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quinta-feira, 7 de junho de 2012

As Três Línguas!





Um velho vivia na Suíça e só tinha um filho, mas o rapaz era muito burro e não conseguia aprender nada.
Então o pai lhe disse:
- Ouça meu filho. Não consigo meter nada na sua cabeça, por mais que me esforce. Você precisa se afastar daqui, vou entregá-lo aos cuidados de um famoso professor por um ano.
Ao fim de um ano o rapaz voltou para casa e o pai perguntou:
- Então, meu filho, que foi que você aprendeu?
- Pai, aprendi a língua dos cães.
- Piedade! Exclamou o pai. – Foi só isso que aprendeu?Vou mandá-lo de novo para outro professor em outra cidade.
O rapaz foi levado e morou também um ano com o novo professor.
Quando voltou o pai tornou a lhe perguntar:
- Meu filho , que foi que você aprendeu?
- Aprendi a língua dos pássaros, respondeu ele.
O pai então se enfureceu e disse:
- Ah, sua criatura inútil, você perdeu todo esse tempo precioso  e não aprendeu nada? Não tem vergonha de vir à minha presença ? Vou mandá-lo a um terceiro professor, mas se, desta vez, você não aprender nada, não serei mais seu pai.
O rapaz morou com o terceiro professor  também por um ano e quando voltou, novamente o pai pergunto-lhe o que tinha aprendido.
- Meu querido pai, este ano aprendi a língua dos sapos.
Ao ouvir isto, o pai foi tomado por uma fúria e lhe disse:
- Criatura, você não é mais meu filho. Expulsou o rapaz de casa e mandou que lhe tirassem avida.
Os homens o levaram, mas quando iam matá-lo sentiram tanta pena que não conseguiram cumprir a ordem e o deixaram partir.
Arrancaram os olhos e a língua de uma corça, para apresentarem como provas ao pai.
O rapaz saiu vagando e, finalmente chegou a um castelo, onde pediu hospedagem por uma noite.
- Muito bem, disse o senhor do Castelo. Se quiser passar a noite lá na torre velha, pode ir, mas quero prevení-lo que será por sua conta  e risco, porque está cheia de cães selvagens . Eles latem e uivam sem cessar , e a certas horas é preciso que se atire um homem para eles, que o devoram imediatamente.
A vizinhança inteira estava aflita com esta idéia, mas não havia nada que pudessem fazer . O rapaz, no entanto, não se amedrontou e respondeu:
- Deixem-me ir a esses cães e me dêem alguma coisa que eu possa atirar-lhes , eles não me farão mal.
Ele recebeu a comida para os cães selvagens e foi para a torre.
Os cães não latiram quando ele entrou, mas correram a sua volta abanando o rabo amigavelmente, comeram a comida que ele lhes trouxe e não tocaram em nenhum fio dos seus cabelos.
Na manhã seguinte, para surpresa de todos, o rapaz apareceu e disse ao senhor do castelo:
- Os cães me revelaram em sua língua por que vivem aqui e trazem problemas para a região. Eles são encantados e têm a obrigação de guardar um grande tesouro que está escondido embaixo da torre, e não descansarão até que alguém o tenha desenterrado, e me ensinaram como isso pode ser feito.
Todos os que ouviram ficaram muito contentes e o senhor do castelo disse que o adotaria como filho se ele realizasse a tarefa com sucesso. O rapaz retornou à torre e como sabia o que fazer desencumbiu-se da tarefa desenterrando uma arca cheia de ouro. A partir daquele momento não se ouviram mais os uivos dos cães selvagens. Eles desapareceram e a região ficou livre.
Passado um tempo, o rapaz cismou que queria ir a Roma. No caminho, passou por um charco em que havia muitos sapos coaxando . Ele prestou atenção e ouviu o que diziam, ficando triste e pensativo.
Chegou a Roma, no momento em que o papa acabava de falecer, e havia grande dúvida entre os cardeais  a quem nomear para suceder-lhe. Acabaram concordando que o homem para quem se manifestasse algum milagre divino seria o escolhido. O jovem entrou na igreja e, inesperadamente duas pombas brancas desceram do teto e pousaram no seus ombros.
O clero reconheceu nisso o sinal enviado pelo céu e na mesma hora perguntaram se ele queria ser papa.
Ele hesitou sem saber se merecia tal posto, mas as pombas disseram-lhe que podia aceitar e ele concordou.
Assim sendo o rapaz foi ungido e consagrado e com isso realizou-se o que ele ouvira os sapos dizerem no caminho e que tanto o perturbara.
Na sua primeira missa solene não sabia o que fazer e foram as duas pombas que , em seus ombros lhe disseram o que dizer.

****Este conto mostra que nunca devemos desdenhar dos nossos filhos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Bruxa da Montanha

Era uma vez um rei que tinha dois filhos, uma princesa e um príncipe. Sua esposa, a rainha, tinha morrido e ele teve que ficar sozinho com os dois filhos.

A princesa já estava ficando mocinha e não gostava de ficar sozinha no castelo, pedia sempre ao pai que a levasse para passear. O rei não tinha muito tempo e o irmão, o príncipe, era muito novo ainda para sair com ela.

Todos os dias ela ficava na janela do castelo olhando as pessoas que passavam e, assim, se distraindo. Um dia, passou pelo palácio um rapaz muito bonito, olhou para ela e sorriu. Ela ficou toda feliz, mas não sabia quem era e seu pai era muito severo, não deixando que ela falasse com estranhos.

Os dias passavam e o rapaz continuava a sorrir para ela quando passava pela sua janela.

Um dia, ela tomou coragem e chamou o rapaz, perguntando quem ele era. Ele respondeu que morava com a mãe no alto da colina e que vinha sempre à cidade para trabalhar .

Ela ficou encantada de saber que o rapaz trabalhava e tinha uma mãe. Resolveu pedir ao rapaz que a levasse para conhecer a mãe dele na montanha.

No dia seguinte, pediu ao irmão que dissesse ao pai que ela saíra com a ama e não ia demorar. A ama não gostou da mentira, mas como gostava muito dela foi assim mesmo.

Quando chegaram ao alto da montanha encontraram a mãe do rapaz colhendo flores no jardim da casa. Ela veio ao encontro deles e ficou impressionada com a beleza da princesa. Conversaram muito e como estava tarde a ama chamou-a para irem embora.

Quando chegou, o rei já estava nervoso com a demora e perguntou onde elas estavam. A princesa que não achava certo mentir contou ao pai que fora no alto da montanha conhecer a mãe do rapaz que sorria para ela na janela.

O rei ficou muito preocupado porque lá no alto da montanha morava uma bruxa malvada que tinha transformado em sapos e corujas, vários príncipes da região e quando chegava no alto da montanha fazia eles voltarem a ser normais e os vendia para quem não tinha filhos. Perguntou para a filha como era esse rapaz e ela descreveu-o para o pai. Ele pediu que ela não fosse mais na montanha enquanto ele, não descobrisse sobre a bruxa. No dia seguinte, foi à casa do rapaz e conversou com a mãe dele que lhe disse que o rapaz não era seu filho de verdade, mas ela tinha adotado ele de uma mulher do lugar desde muito pequeno. O rei então, pediu para ver o rapaz e descobriu através de uma marca de nascença que ele era filho de um rei amigo seu. A mãe adotiva não queria acreditar, mas o rei deu-lhe um bom dinheiro e ela permitiu que o filho fosse com ele para a cidade. O rei levou o rapaz ao castelo de onde ele havia sido tirado em criança e mostrou-o aos seus verdadeiros pais que viviam muito tristes desde que o filho fora roubado pela bruxa. Foi uma grande festa o reencontro da família. O rapaz pediu ao rei se poderia casar com a princesa e ele, claro que permitiu. Houve uma grande festa no palácio. Assim, foram todos muito felizes. Mas ninguém achou a bruxa para conseguir trazer de volta os outros que foram transformados em sapos e corujas

domingo, 6 de setembro de 2009

Duas fábulas interessantes

Sempre gostei muito das Fábulas, principalmente as de Esopo onde os bichos dizem tudo que os humanos não diriam!!!! Coloquei estas duas para que possamos recordar, mas não gosto de usar, principalmente com as crianças, "moral", porque cada um vai ter sua interpretação e fica muito mais interessante. Espero que gostem.





O SAPO E O BOI

Um dia o boi estava dando seu passeio da tarde, quando um pobre sapo todo mal vestido olhou para ele e ficou maravilhado.
Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.
- Olhem só o tamanho do sujeito! Até que ele é elegante, mas grande coisa, se eu quisesse também era.
Dizendo isso o sapo começou a estufar a barriga e em pouco tempo estava com o dobro do tamanho normal.
- Já estou grande que nem ele? – perguntou aos amigos sapos.
- Não, ainda está longe ! – responderam os amigos.
O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.
- Não – disseram de novo os outros sapos, e é melhor você parar com isso senão vai acabar se machucando.
Mas era tanta a vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando estufando – até estourar.


Moral: Seja sempre você mesmo.


O LEÃO E O RATINHO

Um leão cansado de tanto caçar, dormia espichado debaixo da sombra boa de uma árvore.
Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou. Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu debaixo da pata.
Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
Algum tempo depois o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguindo se soltar, fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
Nisso apareceu o ratinho que ele salvara, e com seus dentes afiados roeu as cordas e soltou o leão.


Moral: Uma boa ação sempre ganha outra.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Rei Sapo ( irmãos Grimm)

Era uma vez, um rei cujas filhas eram todas belas, mas a mais nova era tão linda que chegava a incomodar as outras.
Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço.
Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita.
Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:
- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?
Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora d´água.
- Ah, és tu, velho sapo? – disse ela. – Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.
- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?
O que tu quiseres, querido sapo – disse ela, - meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.
O sapo respondeu;
- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, “que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?”
O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa.
A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.
O sapo gritou – leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!
Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo.
No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:
- Filha do rei, a mais nova abre para mim!
Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.
O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:
- Minha filha, de que tens medo? Há algum gigante na porta querendo te levar?
- Oh, não, mas é um sapo nojento.
- E o que este sapo quer de ti?
- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora d´água. Agora está lá fora querendo entrar aqui.
Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:
“Princesa, a mais nova
abre a porta para mim!
lembras o que ontem
prometeste a mim,
lá junto do poço?
prometeste, sim!
princesa, a mais nova
abre a porta para mim!”
Então o rei disse:
- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!
Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:
- Leva-me para junto de ti!
Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.
Quando o sapo já estava à mesa ele disse:
- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!
A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!
Finalmente ele disse:
- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.
A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?
Mas o rei zangou-se e ordenou:
- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:
- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. – Agora me deixará em paz, sapo nojento!
Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.
Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse.
Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar.
A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera.
Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou.