremos todo o linho, e num tempo bem curto.
- De todo o coração, - respondeu a moça, - entrem e comecem a trabalhar logo!
E ela deixou entrar as três estranhas, arranjou-lhes lugar para se sentarem e elas começaram a fiar. A primeira puxava o fio e pisava o pedal da roca, a outra molhava o fio, e a terceira torcia-o e batia com o dedo na mesa, e cada vez que ela batia, caía ao chão uma meada de linha da mais fina fiação.
A moça escondeu as três fiandeiras da rainha, e sempre que ela vinha, mostrava-lhe a grande quantidade de linha fiada, e colhia muitos elogios.
Quando o primeiro quarto foi esvaziado, começou o trabalho no segundo, e logo mais no terceiro, até que este também ficou arrumado. Então as três mulheres despediram-se da moça e disseram:
- Não te esqueças do que nos prometeste , isso será a tua felicidade!
Quando a moça mostrou à rainha os três quartos vazios e o grande monte de linha, a rainha preparou tudo para o casamento, e o noivo ficou muito contente, porque ganhava uma esposa tão jeitosa e diligente, e cobriu-a de elogios.
- Eu tenho três primas, - disse a moça, - e como elas me fizeram muita coisa boa, não quero esquecê-las na minha felicidade, permita-me pois, que eu as convide para o casamento e as faça sentarem à minha mesa.
A rainha e o noivo disseram: - Por que não permitiríamos isso?
Quando a festa começou, entraram as três mulheres em trajes estranhos , e a noiva disse: - sejam bem-vindas, queridas primas !
- Ah, disse o noivo, - onde arranjaste essas parentes tão feias?
E ele foi até aquela do pé largo e chato e perguntou:
- Do que lhe vem este pé tão largo?
- De pisar o pedal, - respondeu ela, - de tanto pisar!
O noivo dirigiu-se à segunda e perguntou: - Do que lhe vem esse beiço caído?
- De lamber, - respondeu ela, - de tanto lamber!
Para a terceira ele perguntou:
_ E de onde vem este polegar achatado?
- De torcer o fio, - respondeu ela, - de tanto torcer!
Então o príncipe ficou assustado e disse: - de agora em diante minha bela noiva nunca maios tocará uma roca de fiar!
E com isso a jovem ficou livre da odiosa fiação de linho!!!!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A Moura Torta
Era uma vez, um rei, com três filhos, que não tendo dinheiro para dotá-los, deu a cada um, uma melancia, contendo a sina de cada um, e eles saíram para correr o mundo. Porém, o rei, recomendou que não abrissem a melancia em lugar onde não houvesse água.Os três saíram. O filho mais velho, ansioso por saber de sua sina, abriu a melancia logo adiante à beira do caminho. De dentro da melancia pulou uma moça muito linda que começou a gritar: “Dai-me água ou leite!” Mas como ali não houvesse água nem leite, ela inclinou a cabecinha e morreu.
O filho do meio, que havia tomado outra estrada, também resolveu conhecer sua sina e abriu a melancia em um lugar sem água por perto. Surgiu de dentro uma jovem ainda mais bela, que disse: “Dai-me água ou leite!” Mas como não houvesse água nem leite, ela tombou a cabecinha para o lado e morreu.
O filho mais moço, porém, deu mais tento à recomendação do pai, de modo que só abriu a sua melancia perto de uma fonte. Também de dentro pulou uma moça lindíssima, que pediu água ou leite. O rapaz deu-lhe água da fonte, e ela bebeu até se fartar. Mas como estivesse nua, ele pediu-lhe que subisse numa árvore perto da fonte e ficasse bem escondida entre as folhas, enquanto ele iria buscar-lhe um vestido. A moça subiu na árvore e se escondeu como foi pedido.
Passado um tempo, apareceu uma Moura-Torta, com um pote na cabeça. Vinha enchê-lo naquela fonte. A moça lá de cima da árvore ficou a espiar. Quando a Moura olhou para a água e viu o reflexo da moça, achou que fosse o seu e ficou muito irritada dizendo: - “ Ora, que desaforo! Eu sou assim tão bela, como posso viver carregando água para os outros???” Jogou o pote no chão, quebrando-o todo.
Mas, ao voltar para casa, tomou uma descompostura da patroa, que a mandou de volta à fonte com outro pote. Novamente, a Moura viu o reflexo da moça na água, e quebrou o outro pote. Neste momento a moça deu uma gargalhada. A Moura-Torta olhou para cima e percebeu o que estava acontecendo, ela via o reflexo da moça pensando que era ela! Jurou vingar-se.
- Linda, linda moça, disse em voz macia a Moura-Torta. Que bela cabeleira tu tens, minha flor... tenho vontade de correr os dedos por esses lindos fios de ouro! Deixa que eu te penteie?
A moça, sem desconfiar de nada, disse que estava esperando um rapaz, que fora buscar uma roupa para ela, mas que deixava que ela a penteasse. A Moura então, subiu na árvore e começou a pentear a belíssima cabeleira da moça. Súbito, zás!!! Fincou-lhe um alfinete na cabeça. Imediatamente, a moça virou uma pombinha e voou. A Moura-Torta, muito contente ficou no lugar dela, tirando a roupa para ver o que ia acontecer.
Logo depois, apareceu o rapaz com o vestido para a linda moça, mas ao ver a sua bela transformada naquele monstro, arregalou os olhos de susto.
- Que queres? Disse a Moura. Demoraste tanto que o sol me queimou, deixando-me escura assim.
O rapaz deu um suspiro, mas como tratava-se de sua sina, não podia evitar o acontecimento. Deu-lhe o vestido e levou-a para o palácio de seu pai e, com ela se casou, sagrando-se rei, mas sempre na maior tristeza.
Desde o primeiro dia de casados, começou a aparecer no palácio uma pombinha, que pousava nas árvores e dizia ao jardineiro: “Jardineiro, jardineiro, como vai o rei meu senhor e mais a sua Moura-Torta?” Dizia isso e voava para longe. Mas tanto repetiu esse comportamento, que o jardineiro contou para o rei o que estava acontecendo.
O rei que andava triste e desconfiado, mandou fazer uma armadilha de prata para pegar a pombinha, mas ela não caiu. Mandou fazer uma de ouro e nada. Tentou uma de diamantes e nem assim conseguiu pegá-la. O jardineiro resolveu fazer uma armadilha de visgo e, nessa, ela ficou presa. O jardineiro levou-a ao rei, o qual colocou-a numa linda gaiola.
Imediatamente, a Moura-Torta percebeu o que estava acontecendo e manifestou um desejo de comer a pombinha, dizendo que estava grávida.Tanto insistiu que o rei foi obrigado a dar licença para aquele crime. No dia em que a pombinha ia ser morta, o rei quis pegá-la em sua mãos. Ao pegá-la afagou sua cabecinha e sentiu um carocinho, olhou bem de perto e viu que era um alfinete. Puxou-o e, logo surgiu a sua linda moça da melancia.
Ele tomou um susto e disse: “És tu, minha amada! “
A moça contou-lhe o que ocorrera perto da fonte e toda a confusão feita pela Moura-Torta.
O rei ficou furioso com toda essa traição, chamou a Moura-Torta e perguntou o que ela faria com alguém que fosse um traidor. Ela disse que mandaria amarrar o culpado nas patas de um cavalo bravo e soltá-lo pelos campos.
O rei, então, disse-lhe que acabara de pronunciar a sua sentença. Chamou os empregados e fez que cumprissem o que a Moura-Torta decidira. Amarraram-na nas patas de um cavalo bravo e a soltaram. Assim, ninguém mais soube da Moura-Torta.
O rei e a sua linda moça, agora rainha, deram início a uma vida de pura felicidade!!!
