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quinta-feira, 7 de junho de 2012

As Três Línguas!





Um velho vivia na Suíça e só tinha um filho, mas o rapaz era muito burro e não conseguia aprender nada.
Então o pai lhe disse:
- Ouça meu filho. Não consigo meter nada na sua cabeça, por mais que me esforce. Você precisa se afastar daqui, vou entregá-lo aos cuidados de um famoso professor por um ano.
Ao fim de um ano o rapaz voltou para casa e o pai perguntou:
- Então, meu filho, que foi que você aprendeu?
- Pai, aprendi a língua dos cães.
- Piedade! Exclamou o pai. – Foi só isso que aprendeu?Vou mandá-lo de novo para outro professor em outra cidade.
O rapaz foi levado e morou também um ano com o novo professor.
Quando voltou o pai tornou a lhe perguntar:
- Meu filho , que foi que você aprendeu?
- Aprendi a língua dos pássaros, respondeu ele.
O pai então se enfureceu e disse:
- Ah, sua criatura inútil, você perdeu todo esse tempo precioso  e não aprendeu nada? Não tem vergonha de vir à minha presença ? Vou mandá-lo a um terceiro professor, mas se, desta vez, você não aprender nada, não serei mais seu pai.
O rapaz morou com o terceiro professor  também por um ano e quando voltou, novamente o pai pergunto-lhe o que tinha aprendido.
- Meu querido pai, este ano aprendi a língua dos sapos.
Ao ouvir isto, o pai foi tomado por uma fúria e lhe disse:
- Criatura, você não é mais meu filho. Expulsou o rapaz de casa e mandou que lhe tirassem avida.
Os homens o levaram, mas quando iam matá-lo sentiram tanta pena que não conseguiram cumprir a ordem e o deixaram partir.
Arrancaram os olhos e a língua de uma corça, para apresentarem como provas ao pai.
O rapaz saiu vagando e, finalmente chegou a um castelo, onde pediu hospedagem por uma noite.
- Muito bem, disse o senhor do Castelo. Se quiser passar a noite lá na torre velha, pode ir, mas quero prevení-lo que será por sua conta  e risco, porque está cheia de cães selvagens . Eles latem e uivam sem cessar , e a certas horas é preciso que se atire um homem para eles, que o devoram imediatamente.
A vizinhança inteira estava aflita com esta idéia, mas não havia nada que pudessem fazer . O rapaz, no entanto, não se amedrontou e respondeu:
- Deixem-me ir a esses cães e me dêem alguma coisa que eu possa atirar-lhes , eles não me farão mal.
Ele recebeu a comida para os cães selvagens e foi para a torre.
Os cães não latiram quando ele entrou, mas correram a sua volta abanando o rabo amigavelmente, comeram a comida que ele lhes trouxe e não tocaram em nenhum fio dos seus cabelos.
Na manhã seguinte, para surpresa de todos, o rapaz apareceu e disse ao senhor do castelo:
- Os cães me revelaram em sua língua por que vivem aqui e trazem problemas para a região. Eles são encantados e têm a obrigação de guardar um grande tesouro que está escondido embaixo da torre, e não descansarão até que alguém o tenha desenterrado, e me ensinaram como isso pode ser feito.
Todos os que ouviram ficaram muito contentes e o senhor do castelo disse que o adotaria como filho se ele realizasse a tarefa com sucesso. O rapaz retornou à torre e como sabia o que fazer desencumbiu-se da tarefa desenterrando uma arca cheia de ouro. A partir daquele momento não se ouviram mais os uivos dos cães selvagens. Eles desapareceram e a região ficou livre.
Passado um tempo, o rapaz cismou que queria ir a Roma. No caminho, passou por um charco em que havia muitos sapos coaxando . Ele prestou atenção e ouviu o que diziam, ficando triste e pensativo.
Chegou a Roma, no momento em que o papa acabava de falecer, e havia grande dúvida entre os cardeais  a quem nomear para suceder-lhe. Acabaram concordando que o homem para quem se manifestasse algum milagre divino seria o escolhido. O jovem entrou na igreja e, inesperadamente duas pombas brancas desceram do teto e pousaram no seus ombros.
O clero reconheceu nisso o sinal enviado pelo céu e na mesma hora perguntaram se ele queria ser papa.
Ele hesitou sem saber se merecia tal posto, mas as pombas disseram-lhe que podia aceitar e ele concordou.
Assim sendo o rapaz foi ungido e consagrado e com isso realizou-se o que ele ouvira os sapos dizerem no caminho e que tanto o perturbara.
Na sua primeira missa solene não sabia o que fazer e foram as duas pombas que , em seus ombros lhe disseram o que dizer.

****Este conto mostra que nunca devemos desdenhar dos nossos filhos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Bruxa da Montanha

Era uma vez um rei que tinha dois filhos, uma princesa e um príncipe. Sua esposa, a rainha, tinha morrido e ele teve que ficar sozinho com os dois filhos.

A princesa já estava ficando mocinha e não gostava de ficar sozinha no castelo, pedia sempre ao pai que a levasse para passear. O rei não tinha muito tempo e o irmão, o príncipe, era muito novo ainda para sair com ela.

Todos os dias ela ficava na janela do castelo olhando as pessoas que passavam e, assim, se distraindo. Um dia, passou pelo palácio um rapaz muito bonito, olhou para ela e sorriu. Ela ficou toda feliz, mas não sabia quem era e seu pai era muito severo, não deixando que ela falasse com estranhos.

Os dias passavam e o rapaz continuava a sorrir para ela quando passava pela sua janela.

Um dia, ela tomou coragem e chamou o rapaz, perguntando quem ele era. Ele respondeu que morava com a mãe no alto da colina e que vinha sempre à cidade para trabalhar .

Ela ficou encantada de saber que o rapaz trabalhava e tinha uma mãe. Resolveu pedir ao rapaz que a levasse para conhecer a mãe dele na montanha.

No dia seguinte, pediu ao irmão que dissesse ao pai que ela saíra com a ama e não ia demorar. A ama não gostou da mentira, mas como gostava muito dela foi assim mesmo.

Quando chegaram ao alto da montanha encontraram a mãe do rapaz colhendo flores no jardim da casa. Ela veio ao encontro deles e ficou impressionada com a beleza da princesa. Conversaram muito e como estava tarde a ama chamou-a para irem embora.

Quando chegou, o rei já estava nervoso com a demora e perguntou onde elas estavam. A princesa que não achava certo mentir contou ao pai que fora no alto da montanha conhecer a mãe do rapaz que sorria para ela na janela.

O rei ficou muito preocupado porque lá no alto da montanha morava uma bruxa malvada que tinha transformado em sapos e corujas, vários príncipes da região e quando chegava no alto da montanha fazia eles voltarem a ser normais e os vendia para quem não tinha filhos. Perguntou para a filha como era esse rapaz e ela descreveu-o para o pai. Ele pediu que ela não fosse mais na montanha enquanto ele, não descobrisse sobre a bruxa. No dia seguinte, foi à casa do rapaz e conversou com a mãe dele que lhe disse que o rapaz não era seu filho de verdade, mas ela tinha adotado ele de uma mulher do lugar desde muito pequeno. O rei então, pediu para ver o rapaz e descobriu através de uma marca de nascença que ele era filho de um rei amigo seu. A mãe adotiva não queria acreditar, mas o rei deu-lhe um bom dinheiro e ela permitiu que o filho fosse com ele para a cidade. O rei levou o rapaz ao castelo de onde ele havia sido tirado em criança e mostrou-o aos seus verdadeiros pais que viviam muito tristes desde que o filho fora roubado pela bruxa. Foi uma grande festa o reencontro da família. O rapaz pediu ao rei se poderia casar com a princesa e ele, claro que permitiu. Houve uma grande festa no palácio. Assim, foram todos muito felizes. Mas ninguém achou a bruxa para conseguir trazer de volta os outros que foram transformados em sapos e corujas

sábado, 27 de junho de 2009

As Moedas Estrelas


Era uma vez uma menininha que não tinha pai nem mãe, porque eles haviam morrido. Ela era tão pobre que não tinha mais um quartinho para morar e nem caminha para dormir , e não tinha mais nada a não ser a roupa do corpo e um pedacinho de pão na mão, que alguém compadecido lhe dera. Mas a menininha era boa e devota , e por estar assim abandonada, ela saiu andando pelo campo, confiante no bom Deus.
Então ela encontrou-se com um mendigo, que disse:
- Ai, dê-me alguma coisa para comer, estou com tanta fome!
A menina entregou-lhe seu pedaço de pão inteiro e disse:
- Que Deus o abençoe para você! – e continuou o seu caminho.
Aí veio ao seu encontro uma criança, que lhe disse chorosa:
- Estou com tanto frio na cabeça , dê-me alguma coisa para cobrir?
Então a menina tirou seu gorrinho e deu para a criança.
E depois de andar mais um pouco, encontrou com outra criança, que não tinha agasalho e ela deu-lhe o seu. Logo depois outra criança não tinha saia e ela deu a sua .
Finalmente, ela chegou ao bosque , e já estava escuro. Apareceu então uma criança, que pedia uma camisa e a boa menininha pensou: “Já é noite escura, ninguém vai me ver, posso dar-lhe a minha camisa”, e ela tirou sua última vestimenta e entregou para a criança.
Quando ela ficou parada , assim sem roupa alguma, de repente, começaram a cair estrelas do céu e eram todas elas brilhantes moedas de ouro. E, embora ela tenha dado sua última roupa para a criança, ela estava novamente vestida com uma roupa de linho fino.
Ela então, recolheu as moedas e ficou assim rica por toda a vida , mas sempre ajudando aos que precisavam
.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Princesa Marya e Blênio (resgate de um príncipe) Conto da Sibéria


Este conto é muito importante para que possamos aprender a só ter aquilo que merecemos na hora certa. Nunca devemos querer mais do que a vida ou a "mágica" pode nos dar. É muito lindo um amor desses. Há porém, uma semelhança com o conto "Eros e Psiquê" onde ela também tem que resgatá-lo por ter sido precipitada.


