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quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Leão e o Mosquito





Um leão ficou com raiva de um mosquito que não parava de zumbir ao redor de sua cabeça, mas o mosquito não deu a mínima atenção!
- Você está achando que vou ficar com medo de você só porque você pensa que é rei? - disse ele altivo, e em seguida voou para o leão e deu uma picada no seu focinho.
Indignado, o leão deu uma patada no mosquito, mas a única coisa que conseguiu foi arranhar-se com as próprias garras.
O mosquito continuou picando o leão, que começou a urrar como um louco.
No fim, exausto, enfurecido e coberto de feridas provocadas por seus próprios dentes e garras, o leão se rendeu.
O mosquito foi embora zumbindo para contar para todo mundo que tinha vencido o leão, mas entrou direto numa teia de aranha. Ali o vencedor do rei dos animais encontrou seu triste fim, comido por uma aranha minúscula!!!

Devemos nos preocupar com os nosso pequenos inimigos , pois podem ser os piores!

sábado, 23 de junho de 2012

O Galinho de Ouro (conto russo)




O rei Dadon era um tzar valente e famoso pelas muitas campanhas e batalhas ganhas de inimigos e vizinhos. Mas, quando começou a envelhecer, o tzar, fatigado, resolveu descansar das lutas, e se entregar a uma vida tranquila e sossegada. Porém, os inimigos, percebendo isso, começaram a perturbá-lo, atacando o seu reino por um lado  e por outro, causando muito prejuízo. Até que o tzar, não suportando mais os ataques, mandou chamar o famoso sábio, um velho astrólogo e advinho, para lhe pedir conselhos.
O mago chegou, apresentou-se, ouviu a queixa do tzar, e sem demora tirou da sua sacola um galinho de ouro, e disse:
- Magestade, manda colocar esta ave na ponta da agulha da mais alta torre do teu castelo. Este galinho de ouro será teu fiel guarda e sentinela. Se tudo em volta estiver em paz, ele ficará quieto no seu posto de observação. Mas, se qualquer perigo ou surpresa desagradável estiver se preparando para ti, bem antes do acontecimento o galo de ouro acordará, baterá as asas e se voltará para o lado de onde virá a ameaça, soltando um sonoro cocoricó, e tu poderás te preparar para qualquer emergência
O tzar agradeceu ao mago e disse, ao despedir-se dele:
- Por este grande serviço, eu prometo cumprir o teu primeiro desejo, qualquer que ele seja ele, ó sábio mago.
- Quando  chegar esse dia, tu saberás o meu desejo tzar, disse o mago e foi-se embora.
E, daquele dia em diante  o galinho de ouro ficou bem quieto no seu posto de observação, no alto da torre.
Um ano transcorreu em paz, depois outro e mais outro. Mas um belo dia o tzar Dadon, que descansava no seu leito real, foi despertado pelo sonoro cocoricó do galinho de ouro, que batia as asas e se virava para o lado do Oriente. O tzar imediatamente mandou seu filho  mais velho para aquele lado, à frente de um forte exército. O galinho aquietou-se e se calou.
Passados oito dias, o filho do tzar não voltava, e nem mandava notícias. E, de repente, o galinho de ouro  agitou-se e cocoricou de novo, anunciando perigo iminente, do mesmo lado.
O tzar , alarmado, enviou  o seu segundo filho, à frente de outro exército, para o Oriente, a fim de resgatar o irmão mais velho. Aí o galinho se aquietou de novo.
Passaram mais oito dias sem notícias, e o galinho começou novamente a cocoricar o alarme.O tzar resolveu então, partir ele próprio em busca dos filhos, com seu terceiro exército.Andaram por vários dias sem vestígios de ninguém, até que chegaram     a um vasto e descampado lugar onde no meio se erguia uma grande e rica tenda de seda. Na frente da tenda estavam seus dois filhos mortos com suas espadas cravadas no peito um do outro.Mortos em duelo. Assim como os dois exércitos estavam dizimados. O tzar ficou desesperado e, de repente, a tenda se abriu  e de dentro dela surgiu uma donzela lindíssima . Sem uma palavra, ela olhou para o tzar e, com um sorriso radioso, tomou-o pela mão e o levou para dentro da tenda. O tzar deslumbrado com sua beleza esqueceu as mágoas e os filhos, e passou uma semana inteira na tenda da princesa.
Finalmente, ao fim de oito dias , o tzar empreendeu o caminho de volta à sua capital, com o seu exército, levando consigo a esplendorosa princesa com a qual queria casar-se.
O povo recebeu o tzar com grande festa e, no meio da multidão festiva, quem o aguardava era o velho mago que lhe dera o galinho de ouro.
O tzar cumprimentou-o e disse:
- Sou infinitamente grato pela alegria e felicidade que te devo.
- Salve magestade, disse o mago. Ainda te lembras do nosso trato? Prometeste , pelos meus serviços, satisfazer o meu primeiro desejo, qualquer que fosse ele. Eu lhe disse que quando chegasse a hora tu saberias qual seria. Pois esse dia chegou, ó tzar!
- E qual é o teu desejo? Perguntou o tzar? Fala, palavra de rei não volta atrás.
- O meu desejo, ó tzar, é que me dês de presente a princesa oriental que trouxeste contigo.
- O quê????exclamou o tzar, será que enlouqueceste, velho???
- Não enlouqueci nem estou possuído por nenhum demônio, estou só cobrando a promessa que me fizeste e disseste que palavra de rei não volta atrás!.
- É verdade que eu fiz esta promessa e quero cumprir, mas tudo tem limite! Para que queres a donzela, esqueceste com quem está falando?gritou o tzar irritado. Podes fazer qualquer pedido em ouro, jóias, preciosidades do meu reino ...
-Não quero nada disso, interrompeu o mago, quero ver cumprido o meu primeiro desejo, a princesa oriental.
O tzar ficou furioso e disse:
- A resposta é Não!!! E mais, agora não receberás mais nada de mim, saia da minha frente seu velho atrevido!
O velho mago ofendido e indignado queria falar, mas recebeu um violento golpe com o cetro do tzar e caiu morto, e a princesa ria as gargalhadas para espanto de todos.
O tzar estava tão apaixonado que não achou nada de mais as suas risadas!
Súbito ouviu-se na praça um barulho estranho e diante dos olhos de toda a capital, o galinho de ouro se alvoroçou, bateu asas, soltou-se da agulha da torre e desceu rapido, dando uma bicada na cabeça do tzar e voou sem ninguém poder fazer nada.
O tzar no mesmo instante soltou um gemido e caiu no chão sem vida.
A princesa...sumiu sem deixar rastro, com se não tivesse existido!!!!!!!

****promessas devem ser cumpridas, mas combinar antes é sempre bom!!!!!!!!






terça-feira, 12 de junho de 2012

A menina vendida com as peras


A menina  vendida com as peras
(fábulas italianas e a velha sábia)

Era uma vez um homem que tinha uma pereira que produzia quatro cestos de peras por ano. Em certo ano, aconteceu que só conseguiu três cestos e meio, e era preciso levar quatro para o rei. Não sabendo como completar o quarto cesto, colocou dentro dele a menor de suas filhas e cobriu-a de peras e folhas.
Os cestos foram levados até a despensa  do rei, e a menina rolou junto com as peras  e se escondeu.
Estava ali, na despensa, e, não tendo outra coisa para comer, mordiscava as peras. Passado algum tempo, os empregados se deram conta de que a provisão de peras diminuía  e encontraram também os talos. Disseram:
- Deve haver um rato ou uma toupeira que come as peras: precisamos verficar. Mexendo com as varas de vime encontraram a menina.
Perguntaram-lhe:
- O que faz aqui? Venha conosco, poderá trabalhar na cozinha do rei.
Chamaram-na de Perinha, e Perinha era uma menina tão dedicada que em pouco tempo sabia fazer o serviço melhor que as criadas do rei e era tão graciosa que todos a adoravam. O filho de rei que tinha a mesma idade que ela, estava sempre junto e entre eles nasceu uma grande simpatia.
Na mesma medida em que a menina crescia , crescia a inveja das criadas, pois aguentaram caladas algum tempo, depois começaram a pôr veneno. Assim puseram-se a dizer que Perinha se gabava de poder tomar o tesouro das bruxas. O boato chegou aos ouvidos do rei, que chamou a menina e lhe disse:
- É verdade que você se gabou de poder tomar o tesouro das bruxas?
Perinha disse:
- Claro que não é verdade, não sei de nada.
Mas o rei insistiu:
- Sabe sim e palavra empenhada é palavra mantida e a expulsou do palácio até que voltasse com o tesouro.
Anda que anda, a noite chegou e Perinha encontrou uma macieira e não parou. Encontrou um pessegueiro e não parou. Encontrou uma pereira acomodou-se entre os ramos e adormeceu.
De manhã, no pé da árvore havia uma velhinha.
- O que está fazendo aí bela criatura, disse a velhinha.
E Perinha contou a dificuldade em que se achava.A velhinha lhe disse:
- Pegue estas três libras de banha, estas três libras de pão e estas três libras de sorgo e vá em frente.
Perinha lhe agradeceu muito e seguiu pelo caminho.
Chegou a um lugar onde havia um forno. E havia três muheres que arrancavam os cabelos e com os cabelos varriam o forno. Perinha lhes deu as três libras de sorgo e elas começaram a varrer o forno com o sorgo e a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um lugar onde havia três mastins que latiam e pulavam em cima das pessoas . Perinha lhes jogou as três libras de pão e eles a deixaram passar.
Anda que anda, chegou a um rio de água vermelha feito sangue e não sabia como atravessá-lo. Mas a velha tinha lhe dito que dissesse:
            Torrentinha, linda torrentinha,
            Se não estivesse apressadinha
            Bem que beberia de canequinha.
Perante tais palavras a água se retirou e a deixou passar.
Para além daquele rio, Perinha viu um dos palácios mais bonitos e maiores dentre todos que existiam no mundo. Porém, a porta se abria e se fechava tão rápido que ninguém podia entrar. Então, Perinha untou os gonzos com as três libras de banha e a porta começou a se abrir e se fechar suavemente.
Tendo entrado no palácio, Perinha viu a arca do tesouro em cima de uma mesinha. Pegou-a e se preparou para sair, quando a pequena arca se pôs a falar.
- Porta, acabe com ela, porta acabe com ela! – dizia a pequena arca.
E a porta  respondia:
- Não, não acabo com ela , pois há muito ninguém me untava e ela me untou.
Perinha passou e, quando chegou ao rio a arca dizia:
- Rio, afogue-a, rio afogue-a!
E o rio respondia:
- Não, não a afogo, pois me chamou de torrentinha, linda torrentinha.
Passou pelo rio e quando chegou perto dos cães a arca  falou:
- Cães comam-na, comam-na!
E os cães:
- Não, não a comemos, pois nos deu três libras de pão.
Ela passou pelos cães e a arca dizia:
Forno, queime-a, queime-a!
- Não, não a queimamos, pois nos deu três libras de sorgo e assim economizamos  nossos cabelos.
Logo que chegou perto de casa, Perinha, curiosa como toda menina, quis ver o que havia na pequena arca. Abriu-a e pulou fora uma galinha com pintinhos de ouro. Corriam tão rápido que era impossível pegá-los.
Perinha se pôs a correr atrás deles. Passou pela macieira e não os encontrou, passou pelo pessegueiro e não os encontrou, passou pela pereira e lá estava a velhinha com uma vareta na mão cuidando da galinha com os pintinhos de ouro.
- Xô, xô, fez a velhota e a galinha com os pintinhas de ouro voltaram para dentro da arca.
Ao voltar para casa, Perinha foi acolhida pelo filho do rei.
- Quando meu pai perguntar o que quer de prêmio, indique aquele caixote cheio de carvão que está na adega.
Na entrada do palácio real, estavam as criadas, o rei e todos os cortesãos, e Perinha entregou ao rei a galinha com os pintinhos de ouro.
- Peça o que quiser, disse o rei, que lhe darei.
Perinha respondeu:
- Quero o caixote de carvão que está na adega.
Deram-lhe o caixote de carvão, ela o abriu e de dentro pulou o filho do rei que estava escondido lá dentro. Então o rei ficou muito contente e  deixou que Perinha casasse com seu filho!!!!!!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Rei Barba-de-Melro




Um rei tinha uma filha que era muito linda, mas tão orgulhosa e arrogante que nenhum pretendente a satisfazia. Ela recusava um após outro e ainda zombava deles.
Certa vez, o rei mandou dar uma grande festa, para a qual convidou os homens casadouros de todos os países, próximos e distantes. Todos foram colocados em fila , por posição e categoria: primeiro os reis, depois os duques, os príncipes, os condes, os barões e, por fim os fidalgos.
A princesa passou a fileira em revista, mas achava algum defeito em cada um deles. Mas divertiu-se especialmente à custa de um jovem rei, que tinha o queixo um pouco torto.
- Ora vejam, exclamou ela rindo, este aqui tem queixo como o bico de melro. O rei ficou assim apelidado de queixo-de-melro.
O rei ficou muito zangado com os insultos da filha para os pretendentes e jurou  que ela se casaria com o primeiro mendigo que aparecesse diante de sua porta.
Alguns dia depois, um músico ambulante começou a cantar embaixo da janela da princesa para ganhar uma esmola. Quando o rei ouviu mandou que ele entrasse.
O músico cantou para o rei e sua filha e quando terminou pediu uma humilde doação.
O rei falou: - teu canto me agradou tanto, que quero dar-te a minha filha em casamento.
A princesa se assustou, mas o rei disse:
- Eu fiz o juramento de te dar ao primeiro mendigo e vou cumprir!
Um padre foi chamado e ela teve de casar imediatamente com o mendigo.
O rei então falou: Agora não fica bem que tu , a mulher de um mendigo, continue a viver no meu palácio. Podes partir com o teu marido.
O mendigo levou-a embora e ela teve de seguí-lo a pé.
Quando chegaram a um bosque, ela perguntou:
- A quem pertence este lindo bosque?
“O rei barba-de-melro é o dono seu,
Se o tivesses aceito, seria teu!”
A princesa retrucou:
“Ai de mim, não estaria eu neste estado,
Se o rei barba-de-melro eu tivesse aceitado!”
Passaram depois por uma grande cidade, e ela perguntou de novo: - A quem pertence esta linda cidade?
“O rei barba-de-melro é o dono seu,
Se o tivesses aceito, seria teu!”
A princesa disse :
“Ai de mim não estaria eu neste estado,
Se o reio barba-de-melro eu tivesse aceitado!”
Não me agrada nem um pouco, disse o mendigo, que tu estejas desejando outro homem para marido, não sou bastante bom para ti?
Finalmente chegaram a uma pequena casinha e ela perguntou:
“Meu Deus, que casinha pequenininha!
A quem pertence esta casinha?”
O músico-mendigo respondeu:
- A casa é minha e tua, nós vamos viver juntos nesta casa.
Ela teve que se curvar para passar pela porta baixinha e perguntou:
- Onde estão os criados?
- Que criados? Disse o mendigo. Terás que fazer sozinha o que quiseres ver feito. Acende já o fogo e põe água para ferver , para cozinhar minha comida. Estou muito cansado.
A filha do rei não entendia de acender fogo e cozinhar, foi o mendigo que teve que fazer o que era preciso. Terminada a pequena refeição , foram dormir e pela manhã logo cedo ele a tocou para fora da cama para que cuidasse da casa.
Durante alguns dias eles viveram mal e mal, e as provisões acabaram. O marido disse:
- Mulher, não temos mais nada, tu terás que fazer cestas.
Ele trouxe juncos e ela começou a trançar , mas os juncos feriram suas delicadas mãos.
