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terça-feira, 15 de maio de 2012

RAPUNZEL



Era uma vez um casal, que há muito tempo desejavam em vão ter uma criança.
O casal tinha no fundo da casa uma janelinha, da qual se podia ver um formoso jardim, cheio de flores e ervas , mas era cercado por um muro alto, e ninguém se atrevia  a entrar ali, porque pertencia a uma feiticeira  que tinha muito poder  e era temida por todos.
Certo dia estava a mulher diante da janelinha , quando viu um canteiro cheio dos mais lindos  raponços , que servem para saladas. Ela sentiu o maior desejo de comer aqueles raponços . O desejo só aumentava e ela estava ficando magra e tristonha. O marido assustado perguntou :
- O que lhe falta , querida mulher?
-Ai, respondeu ela, se eu não puder comer daqueles raponços do jardim da feiticeira , eu vou morrer.
O marido, que muito a amava resolveu tentar agradar a esposa e, ao entardecer pulou  o muro do jardim da feiticeira , arrancou um punhado de raponços  e levou para a sua mulher. Ela fez logo uma salada e comeu tudo com a maior vontade, mas no dia seguinte ela queria mais. O marido que a amava foi novamente pular o muro, mas desta vez a feiticeira apareceu  à sua frente e ele levou um grande susto!
-Como te atreves , disse ela raivosa, a invadir o meu jardim para roubar os meus raponços? Vais te dar mal!!!!!!
-Ai senhora, disse ele, eu só fiz isso pela minha mulher que viu seus raponços pela janela e ficou com muito desejo de comê-los, senão morreria.
Então a feiticeira falou:
-Se o que me disseste for verdade eu deixarei você levar quantos raponços quiseres. Só que tem uma condição: terás que me dar a criança que o bom Deus vos dará!
O homem prometeu, pois a mulher não conseguia ter filhos.
Passou um tempo e a mulher ficou grávida e teve a filha e a feiticeira logo apareceu para fazer cumprir o trato que fizera com o homem. A mulher ficou desesperada, mas nada pode fazer.
A feiticeira colocou o nome na menina de Rapunzel. Era uma linda criança, mas quando ela completou 12 anos, a feiticeira trancou-a numa torre que ficava na floresta e não tinha escada e nem porta. Só lá em cima uma pequena janelinha.Quando a feiticeira queria ir lá em cima gritava:
“Rapunzel, Rapunzel,
Solta teu cabelo!”
Rapunzel tinha cabelos muito longos brilhantes como ouro. Ela os trançava e jogava as tranças para a feiticeira subir.
Alguns anos depois o filho de um rei, cavalgando pela floresta, passou pela torre e ouviu um canto que era tão lindo, que ele parou e ficou a escutar. Era Rapunzel cantando. O príncipe queria subir na torre, mas não encontrou porta. Voltou para casa triste , mas sempre passava por lá para ouvir aquele canto.Um dia estava parado perto de uma árvore, quando escutou a feiticeira a chamar a moça. Ela deixou cair as tranças e o rapaz viu a feiticeira subir.
No dia seguinte ele foi até a torre e também gritou:
“Rapunzel, Rapunzel
Solta o teu cabelo!”
Logo as tranças caíram e ele subiu.
Rapunzel se assustou muito, pois não conhecia homens, mas o príncipe começou a falar sobre o canto que escutara e tinha tocado seu coração. Rapunzel perdeu o medo e disse para ele vir vê-la sempre.
O príncipe perguntou se ela queria casar-se com ele e ela logo aceitou para livrar-se da prisão e da feiticeira. Disse:
- Irei contigo de bom grado, mas não sei se poderei descer, quando voltares , trazes sempre fios de seda e eu tecerei uma trança para que possa descer e você me levar no seu cavalo.
Combinaram que ele viria sempre ao anoitecer, porque cedo a feiticeira ia sempre.
Um dia rapunzel perguntou à feiticeira.
-Dize-me , como é isso, que me é muito mais difícil e pesado puxar-te para cima, do que o jovem filho do rei, que chega aqui num instante?
-Ó menina endiabrada, gritou a feiticeira, o que está me dizendo. Fui enganada?
Na sua raiva pegou o cabelo de Rapunzel e cortou  bem curto. Levou a moça para um lugar solitário e deserto, para que ela ficasse .
No mesmo dia que prendeu a moça ela pegou o cabelo cortado e fez uma trança prendendo no gancho da janela da torre, quando o príncipe chegou e gritou.
“Rapunzel, Rapunzel,
Solta teu cabelo!”
A feiticeira deixou cair a trança. O príncipe subiu, mas lá em cima não encontrou   a sua amada, e sim a feiticeira.
- Aha!!!! Gritou ela, veio buscar sua amada, mas ela já está presa em outro lugar  e você não mais a verá !Vou furar teus olhos!!! Ele gritou de dor e pulou da torre e os espinhos embaixo furaram mais seus olhos e ele ficou cego e vagando sem rumo pela floresta.
Andou sem rumo por muito tempo na floresta, até que um dia ouviu a voz da amada e, dirigiu-se para o lugar de onde vinha a voz  e Rapunzel quando o viu reconheceu-o  e caiu em seus braços chorando. As lágrimas dela caíram nos olhos do rapaz e ele voltou a enxergar novamente.
O príncipe muito feliz levou-a para o seu reino e foram felizes.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

As Três Fiandeiras - irmãos Grimm



Era uma vez uma moça preguiçosa, que não queria fiar. A mãe podia falar o que quisesse, que não conseguia convencê-la a trabalhar.Finalmente a mãe ficou zangada e impaciente, a ponto de dar-lhe umas pancadas, e a moça começou a chorar em voz alta. Naquele momento , a rainha ia passando por ali, na sua carruagem, e quando ouviu o choro, mandou parar, entrou na casa e perguntou à mãe por que ela batia tanto na filha, que se ouviam os gritos lá da rua. Então a mulher ficou com vergonha de confessar a preguiça da filha e disse:

- Eu não consigo fazê-la parar de fiar, ela quer fiar o tempo todo, e eu sou pobre e não posso arranjar tanto linho.

Então a rainha respondeu:

- Não há nada de que eu goste mais do que ouvir fiar, ela quer fiar , e nada me dá mais prazer que o ronronar das rodas da roca. Deixe-me levar a sua filha comigo para o castelo , eu tenho linho à vontade e ela poderá fiar quanto quiser.

A mãe concordou de todo o coração , e a rainha levou a moça consigo.

Quando chegaram ao castelo, ela levou a moça para três quartos que estavam cheios do mais belo linho, de alto a baixo.

Agora fia-me este linho, disse ela, - e quando terminares, terás o meu filho mais velho por esposo. Mesmo que sejas pobre, eu não me importo: a tua valente diligência é dote suficiente.

A moça assustou-se por dentro, pois não poderia fiar aquele linho, ainda que vivesse até trezentos anos e ficasse todos os dias fiando desde a manhã até a noite. E quando ficou sozinha, ela começou a chorar e ficou assim três dias, sem mover um dedo.

No terceiro dia, chegou a rainha, e quando viu que nada tinha sido fiado, admirou-se muito. Mas a moça desculpou-se, dizendo que não conseguira começar a trabalhar, por causa da grande tristeza que a separação da mãe lhe causara. A rainha aceitou a desculpa, mas disse ao sair:

- Amanhã tens que começar a trabalhar!

Quando a moça tornou a ficar sozinha, não sabia o que fazer e, na sua afliçao, foi para a janela. Aí ela viu três mulheres chegando. Uma tinha um pé largo e chato, a segunda tinha um beiço tão grande que lhe caía por cima do queixo, e a terceira tinha um polegar muito largo. Elas pararam embaixo da janela, olharam para cima e perguntaram à moça o que ela tinha. Ela queixou-se da sua infelicidade. Então elas lhe ofereceram a sua ajuda e disseram:

- Se nos convidares para o teu casamento, nos chamar de primas, sem ter vergonha de nós, e nos puseres à tua própria mesa, nós te fiaremos todo o linho, e num tempo bem curto.

- De todo o coração, - respondeu a moça, - entrem e comecem a trabalhar logo!

E ela deixou entrar as três estranhas, arranjou-lhes lugar para se sentarem e elas começaram a fiar. A primeira puxava o fio e pisava o pedal da roca, a outra molhava o fio, e a terceira torcia-o e batia com o dedo na mesa, e cada vez que ela batia, caía ao chão uma meada de linha da mais fina fiação.

A moça escondeu as três fiandeiras da rainha, e sempre que ela vinha, mostrava-lhe a grande quantidade de linha fiada, e colhia muitos elogios.

Quando o primeiro quarto foi esvaziado, começou o trabalho no segundo, e logo mais no terceiro, até que este também ficou arrumado. Então as três mulheres despediram-se da moça e disseram:

- Não te esqueças do que nos prometeste , isso será a tua felicidade!

Quando a moça mostrou à rainha os três quartos vazios e o grande monte de linha, a rainha preparou tudo para o casamento, e o noivo ficou muito contente, porque ganhava uma esposa tão jeitosa e diligente, e cobriu-a de elogios.

- Eu tenho três primas, - disse a moça, - e como elas me fizeram muita coisa boa, não quero esquecê-las na minha felicidade, permita-me pois, que eu as convide para o casamento e as faça sentarem à minha mesa.

A rainha e o noivo disseram: - Por que não permitiríamos isso?

Quando a festa começou, entraram as três mulheres em trajes estranhos , e a noiva disse: - sejam bem-vindas, queridas primas !

- Ah, disse o noivo, - onde arranjaste essas parentes tão feias?

E ele foi até aquela do pé largo e chato e perguntou:

- Do que lhe vem este pé tão largo?

- De pisar o pedal, - respondeu ela, - de tanto pisar!

O noivo dirigiu-se à segunda e perguntou: - Do que lhe vem esse beiço caído?

- De lamber, - respondeu ela, - de tanto lamber!

Para a terceira ele perguntou:

_ E de onde vem este polegar achatado?

- De torcer o fio, - respondeu ela, - de tanto torcer!

Então o príncipe ficou assustado e disse: - de agora em diante minha bela noiva nunca maios tocará uma roca de fiar!

E com isso a jovem ficou livre da odiosa fiação de linho!!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Moura Torta

Era uma vez, um rei, com três filhos, que não tendo dinheiro para dotá-los, deu a cada um, uma melancia, contendo a sina de cada um, e eles saíram para correr o mundo. Porém, o rei, recomendou que não abrissem a melancia em lugar onde não houvesse água.
Os três saíram. O filho mais velho, ansioso por saber de sua sina, abriu a melancia logo adiante à beira do caminho. De dentro da melancia pulou uma moça muito linda que começou a gritar: “Dai-me água ou leite!” Mas como ali não houvesse água nem leite, ela inclinou a cabecinha e morreu.
O filho do meio, que havia tomado outra estrada, também resolveu conhecer sua sina e abriu a melancia em um lugar sem água por perto. Surgiu de dentro uma jovem ainda mais bela, que disse: “Dai-me água ou leite!” Mas como não houvesse água nem leite, ela tombou a cabecinha para o lado e morreu.
O filho mais moço, porém, deu mais tento à recomendação do pai, de modo que só abriu a sua melancia perto de uma fonte. Também de dentro pulou uma moça lindíssima, que pediu água ou leite. O rapaz deu-lhe água da fonte, e ela bebeu até se fartar. Mas como estivesse nua, ele pediu-lhe que subisse numa árvore perto da fonte e ficasse bem escondida entre as folhas, enquanto ele iria buscar-lhe um vestido. A moça subiu na árvore e se escondeu como foi pedido.
Passado um tempo, apareceu uma Moura-Torta, com um pote na cabeça. Vinha enchê-lo naquela fonte. A moça lá de cima da árvore ficou a espiar. Quando a Moura olhou para a água e viu o reflexo da moça, achou que fosse o seu e ficou muito irritada dizendo: - “ Ora, que desaforo! Eu sou assim tão bela, como posso viver carregando água para os outros???” Jogou o pote no chão, quebrando-o todo.
Mas, ao voltar para casa, tomou uma descompostura da patroa, que a mandou de volta à fonte com outro pote. Novamente, a Moura viu o reflexo da moça na água, e quebrou o outro pote. Neste momento a moça deu uma gargalhada. A Moura-Torta olhou para cima e percebeu o que estava acontecendo, ela via o reflexo da moça pensando que era ela! Jurou vingar-se.
- Linda, linda moça, disse em voz macia a Moura-Torta. Que bela cabeleira tu tens, minha flor... tenho vontade de correr os dedos por esses lindos fios de ouro! Deixa que eu te penteie?
A moça, sem desconfiar de nada, disse que estava esperando um rapaz, que fora buscar uma roupa para ela, mas que deixava que ela a penteasse. A Moura então, subiu na árvore e começou a pentear a belíssima cabeleira da moça. Súbito, zás!!! Fincou-lhe um alfinete na cabeça. Imediatamente, a moça virou uma pombinha e voou. A Moura-Torta, muito contente ficou no lugar dela, tirando a roupa para ver o que ia acontecer.
Logo depois, apareceu o rapaz com o vestido para a linda moça, mas ao ver a sua bela transformada naquele monstro, arregalou os olhos de susto.
- Que queres? Disse a Moura. Demoraste tanto que o sol me queimou, deixando-me escura assim.
O rapaz deu um suspiro, mas como tratava-se de sua sina, não podia evitar o acontecimento. Deu-lhe o vestido e levou-a para o palácio de seu pai e, com ela se casou, sagrando-se rei, mas sempre na maior tristeza.
Desde o primeiro dia de casados, começou a aparecer no palácio uma pombinha, que pousava nas árvores e dizia ao jardineiro: “Jardineiro, jardineiro, como vai o rei meu senhor e mais a sua Moura-Torta?” Dizia isso e voava para longe. Mas tanto repetiu esse comportamento, que o jardineiro contou para o rei o que estava acontecendo.
O rei que andava triste e desconfiado, mandou fazer uma armadilha de prata para pegar a pombinha, mas ela não caiu. Mandou fazer uma de ouro e nada. Tentou uma de diamantes e nem assim conseguiu pegá-la. O jardineiro resolveu fazer uma armadilha de visgo e, nessa, ela ficou presa. O jardineiro levou-a ao rei, o qual colocou-a numa linda gaiola.
Imediatamente, a Moura-Torta percebeu o que estava acontecendo e manifestou um desejo de comer a pombinha, dizendo que estava grávida.Tanto insistiu que o rei foi obrigado a dar licença para aquele crime. No dia em que a pombinha ia ser morta, o rei quis pegá-la em sua mãos. Ao pegá-la afagou sua cabecinha e sentiu um carocinho, olhou bem de perto e viu que era um alfinete. Puxou-o e, logo surgiu a sua linda moça da melancia.
Ele tomou um susto e disse: “És tu, minha amada! “
A moça contou-lhe o que ocorrera perto da fonte e toda a confusão feita pela Moura-Torta.
O rei ficou furioso com toda essa traição, chamou a Moura-Torta e perguntou o que ela faria com alguém que fosse um traidor. Ela disse que mandaria amarrar o culpado nas patas de um cavalo bravo e soltá-lo pelos campos.
O rei, então, disse-lhe que acabara de pronunciar a sua sentença. Chamou os empregados e fez que cumprissem o que a Moura-Torta decidira. Amarraram-na nas patas de um cavalo bravo e a soltaram. Assim, ninguém mais soube da Moura-Torta.
O rei e a sua linda moça, agora rainha, deram início a uma vida de pura felicidade!!!