Certa vez, numa terra muito distante, vivia uma princesa tão bela que muitos príncipes vieram pedir sua mão em casamento. Mas seu pai, o czar, recusou-os todos, achando que nenhum era bom o bastante para ela. Um dia, um velho pergunto ao czar, se seu filho poderia casar-se com a princesa.
- Quem é seu filho?, perguntou o czar.
- Majestade, respondeu o velho, “meu filho é um blênio”.
Mas esse é um peixe que vive no fundo do rio!, o czar exclamou. O que você está dizendo é ridículo!
Sim, de fato, persistiu o velho. Durante muitos anos minha mulher e eu sofremos porque não tínhamos filhos. Então, certo dia, enquanto eu pescava, encontrei Blênio na ribanceira do rio. O peixe pediu-me que lhe poupasse a vida e prometeu que seria um filho para mim e minha esposa, e então o levei para casa. Agora, como ele cresceu, pediu-me que lhe arranjasse o casamneto com sua filha.
Por que eu deixaria que a princesa se casasse com ele?, perguntou o czar.
Naquele momento, detrás de uma cortina, a filha se manifestou.
- Pai, por que você não dá uma tarefa ao Blênio? Se ele obtiver êxito, casar-me-ei com ele, mas se ele fracassar, será morto. É assim que os russos fazem, disse ela.
O czar pensou por um instante. Bom, meu velho, o seu filho pode se casar com minha filha se ele construir um novo palácio para ela, melhor que o meu. E deve fazer isso atá amanhã de manhã, do contrário cortar-lhe-ei a cabeça e a sua também, para que sirva de lição!
O velho quase morreu de terror, mas ao voltar para casa e contar ao filho qual era a exigência do czar, Blênio disse: Não tema pai. Vá dormir, e “amanhã veremos o que tivermos de ver”.. Naquela noite, Blênio deslizou até a porta da casa, saltou o muro, e transformou-se num lindo rapaz. Ergueu um bastão de ferro e fincou sua ponta no chão. Instantaneamente, surgiram trinta homens armados que lhe perguntaram: Qual é o seu desejo?
Construam-me um palácio vizinho ao do czar, ainda mais belo que o dele.
Os homens responderam que fariam o serviço e ele voltou para casa como peixe. Na manhã seguinte, ele acordou o pai e disse: Pegue um machado, vá ao palácio do czar, depois volte e diga-me o que viu.
O velho fez o que o filho pediu e não conseguiu acreditar no que seus olhos viam. O palácio era mais lindo do que o do czar e o velho pegou o machado e atingiu suas paredes, mas nem uma só lasca saiu das paredes. Voltou para casa e disse o que vira ao filho.
Agora, disse o filho,vá até o czar e peça a mão de sua filha, novamente.
Nesse ínterim, o czar tinha visto o novo palácio e ficou intrigado. Pensou: - “O filho deste velho não é um homem comum!” Entretanto, odiava a idéia de sua filha casar-se com um peixe. Quando o velho chegou, o czar disse: - Tenho outra tarefa para seu filho. Ele deve construir uma igreja , tão linda como a catedral. E tem que construir três pontes : uma que vá da velha catedral até a nova, outra da nova igreja até o palácio e a terceira da minha casa até o palácio dele. Se ele não construir até amanhã vocês morrerão.
O velho tremeu e pensou: - Eu devia ter matado Blênio no rio! Mas quando contou ao filho a nova tarefa ele sorriu e disse: - Não tema pai. Vá dormir e “amanhã veremos o que tivermos de ver.”
Naquela noite, depois do velho ir dormir, ele novamente saiu de casa e virou um rapaz e quando seus homens apareceram ele mandou que construissem a catedral e as três pontes. Ele voltou para casa e foi dormir.
No dia seguinte ele acordou o pai e disse novamente para ele pegar o machado e ir até o palácio do czar. O velho foi, e quando chegou perto viu a linda catedral que fora erguida e as três pontes. O velho tentou atingir a Igreja com o machado, mas nem uma só lasca saiu. Voltou para casa contando tudo para o filho.
Meu pai, vá até o palácio e veja o que o czar dirá desta vez. Quando chegou, o velho viu o czar admirando assombrado a catedral e as três pontes. Mas ele disse ao velho que tinha uma última tarefa para seu filho. Diga a ele que quero que me traga um trenó e três cavalos melhores do que todos os que possuo.Se ele conseguir casar-se-a com a princesa, mas se fracassar terão as cabeças cortadas. Mas quando o velho voltou para casa e contou ao filho este sorriu e mandou o pai dormir. “Amanhã veremos o que tivermos de ver.”
Mais tarde, saiu de casa e ordenou aos seus homens que achassem um trenó com três cavalos mais maravilhosos do que os do czar.
No dia seguinte, ele novamente acordou o pai e mandou que ele fosse até o palácio e depois voltasse para contar o que vira.O velho quando chegou perto, viu assombrado o trenó com os três lindos cavalos. Ele voltou para casa e contou ao filho, que mandou que ele voltasse e pedisse a mão da princesa. O czar que já tinha visto o trenó, declarou que como seu filho cumpriu as tarefas, eu manterei minha promessa. Traga-o até aqui e a princesa se casará com ele, hoje mesmo, não importando o que o povo diga.
O velho correu para casa e contou as novidades ao filho, e este lhe disse: - Coloque-me num saco e leve-me até o palácio para a festa de casamento. Todos riam porque a princesa ia se casar com um peixe. O velho chegou ao palácio e colocou Blênio numa banqueta, aí começou a comemoração das bodas. Por fim, foram todos para a Igreja onde os dois se casaram. Depois das festas o casal recolheu-se à sua nova casa.
Eles viveram juntos por três anos, mas toda noite Blênio transformava-se num rapaz. A cada manhã ele voltava a ser peixe, só a princesa sabia da verdade.
Certa manhã a princesa acordou mais cedo e sentiu-se sozinha e triste, pois todos riam dela por ter se casado com um peixe. Ela teve uma idéia. Resolveu queimar a pele de peixe do marido antes que ele acordasse, assim ele ficaria homem para sempre. Ela queimou o traje e quando entrou no quarto, seu marido havia sumido. Naquele mesmo instante, um pequeno pássaro entrou voando pela janela.
Que pena, princesa Marya, disse a ave. Se você tivesse esperado mais três dias, seu marido teria ficado livre de um feitiço. Teria ficado humano para sempre, mas agora você o perdeu. Falou e saiu voando pela janela.
Ela ficou desesperada pensando porque tinha feito aquilo. Durante uma semana ela sofreu, mas depois levantou-se e jurou que iria em busca do marido e o salvaria. Naquele mesmo dia saiu do palácio, partindo sem saber para onde. Sua única pista era a avezinha. Quando chegou nos limites da cidade ela encontrou uma velha debruçada numa janela de uma pequena cabana.
- Por que esse ar tão triste, princesa Marya?, perguntou a velha.
- Estou procurando por meu marido. Queimei a pele dele e o perdi para um feitiço.
Você jamais irá encontrá-lo viajando do modo como está. Volte para casa e peça ao ferreiro que lhe prepare três pares de botas de ferro, três chapéus de ferro e três pães de ferro. Então volte aqui e eu lhe direi onde ir em busca do seu marido.
A princesa agradeceu pelos conselhos da velha e voltou para casa. Pediu aos ferreiros que fizessem tudo que a velha mandara. Depois ela foi encontrar-se com a velha. Hoje está muito tarde para você seguir viagem, disse a velha. Jante comigo e descanse. Amanhã poderá partir. No dia seguinte, ao amanhecer, a velha ofereceu-lhe alguns conselhos.
Depois de sair daqui, procure um grande buraco na terra , disse a velha. Quando chegar ao abismo, coloque um dos pares de botas, um dos chapéus e coma um pão. Então desça. Você encontrará lá muitas pessoas gritando, cantando e chorando, e elas lhe pedirão que fique com elas, entretanto você deve seguir em frente sem demora. Se parar, jamais sairá desta caverna. Quando tiver gasto os três pares de botas, os três chapéus e comido os três pães de ferro, chegará ao fim da passagem. Do outro lado vive minha irmã, e ela lhe dirá o que fazer a seguir.
A princesa ficou hororizada por tudo que teria que passar, mas agradeceu e partiu. Depois de muito andar, seu caminho terminou repentinamente na beira de um abismo. Ela espiou lá embaixo e não viu o fim. Destemida ela colocou o par de botas, o chapéu e comeu um pão de ferro. Depois começou a descer no vazio. Desceu, desceu, desceu, até que chegou num túnel sombrio. Lá ouviu pessoas que gritavam, cantavam e choravam, as quais lhe pediam que ficasse com elas. Mas ela os ignorou e foi em frente. A cada passo ela sangrava , pois o chão tinha lâminas de ferro e penduradas no teto também havia lanças de ferro, e sua cabeça as tocava e fios de sangue corriam em seu rosto.
Conforme ela afundava, mais e mais na escuridão, mais estridentes eram os gritos à sua volta. Ela lutou muito e, quando comeu seu derradeiro pão, usou o último par de botas e o último chapéu, viu um lampejo de luz ao longe. Chegou no final da caverna e arrastou-se até a luz do sol e despencou numa encosta gramada. Por uma semana ficou imóvel, fraca demais para se movimentar.Levantou-se ainda enfraquecida e andou aos tropeções, chegando numa casa que bateu na porta. Baba Yaga, a grande bruxa apareceu para recebê-la.
- Princesa Marya! Aonde vai nesse estado? Minha irmã deve tê-la mandado aqui!
Marya contou o que acontecera com seu marido por sua culpa, mas que por amá-lo muito estava a sua procura.
Baba Yaga suspirou, e disse: Já se passaram dez anos desde que seu marido passou por minha casa. Agora ele é humano, mas nesse intervalo, casou-se com a filha do Rei de Fogo e agora vive com ela em seu palácio. Eu lhe direi como encontrá-lo e conquistá-lo de novo, mas antes descanse e coma.
Por uma semana a princesa ficou com BabaYaga, recuperando as forças. Então a bruxa lhe disse: Chegou a hora de você ir ver seu marido.Eis o que você deve fazer. No jardim em torno do palácio em que ele vive, há uma pequena encosta. Sente-se no chão gramado desse morro e penteie-se com este pente de ouro. A filha do rei sairá do palácio ao vê-la e pedirá para comprar o pente de ouro. Ela estará acompanhada de duas mulheres, e elas têm exatamente a mesma aparência. Por isso, você deve cuidar para escolher a mulher certa, que será a do meio. Diga-lhe que você troca o pente por uma noite a sós com Blênio, mas não lhe dê o pente antes de estar com seu marido.
A princesa Marya agradeceu a BabaYaga pela sua ajuda e saiu da casa dela.
Chegou a um grande palácio, parou à entrada do jardim e sentou-se na encosta gramada. Começou a pentear os cabelos e logo as três mulheres acercaram-se dela. A do meio exclamou: - Nunca vi pente tão lindo. Você o venderia para mim? Posso pagar do jeito que você quiser.
Não o vendo por dinheiro, mas posso trocá-lo por outra coisa.
O que você deseja? , perguntou a outra . Ela disse: Apenas passar uma noite sozinha com seu marido.
Ora , isso não é nada, disse a filha do rei. Você pode fazê-lo hoje mesmo. Agora dê-me o pente.
Não disse Marya, ele será seu somente quando eu pisar dentro do quarto do seu marido.
Muito bem, disse a outra. Vamos, venha comigo. Chegando à porta do palácio ela entrou, e deixou Marya esperando, mas logo depois reapareceu. Você pode vir comigo agora e guiou a moça para o quarto. Pegou o pente de ouro das mãos de Marya e deixou-a sozinha com Blênio. Marya correu até o marido e chamou-o pelo nome, mas ele estava dormindo e não se moveu. Ela chorou e contou-lhe, mesmo assim, da longa viagem que vinha fazendo para encontrá-lo, mas nem assim ele se mexeu.Quando amanheceu a mulher expulsou a moça do quarto.
Marya voltou até BabaYaga, com o coração partido e desencorajada, e por uma semana ela chorou. Então, BabaYaga deu-lhe um lindo anel de ouro. Use esse anel e vá novamente ao palácio e sente-se no jardim. As três mulheres virão novamente até você e a do meio vai querer comprar o anel. Faça igual da outra vez, mas só entregue o anel quando estiver dentro do quarto. Assim ela fez e a mulher levou-a até seu marido. Ela novamente chamou-o pelo nome, mas ele dormia e não se mexeu. Mais uma vez a mulher colocou-a para fora do quarto e do palácio.
Ela voltou até BabaYaga dizendo que fracassara mais uma vez. A bruxa disse que a outra dera uma poção para que ele dormisse porque era esperta. Mas a bruxa não deixou que ela desistisse e tirou do armário um lenço muito bonito. Disse que essa seria a última chance dela recuperar o marido. Use este lenço e faça tudo como das outras vezes, mas se você não conseguir acordá-lo nada mais posso fazer por você. Esta é a última vez que a ajudo.
Marya agradeceu e seguiu seu rumo. Como antes , tudo aconteceu igual, mas Marya disse que só daria o lenço quando estivesse do lado do rapaz. Mais uma vez ele dormia e ela não conseguia acordá-lo. Quando amanheceu ela estava desesperada e chorou muito, mas naquele momento que a outra já a expulsava do quarto, uma lágrima dela caiu no rosto de Blênio que acordou sobressaltado.
A mulher gritava para que Marya saísse do quarto, mas quando ele a viu em pé ao seu lado logo a reconheceu e disse:” finalmente você chegou!”
A mulher gritava para tirar Marya do quarto, mas ele disse que a deixasse ficar. Ela é Marya minha primeira e verdadeira esposa. Ele abraçou-a e ela lhe contou por tudo que passara desde que ele desaparecera.
Blênio reuniu todos os anciãos do reino, ofereceu um festa e perguntou-lhes: Qual destas mulheres é minha verdadeira esposa? A que arriscou a vida para me encontrar, usando botas, chapéus e comendo pães de ferro, ou a que me trocou por um pente, um anel e um lenço? Os anciãos responderam que sua verdadeira esposa era Marya, e é com ela que você deve viver.
Blênio concordou e voltando-se para Marya chamou-a para voltarem para casa. Ele pegou uma pequena caixa enferrujada e disse: Marya feche os olhos. Assim ela o fez, e no mesmo instante sentiu um vento soprando em seu rosto, ele aí sussurrou: Agora pode abrir os olhos. Quando ela olhou em volta, ficou atônita. Eles estavam num campo ao ar livre, e diante deles uma cidade fervilhava.
-Você reconhece esse lugar? ,disse ele.
- Sim, penso que sim.
- É o reino do seu pai disse ele, enquanto abria de novo a caixa.
Marya desfaleceu e acordou no palácio que fora construído por Blênio para conquistá-la. Ao seu lado estava seu marido dormindo. Alguns instantes depois ele acordou e disse: Você me deu três tarefas antes de casarmos, essa é a razão de você ter sofrido tanto. Porém, agora estamos juntos mais uma vez. Enquanto os dois se abraçavam, os pais de Blênio entraram, seguidos pelos pais de Marya. Todos comemoraram juntos o reencontro dos dois, com uma grande festa

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A Mulher sem Mãos (conto do Japão)


Era uma vez uma linda menina que vivia feliz com seus pais, mas sua mãe morreu quando ela tinha apenas quatro anos. Algum tempo depois, seu pai casou-se novamente, mas sua nova esposa tinha ciúmes da menina e tornava sua vida muito difícil.
A menina cresceu e se tornou uma linda donzela o que levou sua madrasta a odiá-la ainda mais.
Assim, a esposa começou a levar ao marido intrigas sobre sua filha, e aos poucos fez com que o coração dele se voltasse contra a moça.
Logo após a jovem completar quinze anos, a madrasta ameaçou o marido dizendo: - Não posso continuar a viver com sua filha malvada! Vou abandoná-lo!
O marido suplicou que ela ficasse. Então, livre-se de sua filha, ela exigiu. Ele prometeu fazê-lo e elaborou um plano. Convidou a filha para acompanhá-lo numa festa, lhe deu um lindo quimono para vestir. Ela ficou muito contente, mas ao mesmo tempo intrigada, quando o pai a conduziu até a floresta.
- Onde é a festa?, ela perguntou.
- Um pouco mais adiante, ele respondeu.
Então, no meio da floresta, ele parou para almoçarem e a filha caiu no sono. Era o momento que o pai esperava. Pegou um machado que levara, aproximou-se e decepou-lhe as mãos. A jovem acordou e gritou de dor.
- Pai, o que está fazendo?
Ele, rapidamente afastou-se dali e abandonou a pobre moça.
Completamente sozinha, ela rastejou até um riacho e lavou os cotos. Sem lugar para ir, permaneceu na mata, colhendo frutas com os dentes e dormindo no chão.
Um dia, um lindo rapaz foi caçar na floresta. Encontrou a jovem sem mãos e ficou surpreso. Você é um demônio ou fantasma?
Não, ela respondeu, sou uma jovem abandonada. Mas nada disse sobre o pai. O rapaz ficou com pena dela, colocou-a em seu cavalo e levou-a para casa. Encontrei essa criatura na floresta, disse para a mãe. A mulher acolheu a moça sem mãos em sua casa, deu-lhe roupas limpas e refeita a jovem mostrou como era linda e o rapaz caiu de amores por ela. Propôs que se casassem e ela aceitou.
A jovem estava esperando um filho quando o marido teve que partir para uma demorada viagem . Ele confiou a esposa à sua mãe. Cuide dela como se fosse de mim. Cuidarei, disse a mãe. Eu a amo tanto quanto você.
A jovem deu à luz um lindo menino. A avó logo escreveu ao filho contando e dizendo que a esposa passava bem e esperava ansiosa o seu regresso. Pediu a um mensageiro para levar a carta ao filho. Ele andou o dia todo e, já muito cansado, bateu em uma casa pedindo água. Uma mulher deu-lhe de beber e começou a conversar, perguntando onde ele ia com tanta pressa?
Estou levando uma notícia importante para o filho de uma senhora. A nora dela, a mulher sem mãos, deu à luz um menino e ela quer que o filho saiba.
A dona da casa era a madrasta má, e no mesmo instante, ela se deu conta de que a enteada não morrera na floresta. Cheia de ódio pensou num plano. Deu muito vinho ao rapaz, até que ele dormisse e aí abriu a sacola dele e retirou a carta que ele levava e trocou por outra escrita por ela. Disse que a esposa dera à luz um monstro horrível. O que faço? Colocou a carta na sacola e quando o rapaz acordou ela deu-lhe um prato de comida e ele seguiu viagem.
Passe aqui quando voltar, disse ela ao rapaz.
Ao receber a carta o marido leu com horror, e respondeu. Por favor, cuide de minha esposa e de meu filho, seja qual for a aparência dele. Voltarei assim que puder.
O mensageiro voltou e parou na casa da madrasta esperando beber mais vinho. Ela serviu-lhe mais vinho, até ele cair no sono. Pegou a resposta e mudou por outra. Livre-se de minha esposa e de meu filho, não quero ter monstros em minha família. Não voltarei se eles ficarem aí!
Quando o mensageiro entregou a carta à mãe do rapaz, ela ficou incrédula. Mas isso não pode ser! Meu filho não mandaria embora a esposa e o filho! Perguntou ao mensageiro se era essa carta mesmo, e se ele não parou em lugar nenhum.
Não, disse ele.
A mãe resolveu esperar o filho voltar, mas conforme o tempo poassava, ela começou a temer que ele não voltaria mais. Mostrou a carta à nora e ela ficou com o coração partido, mas disse: - Se meu marido não me quer , não ficarei aqui!
As duas choraram muito ao despedir-se e a moça sem mãos partiu com uma sacola às costas onde seu filho estava. A coitada não tinha para onde ir e voltou para a floresta. Estava com sede e ajoelhou-se para beber num riacho, mas inclinou-se demais e o bebê começou a deslizar de sua costas. Socorro! Socorro! Ela gritava, mas não tinha mãos para pegá-lo e o bebê caiu na água do riacho. Ela mergulhava os braços, desesperadamente na água para tentar salvar o filho. De repente, suas mãos reapareceram e ela segurou o filho e o salvou.
Meu filho está salvo e minhas mãos voltaram a ser como antes!, exclamou ela feliz. Ajoelhou-se e agradeceu.
Nesse ínterim, o marido voltou para casa e ficou chocado ao descobrir que a esposa partira com o filho deles. A mãe disse: - foi você mesmo quem mandou que isso fosse feito! O que a senhora está dizendo!, mas logo perceberam que alguém trocara as cartas. Chamaram o mensageiro e fizeram que ele contasse a verdade, sobre sua parada antes de entregar as cartas.
O marido partiu, imediatamente para a floresta em busca da esposa e do filho. Procurou por muito tempo. Então, chegou perto do riacho e viu uma mulher rezando ao lado de um santuário, com uma criança no colo. Olhou e achou-a parecida com a esposa, mas viu que ela tinha mãos. Aproximou-se dela e, muito feliz, descobriu que ela era a sua esposa.
Minha esposa!, disse ele.
Meu marido!, e se abraçaram. Ele explicou da troca das cartas e ela contou como suas mãos tinham voltado milagrosamente. Ela contou-lhe também, que quem tinha feito aquilo com ela, decepar-lhe as mãos, tinha sido seu pai.
Os dois voltaram de mãos dadas para casa com o filho nos braços.
Chegando em casa o marido procurou as autoridades e contou-lhes a verdade sobre a madrasta e o pai da mulher.
Os dois foram punidos e, assim, o casal pode viver feliz, junto do filho e da mãe dele.


Nota: Este conto apresenta algumas características encontradas em outros de diversos países. Isso reforça a tese que os contos fazem parte do inconsciente coletivo e em cada lugar eles apresentam algumas mudanças, mas sempre são maniqueistas e com um final de punição para os personagens que só fazem o mal.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A esposa guerreira - um conto do povo Tiwa


Em uma tribo, havia muito tempo, viviam uma mulher e seu marido. O pai da mulher era o chefe, e seu marido era um guerreiro chamado Falcão Azul.
Um dia, Falcão Azul partiu numa expedição de guerra com seu melhor amigo, Falcão Vermelho. Quando estavam a caminho, Falcão Vermelho disse: - Você está deixando sua mulher sozinha. Aposto como ela vai dormir com outro homem hoje à noite.
Falcão Azul balançou a cabeça, e disse: - Minha esposa é fiel a mim e eu confio nela.
Falcão Vermelho, que não era casado, riu e disse: - Aposto como posso voltar e dormir com sua mulher hoje à noite.
Falcão Azul ficou indignado: - Você está enganado.
Falcão Vermelho disse: - Aposto tudo o que eu tenho como consigo dormir com sua esposa hoje à noite.
Relutando Falcão Azul concordou com a aposta, e os dois empenharam seus cavalos, armas e roupas, além de todas as suas posses, nesta aposta.
Falcão Vermelho voltou e rodeou a esposa de Falcão Azul o dia inteiro, sorrindo para ela, mas ela o ignorou. Ele pensou: - Ela é mesmo fiel a Falcão Azul. Desesperado porque ia perder a aposta, foi procurar ajuda de uma mulher mais velha e explicou-lhe a aposta e prometeu pagar –lhe generosamente por sua ajuda. Você, disse à velha, só precisa descobrir como é a esposa de Falcâo Azul sem roupas. Se eu ficar sabendo a aparência dela poderei dizer que dormi com ela.A mulher concordoui e foi até a tenda da esposa de Falcão Azul. Aproximou-se com cara de cansada e abatida e falou se a moça poderia ajudá-la. A moça ficou com pena da velha e lhe disse para entrar e descansar.
Obrigada, disse a velha. Estou longe de casa e não tenho aonde passar esta noite. A moça logo lhe disse que poderia pasar a noite com ela.
Quando veio a noite, ela ofereceu à velha peles macias e cobertas. A velha fingiu que dormia, mas ficou olhando com atenção quando a esposa se despiu para dormir. Ela escovou um tufo de cabelos dourados que crescia em seu abdome, trançou-os e enrolou em torno da cintura por cinco vezes. A velha viu também que ela tinha uma marca de nascença nas costas.
Na manhã seguinte, a velha agradeceu e depois correu até onde estava Falcão Vermelho para lhe contar o que tinha visto. Este riu deliciado e cavalgou até onde se encontrava Falcão Azul e disse: - Ganhaei a aposta! Na noite passada dormi com sua esposa.
Falcão Azul recusou-se a acreditar, mas Falcão Vermelho descreveu a trança de cabelos dourados e a marca de nascença e ele não pode mais duvidar.
Agora, disse Falcão Vermelho, você tem que me dar o que prometeu. O outro não disse nenhuma palavra, deu-lhe tudo o que possuia.
A esposa não entendia o que se passava e perguntou –lhe o que estava fazendo. Ele ficou em silêncio, saiu da tendsa, e com peles de animais fez um baú onde colocou utensílios, dinheiro e alimentos. Depois disse à mulher que iria fazer uma viagem pelo rio e queria que ela viesse com ele. Ele lhe pediu que vestisse o que tinha de mais belo e depois entrasse no baú. Quando ela fez o que ele pedira, ele amarrou o grande pacote, encaminhou-se para o rio e jogou-o na água.
Depois, voltou sozinho para a aldeia, e quando os vizinhos perguntaram onde estava sua esposa ele recusou-se a responder. Após alguns dias, o chefe ficou preocupado com a filha e perguntou a Falcão Azul onde ela estava. Como este continuasse calado, o chefe ordenou que um buraco fosse cavado até o inferno e jogou Falcão Azul nele.
Enquanto isso, a esposa flutuava rio abaixo dentro do baú. Um homem que estava pescando viu aquele grande embrulho, puxou-o para a margem e o desamarrou, descobrindo assim,a esposa que saiu apavorada. Ela pediu ao homem que troucassem de roupa, e ele concordou, assim ela ficou vestida de homem e eentão, dirigiu-se a uma aldeia das redondezas.
Uma expedição de guerra estava se preparando para partir, e a moça uniu-se ao grupo. Os jovens guerreiros comentavam entre eles de comoo desconhecido tinha rosto de mulher. Um deles resolveu fazer amizade com ela para tirar a dúvida e descobrir mesmo se ela era mulher.
Naquela noite, quando o grupo acampou, ela armou sua tenda longe dos outros. Disse que era Xamã e explicou que era preciso proteger o seu poder para o ataque que viria. Mostrou aos homens a pedra sagrada de águia branca e disse que sua cura vinha do sol. Quando todos se recolheram para dormir, um guerreiro veio até ela e pediu-lhe licença para dormir na sua tenda. Ela recusou, mas ele tanto insistiu que ela deixou e, assim deitarm em lados opostos da tenda.
No meio da noite, o jovem chegou até ela e quis tocá-la, mas ela estava de guarda . – O que está fazendo?, ela perguntou e ele desistiu.
Na noite seguinte, outro jovem pediu para dormir na sua tenda e também tentou tocá-la, mas ela estava acordada e frustou a tentativa do rapaz.Na última noite , a expedição aproximou-se do teritório inimigo, e eles instalaram suas tendas. Ela disse aos homens que permanecessem dentro das tendas, enquanto ela usava seu poder de cura. Ela pegou um pacote de feitiçaria e fez o feitiço, e, instantaneamente, todos os guerreiros inimigos morreram. Ela deu um grito de guerra e acordou a todos que saíram atordoados de suas tendas, pensando que estavam sofrendo um ataque.
Matei o inimigo, ela declarou. Vou sair agora para tomar seus escalpos e armas. Saltou no lombo do seu cavalo, foi até o acampamento do inimigo e voltou com sus troféus. Os homens ficaram estupefatos. Pensaram que ela só podia ser um homem para agir assim matando os inimigos sozinha. O grupo retornou para sua aldeia e os jovens cantaram em homenagem ao valor da “guerreira” . O chefe da tribo quis oferecer-lhe uma festa, mas ela não aceitou.
- Estou voltando para minha tribo e desejo chegar depressa. O chefe ofereceu escolta, mas ela só pediu um cavalo e ele deu-lhe o melhor que havia. Ela começou a viagem de regresso e, a caminho de casa, ainda disfarçada de homem, encontrou-se com um grupo de sua própria tribo. – Quais são as novidades, ela perguntou. Eles lhe contaram a história de Falcão Vermelho com Falcão Azul, e acrescentaram que Falcão Vermelho tinha visto os cabelos dourados no seu ventre e a marca de nascença dela.Disseram que Falcão Azul tinha matado a esposa infiel e que o pai dela, o chefe jogara Falcão Azul num buraco. Ela entendeu tudo.
Ela voltou à aldeia e mostrou todos os escalpos e as armas que conquistara. Então despiu suas roupas de guerra e revelou-se a todos. Contou que Falcão Azul a trancara num baú e jogado rio abaixo, porque pensava que ela havia sido infiel, mas ele foi enganado , ela declarou.
Explicou que Falcão Vermelho e a velha deviam ter sido cúmplices na trama contra ela, então ordenou que Falcão Azul fosse libertado do poço. Ele estava pálido e muito magro, mas quando viu a esposa correu para os seus braços.
Ela dirigiu-se aos membros de sua tribo, e disse: - Agora devemos punir Falcão Vermelho e a velha. Pediu que eles fossem trazidos à sua presença e, para puní-los colocou-os amarrados na carruagem com cavalos selvagens para que fossem arrastados até morrer.
Toda a tribo fez uma festa para celebrar o retorno da valente esposa de Falcão Azul e, daí em diante eles viveram muito felizes.