_ Estou vendo que isso não dará certo, disse o marido, é melhor começares a fiar.
A princesa sentou-se para fiar, mas a linha áspera cortou seus dedos macios que começaram a sangrar.
- Estás vendo, disse o marido, não serves para nada, fiz um mau negócio . Vou tentar outro negócio. Você vai para o mercado para vender potes.
Ai de mim, pensou ela, se no mercado aparecessem pessoas do reino do pai e a vissem ali iam zombar dela. Porém de nada adiantou, ela teve que ir. Da primeira vez compraram  as mercadorias e pagavam o q ela pedia, pois era muito bonita. Muitos nem levavam as vasilhas.  Eles aí viveram um tempo com o que ganharam.
Passado um tempo o marido mandou que ela vendesse mais potes no mercado.  De repente, chegou galopando um sujeito embriagado e meteu o cavalo bem no meio dos potes, quebrando tudo. Ela começou a chorar. – Ai de mim, o que será que meu marido vai dizer? Correu para casa para contar a desgraça que lhe acontecera.
- Para de chorar, disse ele. Eu estive no castelo do nosso rei e você vai trabalhar lá como servente e em paga terá comida de graça.
Ela tornou-se servente de cozinha, comia a sua parte e levava nos bolsos um pote para o marido.
Pouco tempo depois foi anunciado o casamento do filho mais velho do rei. Ela foi olhar no salão para ver o que acontecia Quando as luzes se acenderam e as pessoas começaram a chegar ela pensou tristemente no seu destino e  na sua arrogância que só fazia humilhar a todos .
De repente, na festa entrou o filho de um rei. Trajava bela vestimenta. Quando a viu parada na porta, agarrou-a pela mão para que ela fosse dançar com ele. Ela recusou assustada, pois viu que era o rei barba-de-melro que ela desdenhara com zombarias.
Sua resistência de nada adiantou, pois ele levou-a para o salão. Quando dançavam os potinhos que ela levava com comida para o marido caíram no chão e todos começaram a rir dela . Saiu correndo tentando fugir, mas o homem a agarrou e trouxe de volta, ela o encarou e viu de novo o rei barba-de-melro.
-Ele lhe disse gentilmente:
- Não tenhas medo, eu e o músico com quem moras naquele casebre somos a mesma pessoa. Foi por amor a ti que eu me disfarcei assim. Quem jogou o cavalo quebrando as vasilhas também fui eu. Fiz tudo isso para castigar sua arrogância .
Então, ela chorou amargamente e disse:
- Eu fiz muito mal e não sou digna de ser sua esposa, mas ele retrucou:
- Consola-te, os dias amargos já passaram , agora vamos celebrar nssas bodas.
Vieram as camareiras e vestiram-na com lindos trajes, veio seu pai e toda a corte  para lhes

sábado, 15 de janeiro de 2011



As rãs em busca de um rei

As rãs andavam amoladas porque viviam sem lei, por isso, pediram a Zeus que arranjasse um rei para elas.
Zeus percebeu a ingenuidade das rãs e jogou um toco de árvore  no lago.
No começo as rãs ficaram apavoradas com o barulho da água quando o toco caiu e mergulharam bem fundo.
Um pouco depois, vendo que o toco não se mexia, subiram para a superfície e escalaram o toco.
Aquele rei não prestava, pensaram, e lá se foram pedir outro rei para  Zeus.
Mas Zeus já tinha perdido a paciência e lhes mandou uma cegonha, que num instante devorou todas as súditas!!!!!!

*Saiba quando se dar por satisfeito!





O galo e a jóia


Um galo jovem e enérgico ciscava a poeira do chão quando encontrou uma jóia.
Convencido de que tinha achado uma coisa preciosa mas sem saber direito o que fazer daquilo, o galo ficou com ar importante e disse à jóia:
- Olhe, sei que você é uma coisa muito fina. Só que não é do meu gosto.
Para falar a verdade, eu preferia de longe um grão de deliciosa cevada!


*Às vezes, o que é precioso para um não tem valor para o outro!

domingo, 17 de janeiro de 2010

A PROFECIA (conto russo)


O valoroso príncipe Oliêg se preparava para mais uma campanha, desta vez em represália contra a tribo hostil dos kazares, que haviam assaltado suas terras. À testa de intrépida hoste de guerreiros, ele partiu, montado no seu garboso corcel de guerra, companheiro fiel de muitas refregas, do qual nunca se separava.

A caminho do campo de batalha, veio-lhe ao encontro, surgindo da floresta escura, um venerando mago vidente. O sábio eremita passara toda a vida em prece e meditação, e podia ver o passado e prever o futuro. Oliêg aproximou-se do ancião e, do alto da sua nobre montaria, dirigiu-lhe a palavra.

- Dize-me , ó mago, favorito dos deuses, o que me reserva a vida? Qual será o destino que espera por mim, que me aguarda na paz e na guerra? Revela-me toda a verdade, ancião. Não tenhas medo de mim. E em recompensa eu te darei qualquer um dos meus belos corcéis.

O velho mago então retrucou em voz serena e severa:

- Os magos não temem guerreiros nem reis, e dispensam os dons principescos. Sua língua é sábia, livre é o seu falar, que obedece à vontade dos deuses. O futuro se oculta nas sombras , porém o teu fado eu leio em tua fronte.

-Fala, pois, mago! – Oliêg retrucou. E o mago continuou:

- Marca, ó príncipe, o que aqui te direi: nas guerras, serás vitorioso. Tua fama e glória o mundo atroarão. Nem flecha, nem lança ou espada, nem punhal traiçoeiro jamais vararão a tua brilhante armadura. Um guardião invisível te protegerá, por teus longos anos de vida.

O corcel de Oliêg sacudiu impaciente a bela cabeça altiva. E o mago então voltou a falar:

- Lembra, príncipe, as minhas palavras: teu cavalo não teme perigo nem dor, sentindo a vontade do dono , ora para imóvel sob flechas hostis ora galopa veloz, destemido. Teu cavalo, Oliêg, te é fiel e leal. Mas tua morte advirá do teu belo corcel.

Uma sombra passou pelo rosto de Oliêg. Pensativo e taciturno, da sela ele desceu e acariciou a crina esvoaçante do seu brioso alazão.

- Adeus , meu amigo, meu servo fiel, devemos nos separar. Descansa agora, pois meu pé não mais pisará no teu estribo dourado. Adeus, não entristeças, não te esqueças de mim!

E Oliêg ordenou a dois jovens guereiros que levassem embora o vavalo.

- Levai meu corcel, meus jovens amigos. Agasalhai-o com a manta felpuda e soltai-o no meu campo relvado. Banhai-o, alimentai-o com os mais finos grãos, dai-lhe a beber água pura da fonte, para que ele tenha uma vida feliz, em liberdade e fartura.

E os querreiros levaram o alazão, e trouxeram a Oliêg outra montaria.

Passaram os anos. O grande Oliêg banquet eava-se com sua guerreiros, já grisalhos como ele. As canecas espumantes se erguiam em roda, e os velhos companheiros cantavam e bebiam, recordando os dias pregressos e as batalhas que juntos tinham travado.

De repente, opríncipe se lembrou do fogoso corcel do qual tivera de se separar havia tanto tempo, e falou:

- Dizei-me, amigos, o que foi feito do meu garboso ginete? O meu velho companheiro ainda galopa livre pelo campo? Ainda é ligeiro e fogoso como antes?

E o herói ouviu em resposta que o seu bravo e leal cavalo de batalha havia muito dormia o sono eterno ao pé da colina, junto ao rio. E o poderoso Oliêg deixou pender a cabeça, e lamentou:

- De que valeu a profecia do mago? Mago, és um velho mentiroso e louco! Eu devia ter desprezado o teu vão vaticínio, e o meu alazão me carregaria até o dia de hoje...

E Oliêg quis ver os restos do seu antigo companheiro, e, juntamente com seus guerreiros, foi até o lugar indicado. E lá ele viu, branquejando em meio ao capim balouçante, os nobres ossos do seu corcel.

Taciturno, o príncipe apoiou um pé sobre o alvo crânio do cavalo, e falou tristemente:

- Dorme em paz, meu solitário amigo! O teu velho dono te sobreviveu. Não serás tu que , nas minhas exéquias já não tão distantes, acompanharás para a sepultura este velho guerreiro, e regarás com teu sangue os meus restos mort ais no sacrifício final!

– E acrescentou, amargurado:- Então era aqui que se ocultava o meu fim? Ameaçava-me pálida ossada?

Mas enquanto ele falava , pensativo e absorto, da fria caveira esgueirava-se , sinuosa, uma serpente tumular. Qual fita negra, ela se enroscou no pé de Oliêg... e um grito súbito escapou do príncipe ferido de morte...

As canecas espumantes se erguiam em roda no banquete fúnebre em memória do

príncipe Oliêg. Os guerreiros grisalhos bebiam e cantavam, recordando os dias pregressos e as batalhas que juntos tinham travado.

E assim se cumpriu a profecia do mago!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Bruxa da Montanha

Era uma vez um rei que tinha dois filhos, uma princesa e um príncipe. Sua esposa, a rainha, tinha morrido e ele teve que ficar sozinho com os dois filhos.

A princesa já estava ficando mocinha e não gostava de ficar sozinha no castelo, pedia sempre ao pai que a levasse para passear. O rei não tinha muito tempo e o irmão, o príncipe, era muito novo ainda para sair com ela.

Todos os dias ela ficava na janela do castelo olhando as pessoas que passavam e, assim, se distraindo. Um dia, passou pelo palácio um rapaz muito bonito, olhou para ela e sorriu. Ela ficou toda feliz, mas não sabia quem era e seu pai era muito severo, não deixando que ela falasse com estranhos.

Os dias passavam e o rapaz continuava a sorrir para ela quando passava pela sua janela.

Um dia, ela tomou coragem e chamou o rapaz, perguntando quem ele era. Ele respondeu que morava com a mãe no alto da colina e que vinha sempre à cidade para trabalhar .

Ela ficou encantada de saber que o rapaz trabalhava e tinha uma mãe. Resolveu pedir ao rapaz que a levasse para conhecer a mãe dele na montanha.

No dia seguinte, pediu ao irmão que dissesse ao pai que ela saíra com a ama e não ia demorar. A ama não gostou da mentira, mas como gostava muito dela foi assim mesmo.

Quando chegaram ao alto da montanha encontraram a mãe do rapaz colhendo flores no jardim da casa. Ela veio ao encontro deles e ficou impressionada com a beleza da princesa. Conversaram muito e como estava tarde a ama chamou-a para irem embora.

Quando chegou, o rei já estava nervoso com a demora e perguntou onde elas estavam. A princesa que não achava certo mentir contou ao pai que fora no alto da montanha conhecer a mãe do rapaz que sorria para ela na janela.

O rei ficou muito preocupado porque lá no alto da montanha morava uma bruxa malvada que tinha transformado em sapos e corujas, vários príncipes da região e quando chegava no alto da montanha fazia eles voltarem a ser normais e os vendia para quem não tinha filhos. Perguntou para a filha como era esse rapaz e ela descreveu-o para o pai. Ele pediu que ela não fosse mais na montanha enquanto ele, não descobrisse sobre a bruxa. No dia seguinte, foi à casa do rapaz e conversou com a mãe dele que lhe disse que o rapaz não era seu filho de verdade, mas ela tinha adotado ele de uma mulher do lugar desde muito pequeno. O rei então, pediu para ver o rapaz e descobriu através de uma marca de nascença que ele era filho de um rei amigo seu. A mãe adotiva não queria acreditar, mas o rei deu-lhe um bom dinheiro e ela permitiu que o filho fosse com ele para a cidade. O rei levou o rapaz ao castelo de onde ele havia sido tirado em criança e mostrou-o aos seus verdadeiros pais que viviam muito tristes desde que o filho fora roubado pela bruxa. Foi uma grande festa o reencontro da família. O rapaz pediu ao rei se poderia casar com a princesa e ele, claro que permitiu. Houve uma grande festa no palácio. Assim, foram todos muito felizes. Mas ninguém achou a bruxa para conseguir trazer de volta os outros que foram transformados em sapos e corujas

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Cavaleiro Desmantelado (um conto popular)


Era uma vez, dois pequenos reinos separados por uma floresta e uma feroz inimizade.
Um ao norte e outro ao sul do Grande Bosque Sombrio, brigavam pelas riquezas que imaginavam ali existirem, como: ouro, prata e pedras preciosas.
Há cinco gerações se detestavam, desde quando o segundo rei de Cropas, do reino do norte, declarara para quem quisesse ouvir que a floresta e suas maravilhas lhe pertenciam por direito de sua vontade.
O soberano do sul, rei de Praus, dissera aos seus súditos que, também por vontade , eram seus aqueles tesouros e, por causa de opiniões tão diferentes, em quase duzentos anos, não houve sossego nas duas terras.
Um dia, não se sabe como, espalhou-se nos reinos a notícia alarmante de que a guerra era eminente. O rei de Praus alisou seus bigodes retorcidos e mandou que suas tropas se preparassem. O rei de Cropas acariciou sua barbicha e deu uma ordem igual. Assim, ficou tudo pronto para a mudança. Entretanto, para sorte dos soldados que iriam tombar na luta , havia no reino de Cropas um sábio que teve uma visão e contou-a ao rei.
- Vi apenas dois homens se enfrentando no campo de batalha: um lutando por Cropas e o outro por Praus.
O rei de Cropas, louro de barbicha pensou e pensou nas palavras do sábio. Teve uma idéia: seu primo Rodolfo Coração de Bode, era um valente cavaleiro e, provavelmente, não havia em Praus alguém que se lhe comparasse. Era melhor arriscar o parente do que seus minguados batalhões. Mandou, então, três embaixadores ao outro lado proporem um duelo e deixarem escapar nas negociações que Rodolfo Coração de Bode tinha o peito e os braços fracos, estando já mais para lá do que para cá.
O rei de Praus ouviu a proposta com agrado, pois o exército do reino andava mal das pernas e de armas. Combater um cavaleiro moribundo era muito conveniente. Aceitou na hora. O confronto seria daqui a sete dias.
O rei de Cropas tinha Rodolfo, mas quem lutaria por Praus?
De pura sorte, ou talvez, por artes das fadas ou bruxas, apareceu no castelo de Praus, seis manhãs após a visita dos embaixadores, um cavaleiro andante embrulhado numa antiga armadura, completamente escondido dentro da lataria mal conservada. Vinha num cavalo de passo cansado. Desmontou com dificuldade e se apresentou:
- Sou o cavaleiro Desmantelado e peço pousada.
O rei de Praus não titubeou e deu a pousada, mas foi consultar o seu sábio.
- O que quer dizer Desmantelado?
O sábio examinou seus livros e disse:
- Quer dizer desconjuntado.
- Ah! Fez o rei. Ele me pareceu uma estranha figura. Um tanto amassado, mas nos servirá, já que o adversário não é bom de braços. Vou convidá-lo para a disputa , agora mesmo.
O rei encontrou o desconhecido tentando tirar seu elmo emperrado. Aceitou na hora o pedido do rei, mas fez um pedido também.
- Queria um pouco de cola e corda para remendar a sua armadura..
Naquela noite,os reinos de Praus e Cropas dormiram agitados pensando na disputa do dia seguinte.
Bem cedo , os reis buscaram bons lugares para apreciar a disputa. Na hora combinada, um clarim indicou que os dois competidores tomassem as posições.
Surgiu Rodolfo com um penacho vermelho, cor de Cropas, altivo e aprumado. O cavaleiro Desmantelado apareceu com sua armadura rangendo de tanta ferrugeme seu elmo emperrado.
Começa a luta e desmantelado balança perigosamente. Os dois se enfrentam e para surpresa geral, caem os dois. Esparramam-se no chão. Não conseguem levantar-se. De repente, Desmantelado grita implorando por água. Dêem-me água pois há dezoito horas não como nem bebo por causa do elmo emperrado.Rodolfo conhece a voz fanhosa do rapaz e descobre que é Privaldo, um jovem de Praus , que partira há muitos anos para correr mundo, era seu melhor amigo. Foram eles os únicos habitantes dos dois reinos que se encontraram durante os duzentos anos de ódios. Ele vai até o amigo destranca-lhe o elmo com um pedaço de sua lança e manda seu escudeiro dar água ao amigo. Desmantelado reconhece Rodolfo e se emociona. Eles tiram as armaduras e se abraçam e a multidão fica boquiaberta, porque eles revelam a verdade do Bosque Sombrio: nada de ouro, de prata , de pedras preciosas... apenas um pomar de maçãs.
Chamam o povo para colher maçãs e todos os seguem felizes.
Os reis percebem que não adiantava mais guerrear já que a única coisa que restava era também comerem maçãs.
Assim, acabou a briga entre os dois reinos e viveram felizes ...com sua maçãs!!!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Lenda do Graal - um pequeno resumo



A Lenda, nos seus traços principais, pode ser resumida assim:
Um recipiente misterioso, que contém a vida e o alimento, é guardado por um rei, que está muito doente e vive num Castelo Imaginário e de difícil acesso.
O país onde se encontra o Castelo, está deserto e o rei será curado, se algum Cavaleiro especial achar o seu Castelo e, de acordo com o que os seus olhos perceberem, ele fizer uma pergunta, o rei ficará curado e ele se tornará rei, e guardião do Graal. Se ele não tiver curiosidade e não fizer a pergunta, tudo ficará como antes. Este Cavaleiro terá que continuar a busca do Castelo onde está o Graal, para se tornar um herói.
A principal motivação da Lenda, é, como nos Contos de Fadas, a “Busca” de alguma preciosidade a ser obtida pelo herói ou também a libertação de alguém enfeitiçado.
O Graal porém, pode ser também, a Lenda Cristã, onde ele seria o recipiente onde José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo ao descê-lo da cruz.
A partir do século XII e início do século XIII, surgem diferentes versões , em várias línguas, sobre a Lenda do Graal.
Na época do Renascimento, esta lenda ficou esquecida, como também os Contos, só reaparecendo na metade do século XVIII.
Nos séculos XIX e XX, os trabalhos literários sobre a Lenda do Graal já têm cunho científico, além de histórico-crítico. No século XIX, houve uma reformulação artística, surgindo o Parcifal de Wagner (uma grande obra com caráter psicológico).
Todas as correntes da Arte, Ciência, Movimentos Espiritualistas (antroposofia), ainda hoje se ocupam da Lenda do Graal.
Sabemos que o Castelo do Graal não pode ser localizado, mas até hoje, também não se pôde localizar a origem desta Lenda. São conhecidas algumas hipóteses, entre elas:
1. Ser atribuída a lendas e mitos pré-cristãos da Europa-Ocidental, especialmente os Celtas.
2. A fontes cristãs Orientais ou cultos Persas ou Pré-cristãos (inclusive o sucesso de Gêngis Khan, podem ter sido transmissores da lenda)
3. Além de uma hipótese que vislumbra a origem ao Culto Cristão, sobretudo na Missa Bizantina.
Nesta mesma época são conhecidas outras lendas, como: Lancelot; Tristão; Yvain, e outras.
É indiscutível que as raízes da Lenda do Graal estão, pelo menos em parte, no Oriente, isso revela-se nos textos.
Quanto à influência Celta, na maioria dos textos, o Castelo do Graal deve ser procurado na Bretanha, na Távola Redonda do Rei Artur e seus Cavaleiros, entre eles Percival. (em cada região ele tem um nome: Perseval ou Perletur (França); Perletur (Inglaterra); Parcifal (para Wagner)
A Lenda do Graal, faz parte dos Contos Bretões ou Romance da Távola Redonda, conjunto de histórias em torno da lendária figura do Rei Artur da Bretanha e seus Cavaleiros. (filmes: Excalibur e Lancelot )
Esses Contos serviram como uma espécie de ensinamento da maneira de Ser e Viver.
Os Contos eram levados às Cortes da França e da Inglaterra, por Contadores e Narradores. Geralmente eram Lendas vivas ou Contos de sua terra , sendo a maioria Céltica.
Os Contos Bretões, contém também, um elemento que é especialmente familiar à mulher e a ela corresponde: - O Irracional... O Mundo da Fantasia.
A predominância e uma tendência à irracionalidade, caracterizam tanto a mentalidade feminina, como a mentalidade dos Celtas, que eram puros, e isso será testemunhado nas suas lendas, contos e mitos.
Um dos traços do mundo das idéias célticas, é a crença na existência da um “País do Além”, habitado pelos imortais.
A Lenda do Graal é, em seus fundamentos, de natureza análoga, mas distingue-se de um Conto de Fadas, pelo fato de ser, pelo menos na forma tradicional que conhecemos, não anônima, porém criada por determinados poetas. Por isso, ela contém, por um lado, os traços arquetípicos da época e do seu espírito, em vista de que nos proporciona informações sobre a mentalidade específica da Idade Média.

*** Para alguns estudiosos e pesquisadores, a Lenda deve ter surgido no século VIII, mas não há provas concretas.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Rei Sapo ( irmãos Grimm)

Era uma vez, um rei cujas filhas eram todas belas, mas a mais nova era tão linda que chegava a incomodar as outras.
Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço.
Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita.
Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:
- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?
Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora d´água.
- Ah, és tu, velho sapo? – disse ela. – Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.
- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?
O que tu quiseres, querido sapo – disse ela, - meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.
O sapo respondeu;
- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, “que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?”
O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa.
A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.
O sapo gritou – leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!
Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo.
No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:
- Filha do rei, a mais nova abre para mim!
Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.
O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:
- Minha filha, de que tens medo? Há algum gigante na porta querendo te levar?
- Oh, não, mas é um sapo nojento.
- E o que este sapo quer de ti?
- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora d´água. Agora está lá fora querendo entrar aqui.
Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:
“Princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
lembras o que ontem
prometeste a mim,
lá junto do poço?
prometeste, sim!
princesa, a mais nova
abre a porta para mim!”
Então o rei disse:
- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!
Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:
- Leva-me para junto de ti!
Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.
Quando o sapo já estava à mesa ele disse:
- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!
A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!
Finalmente ele disse:
- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.
A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?
Mas o rei zangou-se e ordenou:
- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:
- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. – Agora me deixará em paz, sapo nojento!
Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.
Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse.
Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar.
A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera.
Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou.